Os 50 maiores sucessos de Chico Buarque

Lívia Nolla
09:14 19.06.2026
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Arte e cultura

Os 50 maiores sucessos de Chico Buarque

Para celebrar os 82 anos de um dos maiores nomes da história da música popular brasileira de todos os tempos, uma playlist especial com os maiores sucessos de Chico Buarque.

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- 19.06.2026 - 09:14
Os 50 maiores sucessos de Chico Buarque
Chico Buarque | Foto: Leo Aversa \ Divulgação

Hoje é aniversário de um dos maiores nomes da história da música popular brasileira de todos os tempos: Chico Buarque completa 82 anos.

E, para celebrar este artista gigante do nosso Brasil, nós preparamos uma playlist especial com os seus 50 maiores sucessos! Porque – quando se trata de Chico – não dá pra listar só 10, nem só 20, nem 30, nem 40 sucessos de uma carreira tão produtiva e longeva. 

Junto  com a playlist, um panorama histórico da vida e obra do compositor, desde o início – lá nos anos 40 – até os dias de hoje. Preparados para essa viagem musical no tempo?

Artista desde o primeiro dia 

Cantor, compositor, instrumentista, dramaturgo e escritor, a vasta contribuição de Chico Buarque para a nossa cultura é notável e expressiva e sua obra é uma das nossas maiores riquezas nacionais.

Sua discografia conta com aproximadamente 80 álbuns, entre solo, em parceria com outros músicos e compactos. Ele escreveu trilhas para teatro e cinema, esteve na trilha de diversas novelas, é autor de livros premiados e de peças teatrais históricas e foi gravado por grande parte dos mais importantes nomes da música brasileira de todos os tempos.

Com uma obra rica e variada, o artista tem atravessado os anos mantendo-se como um exemplo de coerência política e estética, recebendo o respeito e admiração do público e da crítica. 

Nascido Francisco Buarque de Hollanda, no Rio de Janeiro, em 19 de junho de 1944, em uma família igualmente notável: Chico é filho do historiador, escritor, sociólogo, jornalista e crítico literário Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista e intelectual Maria Amélia Cesário Alvim

É também irmão das cantoras e compositoras Miúcha, Ana de Hollanda e Cristina Buarque e tio de Bebel Gilberto. Foi casado por 33 anos com a atriz Marieta Severo, com quem teve três filhas, Silvia – também atriz – Helena e Luísa.

Aos dois anos, Chico mudou-se com a família para São Paulo e com oito foi morar na Itália, por conta do trabalho do pai, onde ficaram por dois anos.

chico buarque
Chico Buarque na juventude | Imagem: Reprodução

Desde criança, já demonstrava interesse pela música e admiração pelos cantores do rádio. A casa de sua família era recheada de livros e frequentada desde cedo por grandes nomes da música brasileira como João Gilberto, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Tom Jobim, Alaíde Costa e Oscar Castro Neves.

Na Itália, Chico compôs suas primeiras marchinhas de carnaval. De volta ao Brasil, compôs suas primeiras canções, para operetas encenadas pelas irmãs. Suas influências iam desde os sambas tradicionais de Noel Rosa, Ismael Silva e Ataulfo Alves, passando por choros, marchas, modinhas, baiões e serestas, até canções estrangeiras de Elvis Presley, do grupo The Platters e do belga Jacques Brel.

Mas foi o disco “Chega de Saudade”, de João Gilberto (que mais tarde viria a se tornar seu cunhado), que alterou definitivamente sua relação com a música. Chico ficou muito envolvido pela música do Pai da Bossa Nova e também de Tom Jobim, bem como pelas letras de Vinicius de Moraes.

A primeira composição de Chico Buarque foi o samba “Canção dos Olhos”, aos 15 anos de idade. Apaixonado por literatura – nacional e estrangeira – e leitor voraz, produziu suas primeiras crônicas para o jornal da escola. Aos 18 anos, escreveu o seu primeiro conto.

Chico chegou a ingressar no curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo, em 1963, mas desistiu no terceiro ano, para dedicar-se à carreira artística. Além disso, outro motivo que o fez tomar a decisão de largar o curso foi o clima de repressão que tomava conta das universidades após o golpe militar de 1964.

Em 1964, apresentou-se pela primeira vez em um show, no Colégio Santa Cruz, local onde estudava em São Paulo. No mesmo ano, escreveu a música “Tem Mais Samba”, feita sob encomenda para o musical “Balanço de Orfeu”, o que Chico considera o marco zero de sua carreira.

