Novabrasil
Especial: 5 parcerias inesquecíveis de Nara Leão
Especial: 5 parcerias inesquecíveis de Nara Leão
Hoje seria aniversário de Nara Leão e - para homenageá-la nesta data especial - relembramos 5 parcerias inesquecíveis da cantora

Nara Leão foi uma das mais importantes cantoras da história da música popular brasileira. Hoje, a também compositora e instrumentista completaria 84 anos e nós selecionamos uma lista com 05 parcerias inesquecíveis de Nara com outros grandes artistas da MPB.
A importância histórica de Nara Leão
Conhecida como uma das responsáveis pela introdução e pela consolidação da Bossa Nova no país, ganhando o posto de Musa da Bossa Nova, Nara Leão foi muito mais do que isso!
Muito além da Bossa Nova, a artista esteve ligada a outros movimentos musicais como o samba de raiz e o tropicalismo, tendo sido responsável – ao longo de sua carreira e na escolha de seu repertório – por lançar vários novos compositores e resgatar outros já consagrados.
Além de sua bela voz e musicalidade apurada, a cantora ficou muito conhecida por seu forte posicionamento político e por participar ativamente na luta contra a ditadura militar e as questões sociais do país.
Nascida em Vitória, no Espírito Santo, Nara mudou-se para o Rio de Janeiro com apenas um ano de idade e começou a estudar violão ainda criança. Conheceu o músico e compositor Roberto Menescal na escola e, com 12 anos, já trocava com ele as primeiras descobertas de novidades do jazz norte-americano.
Aos 14 anos, a cantora matriculou-se na Academia de Violão de Menescal e Carlos Lyra e, aos 18, já tornou-se professora na mesma Academia. Roberto Menescal foi seu grande parceiro durante toda a vida e carreira e é com ele a primeira parceria inesquecível de Nara Leão que destacamos hoje.
1 – Roberto Menescal
Amigos desde à infância, em 1985, os parceiros de décadas Nara Leão e Roberto Menescal gravaram seu primeiro álbum juntos: “Um cantinho, um violão”. Dois anos depois, em 1987, eles gravaram juntos o especial “Nara e Menescal” para a Rede Manchete de Televisão, em homenagem à Bossa Nova.
Entre as canções, sucessos como “Desafinado” (Tom Jobim e Newton Mendonça); “Chega de Saudade” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes); “O Barquinho” (Menescal e Ronaldo Bôscoli) e “O Pato” (Jaime Silva e Neuza Teixeira).
Voltando à história de Nara, em 1957, começaram as primeiras reuniões do grupo de jovens músicos que viria a tornar-se o precursor da Bossa Nova, no apartamento da própria Nara Leão, em Copacabana.
O grupo, formado por – além de Nara, Lyra e Menescal – Sérgio Ricardo, Ronaldo Bôscoli, João Gilberto, e outros nomes, reunia-se nos apartamentos da Zona Sul carioca para começar um movimento de renovação do samba que, segundo o escritor Ruy Castro, “era uma simplificação extrema da batida da escola de samba”, como se dela tivessem sido retirados todos os instrumentos e conservado apenas o tamborim.
Nara Leão se apresentou pela primeira vez como cantora profissional, dividindo o palco com Carlos Lyra e Vinicius de Moraes no espetáculo “Pobre Menina Rica”, escrito pelos dois, em 1963.
A segunda parceria inesquecível na carreira de Nara, portanto, é o encontro da cantora com Lyra e Vinicius.
2 – Carlos Lyra e Vinicius de Moraes

Ainda em 1963, a artista passou a se apresentar em programas de TV e gravou o seu primeiro álbum: “Nara”.
No disco, lançado em 1964, a cantora já mostrava que seu talento ia muito além das fronteiras da Bossa Nova, gravando compositores diversos como Zé Keti, Cartola, Nelson Cavaquinho, além de Vinicius de Moraes e Tom Jobim.
No mesmo ano, Nara viajou pelo nordeste, onde entrou em contato com a música dos baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia.
Também em 1964, lançou o seu segundo disco, “Opinião de Nara”, na mesma linha do anterior, mesclando compositores da Bossa Nova com poetas do morro e o samba de raiz.
