5 sucessos para conhecer Paulo Diniz, no dia do aniversário do compositor 

Lívia Nolla
13:10 24.01.2025
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Música

5 sucessos para conhecer Paulo Diniz, no dia do aniversário do compositor 

Saiba mais sobre a vida e a obra do cantor, compositor eautor do clássico "Quero Voltar Pra Bahia"

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- 24.01.2025 - 13:10
5 sucessos para conhecer Paulo Diniz, no dia do aniversário do compositor 
O cantor e compositor Paulo Diniz | Imagem: Max Levay (Divulgação)

Você sabe quem foi Paulo Diniz?

Se não sabe, este refrão, eternizado por Caetano Veloso, quando o baiano estava vivendo no exílio em Londres, você já ouviu, né?

“I don’t want to stay here

I want to go back to Bahia”

Pois é! Paulo Diniz é o compositor por trás de “Quero Voltar Pra Bahia” e de outros clássicos da nossa música popular brasileira. Vamos conhecer mais sobre o cantor e compositor pernambucano que completaria 85 anos, se não tivesse nos deixado em junho de 2022?

Quem foi Paulo Diniz?

Nascido no bairro Farroupilha, em Pesqueira, município no agreste do estado de Pernambuco, dos 12 aos 16 anos Paulo Diniz trabalhava em uma fábrica de doces e engraxava sapatos no centro da cidade, para ajudar a família, de origem humilde.

Aos 14 anos, despertou para a carreira de locutor, quando começou a falar nos microfones dos Serviços de Alto-falantes de Pesqueira – S.A.P. A partir daí, conseguiu uma oportunidade na Rádio Difusora de Pesqueira.

Mais tarde, mudou-se para o Recife, onde tentou ganhar a vida engraxando sapatos, como crooner e baterista em casas noturnas, locutor de casas comerciais e, em seguida, locutor e ator da Rádio Jornal do Commercio. Do Recife, seguiu para Caruaru, e, depois, para Fortaleza, onde atuou como locutor e ator de rádio e televisão. 

Em 1964, Paulo Diniz foi para o Rio de Janeiro, onde foi locutor da Rádio Mayrink Veiga e da Rádio Globo, e passou a compor com mais frequência. 

Em 1966, no auge da Jovem Guarda, lançou seu primeiro compacto, e o iê-iê-iê “O Chorão”, que se tornou sucesso nacional e – em 1967 – foi a vez do seu primeiro LP, “Brasil, Brasa, Braseiro”.

Em 1970, compôs, em parceria com o amigo Odibar, o hino de protesto “Quero Voltar Pra Bahia”, cujos versos carregados de saudade prestavam homenagem a Caetano Veloso, que foi forçado a se exilar em Londres por conta da perseguição que sofreu – ao lado de Gilberto Gil – por conta da repressão dos tempos duros de Ditadura Militar.

A canção deu nome ao segundo LP de Paulo e alcançou os primeiros lugares das paradas em todo o país e se tornou uma espécie de hino, canção-símbolo de uma época conturbada da história política e social do Brasil. 

“Quero Voltar Pra Bahia” ou “I want to go back to Bahia” foi inspirada em uma carta publicada no jornal O Pasquim, em que Caetano escreveu uma coluna dizendo que estava morrendo de saudades do Brasil e da Bahia.

Em 1971, o baiano gravou um álbum bastante melancólico lá de Londres, “Caetano Veloso”, em que aparecia com um semblante sério na foto de capa e que na canção “If You Hold a Stone”, ele insere o trecho que mostra a saudade imensa que sentia do Brasil:

“Mas eu não sou daqui (marinheiro só)

Eu não tenho amor (marinheiro só)

Eu sou da Bahia (marinheiro só)

De São Salvador (marinheiro só)

São Salvador, São Salvador

Veja também:

Eu não vim aqui (marinheiro só)

Para ser feliz (marinheiro só)

Cadê meu sol dourado? (Marinheiro só)

E cadê as coisas (marinheiro só)

Do meu país?”

O cantor e compositor Paulo Diniz | Imagem: Reprodução

Paulo Diniz ainda lançou mais nove álbuns, sendo o mais recente “Reviravolta”, em 2002, de forma independente. 

Entre 1987 e 1996, em decorrência de graves problemas de saúde que quase o deixaram paraplégico – ele teve uma inflamação na medula – Paulo Diniz não gravou nenhum disco. Parcialmente recuperado, em 1997 retomou a carreira.

Também dedicou-se à tarefa de musicalizar poemas de língua portuguesa de autores como Carlos Drummond de Andrade (“E Agora, José?”, que deu nome ao seu quarto LP, em 1972), Gregório de Matos (“Definição do Amor”), Augusto dos Anjos (“Versos Íntimos”), Jorge de Lima (“Essa Nega Fulô”) e Manuel Bandeira (“Vou-me Embora pra Pasárgada”).

Suas canções foram gravadas por grandes nomes como Clara Nunes,Emílio Santiago, Simone e outros cantores. 

Nos últimos anos, residindo no Recife, esteve numa cadeira de rodas, já que a doença que quase o paralisou nos anos 80 retornou a partir de 2005, e dessa vez paralisou seus membros inferiores. 

Deixou de apresentar-se em 2016, apesar de ter continuado a trabalhar em novas canções até a sua morte, em 22 de junho de 2022, aos 82 anos, de causas naturais.

 5 sucessos para conhecer Paulo Diniz

1 – O Chorão (1966)

2 – Quero Voltar pra Bahia (parceria com Odibar, 1970)

3 – José (baseada em versos de Carlos Drummond de Andrade, 1972)

4 – Pingos de Amor (parceria com Odibar, 1971)

5 – Canoeiro (parceria com Odibar, 1971)

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Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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