Também é desse ano a primeira gravação de uma música de Chico Buarque: a marchinha “Marcha Para Um Dia De Sol”, gravada por Maricene Costa, que Chico apresentou no auditório do Colégio Rio Branco, no show “Primeira Audição”, que abria espaço para os músicos da nova geração. Muitos desses novos talentos começam a despontar na música popular brasileira, abrindo caminho para a era dos festivais. 

Em 1965, Chico Buarque lançou o seu primeiro compacto, com as canções “Pedro Pedreiro” e “Sonho De Um Carnaval”. Essa última foi a sua primeira música inscrita em um festival – o I Festival Nacional de Música Popular Brasileira – transmitido pela TV Excelsior. A canção foi defendida e depois gravada por Geraldo Vandré, mas não se classificou.

Em “Pedro Pedreiro”, Chico já dava uma prévia do modo como viria a trabalhar suas composições dali em diante: versos com rigoroso trabalho estilístico e morfológico, com letras que contam das coisas cotidianas, mas também com viés político e de reflexão social, ainda com influências da Bossa Nova, mas com algo novo, que trazia mais da sua impressão digital.

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Chico Buarque. Foto: Divulgação.

Ainda em 1965, musicou a peça “Morte e Vida Severina”, baseada no livro de João Cabral de Melo Neto, cuja montagem ganhou prêmios de crítica e público no IV Festival de Teatro Universitário de Nancy, na França. Uma das principais canções da peça é o clássico “Funeral de Um Lavrador”.

Em 1966, o artista tornou-se conhecido do grande público brasileiro quando ganhou o II Festival Nacional de Música Popular Brasileira, com a canção “A Banda”, interpretada por Nara Leão. A música empatou com “Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, interpretada magistralmente por Jair Rodrigues.

Nas folhas de votação do festival, consta que “A Banda” ganhou a competição por 7 a 5. Acontece que Chico, ao perceber que ganharia, foi até o presidente da comissão e disse não aceitar a derrota de “Disparada” e que, caso isso acontecesse, entregaria o prêmio ao concorrente. Por isso, o júri do festival resolveu dar empate.

A Banda” foi um sucesso imediato e vendeu mais de 100 mil cópias em uma semana, sendo traduzida para vários idiomas. O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu uma crônica para saudar a canção e Millôr Fernandes classificou Chico, aos 22 anos, como unanimidade nacional. 

E é com essa canção icônica que começa então a nossa lista com os 50 maiores sucessos de Chico Buarque.

1 – A Banda 

Ainda em 1966, Chico Buarque mudou-se para o Rio de Janeiro e lançou o seu primeiro disco, “Chico Buarque de Hollanda”, contendo – além de A Banda”, “Pedro Pedreiro” e “Sonho de Um Carnaval” – outros grandes sucessos da sua carreira, como “A Rita”.

Depois do lançamento do disco, Chico tornou-se o artista  mais novo a gravar um depoimento para o Museu da Imagem e do Som, privilégio até então reservado a personalidades de gerações anteriores.

2 – A Rita

Também é de 1966 seu primeiro livro publicado, um songbook que traz manuscritos das suas primeiras composições, além do seu primeiro conto: “Ulisses”.

Em 1967, Chico Buarque passou a apresentar – junto com Nara Leão – o programa musical “Pra Ver a Banda Passar”, da TV Record. Também participou do programa “Esta Noite Se Improvisa”, onde alternou com Caetano Veloso o primeiro lugar no conhecimento de letras de músicas brasileiras.

No mesmo ano, Chico estreou como ator no cinema, ao lado de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Nara Leão e Ronnie Von, no filme “Garota de Ipanema”, de Leon Hirszman, em que interpreta ele mesmo.

No ano 1967, ele apresentou – ao lado do grupo vocal MPB4 – a clássica canção “Roda Viva”, no III Festival Nacional de Música Popular Brasileira, um sucesso absoluto, ficando em terceiro lugar. E sua canção “Carolina” também ficou em terceiro lugar no II FIC – Festival Internacional da Canção, da TV Globo.

3 – Roda Viva

Neste mesmo ano de 1967, Chico fez uma turnê de shows pelo Brasil e lançou o seu segundo disco, “Chico Buarque de Hollanda, Vol. 2″, com outros clássicos de sua carreira. Entre eles, destaque para “Noite dos Mascarados” e “Quem Te Viu, Quem Te Vê”. 

4 – Noite dos Mascarados

5 – Quem Te Viu, Quem Te Vê

O artista escreveu também a peça “Roda Vida”que estreou em 1968 – dirigida por José Celso Martinez Corrêa e que tinha Marieta Severo, sua então esposa, no elenco inicial. A obra tornou-se um grande símbolo da resistência contra a ditadura militar e teve uma de suas sessões invadidas pelo Comando de Caça aos Comunistas, que depredou as instalações do Teatro Galpão, em São Paulo, e espancou atores e técnicos da montagem.

No dia seguinte, Chico Buarque estava na plateia para apoiar o grupo e começava um movimento organizado em defesa de “Roda Viva” e contra a censura nos palcos brasileiros.

Em 1968, o artista venceu o III Festival Internacional da Canção, da TV Globo, com sua  composição em parceria com Tom Jobim, a canção “Sabiá“. No mesmo ano, a canção “Bom Tempo”, ficou em segundo lugar na Bienal do Samba e a música “Benvinda”, venceu o IV Festival da MPB da Record.

6 – Sabiá

Ainda em 1968, Chico lançou um disco com versões das suas canções em italiano e também o álbum “Chico Buarque de Hollanda, Vol. 3,” que conta com os sucessos “Retrato em Branco e Preto” (parceria de Chico com Tom Jobim),“Roda Viva” e “Carolina”.

Dias após a decretação do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, Chico Buarque foi detido em sua própria casa e levado ao Ministério do Exército para prestar depoimento sobre a sua participação na Passeata dos Cem Mil – manifestação popular contra a ditadura, organizada pelo movimento estudantil – e também sobre as cenas exibidas na peça “Roda Viva”, consideradas subversivas.

Em tempos duros de repressão – no auge da ditadura militar e diante da recente instauração do AI5 – com o cerceamento das liberdades democráticas, de expressão e das criações libertárias, Chico resolveu se exilar na Itália, em janeiro de 1969.

Da Itália, fez shows ao lado de Toquinho, escreveu artigos esporádicos para o jornal político-satírico “O Pasquim”  e lançou dois LPs: um cantando em italiano e o outro – “Chico Buarque de Hollanda nº 4″ – com grandes sucessos como “Essa Moça Tá Diferente” e “Gente Humilde” (parceria com Vinícius de Moraes).

7 – Essa Moça Tá Diferente

8 – Gente Humilde

O artista também colocou letra em Samba de Orly, canção que Toquinho lhe mostrou como uma espécie de bilhete de despedida, no dia em que decidiu retornar ao país, depois de passar um tempo com Chico na Itália. 

Essa canção entrou para o disco “Construção, de 1971, que marcou a volta de Chico Buarque ao Brasil e consagrou-o um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização no país, com composições que denunciavam aspectos sociais, econômicos e culturais do Brasil. Consequentemente, Chico tornou-se também um dos artistas mais perseguidos pela censura.

9 – Samba de Orly

No álbum “Construção” também está a canção que dá nome ao disco – uma das mais importantes da história da música brasileira – além dos grandes sucessos: “Cotidiano”, “Valsinha” (em parceria com Vinicius de Moraes) e “Deus Lhe Pague”. 

10 – Construção

11 – Cotidiano

12 – Deus Lhe Pague

13 – Valsinha

Voltando para 1970, Chico retornou ao Brasil e compôs também “Apesar de Você”, uma resposta crítica ao regime ditatorial no qual o país ainda estava imerso, disfarçado como uma briga entre namorados. Surpreendentemente, a música passou pela censura prévia e se tornou uma espécie de hino da resistência à ditadura. 

Para o público, não havia dúvidas: o “você” da música era o general Emílio Garrastazu Médici, então Presidente da República, em cujo governo foram cometidas as maiores atrocidades contra os opositores do regime. Ao ser interrogado sobre quem era o “você” da canção, Chico respondia: “É uma mulher muito autoritária”.

Depois do compacto vender cerca de 100 mil cópias, a canção foi censurada, o disco retirado das lojas e até a fábrica da gravadora foi fechada. Após esse episódio, o cerco às suas composições endureceu. A canção só pôde ser incluída em um álbum do cantor em 1978. 

14 – Apesar de Você

Em 1972, foi lançado o álbum que teve origem no show histórico que Chico Buarque e Caetano Veloso fizeram ao retornarem dos seus respectivos exílios (Caetano foi forçado a exilar-se em Londres, junto com Gilberto Gil), no Teatro Castro Alves, em Salvador: “Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo”

Neste disco, além de outros sucessos, estão “Partido Alto”, “Atrás da Porta” (em parceria com Francis Hime e eternizada depois na voz e interpretação de Elis Regina) e a famosa união das canções “Você Não Entende Nada” (de Caetano) e “Cotidiano” (de Chico).

15 – Partido Alto

16 – Atrás da Porta

Também em 1972, Chico compôs quase todas as músicas e foi protagonista do filme “Quando o Carnaval Chegar”, de Cacá Diegues, ao lado de Nara Leão e Maria Bethânia. Entre elas, o sucesso “Mambembe” e a canção que dá nome ao filme.

17 – Mambembe

No mesmo ano, ao lado de Ruy Guerra, Chico Buarque traduziu as canções para o musical “O Homem De La Mancha”, entre elas, a clássica “Sonho Impossível”, versão da música The Impossible Dream, de Joe Darion e Mitch Leigh.

Veja também:

Em 1973, escreveu – também com Ruy Guerra – a peça “Calabar, o Elogio da Traição”. Proibida pela censura, a peça e o disco com as canções (entre elas, o sucesso “Tatuagem”) somente seriam liberados muito anos depois, em 1980.

18 – Tatuagem

No mesmo ano de 1973, sua clássica canção “Cálice”, em parceria com Gilberto Gil, foi também proibida. Desta vez não pela censura (que já havia vetado a letra), mas pela própria Phonogram. Com medo de represálias, a gravadora desligou os microfones do palco de seu festival e impede Chico e Gil até mesmo de tocarem a melodia sem letra. O episódio contribuiu, mais tarde, para o rompimento do compositor com a gravadora. A música pôde ser lançada somente em 1978.

19 – Cálice

Em 1974, para driblar a censura, Chico Buarque criou o personagem heterônimo Julinho da Adelaide e passou a assinar canções com esse nome, como é o caso de canções como o sucesso “Acorda Amor”,  ou “Jorge Maravilha” e “Milagre Brasileiro”, que passaram sem grandes problemas pela censura. Julinho da Adelaide concedeu até entrevista ao escritor e jornalista Mário Prata e o público só ficou sabendo da verdade em 1975. 

Neste mesmo ano, quase impossibilitado de gravar suas próprias canções, Chico gravou o disco “Sinal Fechado”, com  músicas de outros compositores, com exceção de “Acorda Amor”, que assina como Julinho da Adelaide.

20 – Acorda Amor

Ainda em 1974, Chico Buarque escreveu o seu primeiro livro: a novela “Fazenda Modelo”.

Em 1975, fez – com Maria Bethânia – uma longa temporada de shows no Canecão, no Rio de Janeiro, que rendeu um disco com vários sucessos, entre eles as clássicas “Flor da Idade”, “Vai Levando” (em parceria com Caetano Veloso) e “Gota D’Água”.

21 – Flor da Idade

22 – Vai Levando

Neste mesmo ano, escreveu – em parceria com Paulo Pontes – a peça “Gota D’Água”, uma releitura de “Medéia”, de Eurípedes, baseada em uma adaptação que Oduvaldo Vianna Filho havia feito para a televisão. A peça – estrelada por Bibi Ferreira – se tornou um imenso sucesso de crítica e público, embora tenha sido também alvo de censura. Tanto “Gota D’Água”, quanto “Roda Viva” são peças que tiveram remontagens em tempos recentes e continuam impressionantemente atuais até os dias de hoje.

Chico chegou a ganhar o Prêmio Molière como melhor autor teatral pelo seu trabalho em “Gota d ́Água”, mas – em protesto contra a censura – que proibiu peças de vários autores, não compareceu à cerimônia de entrega dos prêmios.

A partir de 75, Chico ficou nove anos sem subir profissionalmente em um palco, limitando-se a participar de eventos em benefício de causas sociais.

Em 1976, compôs o clássico “O Que Será”, para o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto. A canção tem três versões, que marcam passagens diferentes da trama: “Abertura”, “À Flor da Pele” e “À Flor da Terra”.

23 – O Que Será – À Flor da Pele

24 – O Que Será – À Flor da Terra

No mesmo ano, o artista lançou o disco Meus Caros Amigos, em que canta “O Que Será”, na clássica versão ao lado de Milton Nascimento. Também são desse disco os sucessos “Mulheres de Atenas”, “Olhos nos Olhos”, “Vai Trabalhar Vagabundo” (que Chico compôs para o filme homônimo de Hugo Carvana, de 1975) e “Meu Caro Amigo”, uma carta musicada, que Chico escreveu, em parceria com Francis Hime, para o amigo diretor Augusto Boal, que estava exilado em Lisboa, ainda por conta do regime militar.

25 – Mulheres de Atenas

26 – Olhos nos Olhos

27 – Vai Trabalhar Vagabundo

28 – Meu Caro Amigo

Em 1977, Chico Buarque escreveu o texto e compôs as canções da peça “Ópera do Malandro”, uma adaptação para os clássicos “Ópera dos Mendigos”, de John Gay, e “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill. A peça estreou no ano seguinte.

Também em 1977, escreveu versões das canções para o espetáculo “Os Saltimbancos”, uma das mais expressivas obras de teatro musical dedicada ao público infantil até hoje. A peça conta as aventuras de quatro bichos que, sentindo-se explorados por seus donos, resolvem fugir para a cidade e tentar a sorte como músicos. Entre as principais canções: “Bicharia”, “História de Uma Gata”, “A Cidade Ideal” e “Todos Juntos”.

O elenco original contava com Marieta Severo (a Gata), Miúcha (a Galinha), Pedro Paulo Rangel (o Cachorro) e Grande Otelo (o Jumento). No coro infantil, estavam, entre outras crianças, Bebel Gilberto (filha de João Gilberto e Miúcha), Isabel Diegues (filha de Nara Leão e Cacá Diegues) e Silvia Buarque (filha de Chico e Marieta).

29 – História de Uma Gata

Em 1978, foi a vez do álbum “Chico Buarque 1978″, com os clássicos “Feijoada Completa (escrita no ano anterior para o filme“Se Segura Malandro”, de Hugo Carvana), “Cálice”, “Trocando em Miúdos” (com Francis Hime), além de canções de sucesso que fazem parte da trilha de “A Ópera do Malandro”: “O Meu Amor”, “Pedaço de Mim” e “Homenagem ao Malandro” (a primeira interpretada pelas atrizes Marieta Severo e Elba Ramalho, e a segunda por Zizi Possi).

30 – Feijoada Completa 

31 – Trocando em Miúdos

32 – O Meu Amor

33 – Pedaço de Mim

34 – Homenagem ao Malandro

Em 1979, Chico Buarque lançou o livro infantil “Chapeuzinho Amarelo”, e compôs diversas músicas para o cinema, entre elas “Bye Bye, Brasil”, para o filme homônimo de Cacá Diegues. Essa canção faz parte do disco “Vida”, de 1980, que também conta com “Morena de Angola” e a clássica “Eu Te Amo”, em parceria com Tom Jobim.

35 – Bye Bye, Brasil

36 – Morena de Angola

37 – Eu Te Amo

Também em 1980 foi lançado o álbum duplo “Ópera do Malandro”, que – além das canções já citadas – conta também com os sucessos “Folhetim” e “Geni e o Zepelim”

38 – Folhetim

39 – Geni e o Zepelim

No mesmo ano, o cineasta argentino Maurício Berú realizou o documentário “Certas Palavras”, sobre Chico Buarque, com participação – em números especiais ou depoimentos – de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Vinicius de Moraes, Toquinho, Francis Hime, Ruy Guerra, Miúcha e Sérgio Buarque de Hollanda.

Em 1981, Chico participou do roteiro e das adaptações das canções do famoso filme “Os Saltimbancos Trapalhões”, entre elas – além dos clássicos de Os Saltimbancos – as músicas “Piruetas” e “Alô Liberdade”.

No mesmo ano, lançou o livro “A Bordo do Rui Barbosa” e o disco “Almanaque”, que conta com os clássicos “O Meu Guri” e “Tanto Amar”.

40 – O Meu Guri

41 – Tanto Amar

Em 1982, em parceria com Edu Lobo, Chico Buarque compôs a trilha para o espetáculo “O Grande Circo Místico,” que foi lançado em disco no ano seguinte. Entre as canções, estão os super sucessos: “Ciranda da Bailarina”,Beatriz” e “A História de Lily Braun”.

42 – Ciranda da Bailarina

43 – Beatriz

44 – A História de Lily Braun

Em 1983, Chico compôs o samba histórico “Vai Passar”, que – no ano seguinte, apesar do artista negar qualquer relação da música com o movimento – se tornaria uma referência na campanha pelas Diretas Já,  movimento político de cunho popular que teve como objetivo a retomada das eleições diretas ao cargo de Presidente da República no Brasil, ainda durante a ditadura militar brasileira. 

45 – Vai Passar

A canção entrou para o disco “Chico Buarque”, de 1984, que também conta com o sucesso “Pelas Tabelas”. Neste mesmo ano, Chico voltou aos palcos, depois de nove anos afastado.

46 – Pelas Tabelas

Em 1985, trabalhou na elaboração do roteiro e compôs novas canções para o filme “Ópera do Malandro”, de Ruy Guerra, baseado em sua peça. Com Edu Lobo, compôs as músicas para a peça “O Corsário do Rei”, de Augusto Boal.

Em 1986, comandou – ao lado de Caetano Veloso – o programa de televisão, “Chico e Caetano”, que permaneceu por sete meses no ar, reunindo nomes expressivos da MPB, além de estrelas internacionais.

No mesmo ano, colocou letra na canção “Anos Dourados”, uma parceria com Tom Jobim, encomendada pela TV Globo para ser o tema musical da minissérie de mesmo nome.

47 – Anos Dourados

Em 1991, Chico Buarque lançou o seu primeiro romance, “Estorvo”, publicado pela Companhia das Letras, que tornou-se sucesso de público e crítica, nacional e internacionalmente, e com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura.

Em 1993, lançou o disco “Paratodos”, depois de quatro anos sem gravar. O álbum, além do sucesso da canção título, conta também com a clássica “Futuros Amantes”.

48 – Paratodos

49 – Futuros Amantes

Em 1994, Chico escreveu seu segundo romance, “Benjamim”, que foi lançado em 1995.

Em 1997, participou do disco “Chico Buarque de Mangueira”, com regravações de clássicos dos compositores da escola e com uma composição inédita sua, em parceria com Hermínio Bello de Carvalho: “Chão de Esmeraldas”.

Em 1998, o artista foi o homenageado no desfile em que a Mangueira consagrou-se campeã do carnaval do Rio de Janeiro, com o enredo “Chico Buarque da Mangueira”.

No mesmo ano, lançou o disco “As Cidades”, com sete canções inéditas e quatro regravações, sendo o primeiro trabalho de Chico lançado na internet. 

Em 2000, o filme “Estorvo” – de Ruy Guerra – baseado no romance homônimo de Chico, concorreu à Palma de Ouro do 53º Festival Internacional de Cinema de Cannes.

Em 2001, Chico fez as letras para as canções de Edu Lobo que fizeram parte da trilha da 

peça “Cambaio”, de Adriana e João Falcão. O álbum com as composições do espetáculo ganhou o Grammy Latino de Melhor Álbum de MPB.

Em 2002, é lançado o disco “Duetos”, que reúne 14 das mais de 200 participações de Chico cantando com outros artistas, como por exemplo: Elza Soares, Nara Leão, Zeca Pagodinho, Nana Caymmi, Johnny Alf, João do Vale, Miúcha, Tom Jobim e Elba Ramalho.

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Chico Buarque completa 82 anos | Imagem: Divulgação

Já em 2003, chegou aos cinemas o filme “Benjamim”, baseado no romance de Chico Buarque, de 1995, e dirigido por Monique Gardenberg.

No mesmo ano, Chico publicou “Budapeste”, seu terceiro romance. O livro ganhou o Prêmio Jabuti de Livro do Ano e ficou na lista de mais vendidos por diversos meses, sendo traduzido para vários idiomas.

Em 2008, seu álbum “Carioca – Ao Vivo”, foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.

Em 2009, lançou o livro “Leite Derramado”, que também ganhou o Prêmio Jabuti de Livro do Ano. E, em 2014, o livro “O Irmão Alemão”.

Em 2010, o álbum “Chico” foi indicado ao Grammy Latino como Álbum do Ano.

Em 2017, Chico Buarque lançou o álbum “Caravanas”, que ganhou versão ao vivo no ano seguinte.

Em 2019, o artista lançou seu sexto romance – “Essa Gente” – e ganhou o Prêmio Camões, principal troféu literário da língua portuguesa, pelo conjunto da obra. O então Presidente da República, Jair Bolsonaro, se recusou a entregar o prêmio a Chico Buarque, que só pôde finalmente recebê-lo em 2023, pelas mãos do agora Presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Também em 2023, Chico Buarque iniciou a turnê do seu mais recente trabalho, “Que Tal Um Samba?”, com a participação de Mônica Salmaso. Antes, em 2021, Chico ainda publicou mais um livro, dessa vez de contos: “Anos de Chumbo e outros Contos”.

50 – Que Tal um Samba?

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Lívia Nolla

Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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