Em seguida, a cantora anunciou que romperia com a Bossa Nova, que passava por um momento de cisão: de um lado, um grupo que mantinha-se fiel à estética suave e intimista e com temas menos compromissados, com posicionamentos políticos e sociais e, de outro (o lado de Nara), um grupo que se associava ao movimento geral da cultura brasileira, no sentido de se aproximar mais da realidade do país, com bases mais populares e temas sociais em suas letras.
O disco “Opinião de Nara” inspirou o espetáculo “Opinião”, estrelado por ela, Zé Keti e João do Vale e dirigido por Augusto Boal. O show tornou-se um grande sucesso na época, por conta de suas canções de protesto, que retratavam a problemática social do país, com músicas como Carcará (de João do Vale e José Cândido); Opinião (de Zé Keti) e Deus e o Diabo na Terra do Sol (de Sérgio Ricardo e Ruy Guerra).
Esta, então, é a terceira parceria importante de Nara Leão que destacamos hoje: com os artistas do espetáculo “Opinião”:
3 – Zé Keti, João do Vale e Augusto Boal
Foi este espetáculo também que revelou e projetou Maria Bethânia nacionalmente, porque Nara ficou afônica no meio da temporada e sugeriu que quem a substituísse fosse a baiana.
Também em 1965, Nara Leão gravou o álbum “O Canto Livre de Nara” e participou do espetáculo “Liberdade, Liberdade”, de Millôr Fernandes, que misturava protesto, humor e música.
Veja também:
Em 1966, no disco “Nara Pede Passagem”, a cantora apresentou novos compositores como Chico Buarque, Paulinho da Viola e Jards Macalé, este último já mostrando um futuro flerte que teria com o Movimento Tropicalista.
No mesmo ano, apresentou-se ao lado de Chico Buarque no II Festival de Música Brasileira da TV Record, interpretando a canção “A Banda” (de Chico), que venceu o festival ao lado de “Disparada” (de Geraldo Vandré), interpretada por Jair Rodrigues.
Por conta do sucesso estrondoso da música, Nara e Chico apresentaram, por seis meses, o programa televisivo “Pra Ver a Banda Passar”. Anos mais tarde, Nara gravou um disco inteiro de sucessos de Chico, “Com Açúcar, com Afeto”, em 1980.
Antes disso, em 1972, Nara e Chico já haviam gravado juntos – e ao lado de Maria Bethânia – o álbum da trilha sonora original do filme musical “Quando o Carnaval Chegar”, de Cacá Diegues (marido de Nara na época), no qual também atuam. E – em 1977 – Nara participou do antológico álbum “Os Saltimbancos”, de Chico, interpretando a Gata. Aqui entra, então, a nossa quarta parceria inesquecível da cantora: Chico Buarque.
4 – Chico Buarque
Ao longo dos próximos anos, Nara Leão gravou mais discos – com novos e antigos compositores – fez diversas turnês nacionais e internacionais, participou de festivais e programas de TV e do filme “Garota de Ipanema”, de Leon Hirszman e Vinicius de Moraes, e continuou posicionando-se fortemente contra o regime militar e a situação do país.
Em 1968, a cantora gravou com vários artistas do Movimento Tropicalista – como Caetano, Gal, Gil, Tom Zé, Os Mutantes, Rogério Duprat e Torquato Neto, o álbum “Tropicália ou Panis Et Circense”, interpretando a canção Lindoneia (de Caetano Veloso).
O movimento de ruptura transformou para sempre a história da cultura brasileira, ao mesclar influências vanguardistas de correntes artísticas internacionais, como o rock e o concretismo, com elementos tradicionais da cultura brasileira. E esta é a quinta parceria inesquecível que destacamos de Nara: com os artistas da Tropicália.
5 – Tropicalistas
Em 1969, o regime militar aumentou a perseguição às liberdades artísticas, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos e obrigados a se exilar em Londres nos próximos anos. Nessa época, Nara Leão diminuiu suas atividades musicais no Brasil e também mudou-se para Paris, onde passou os próximos anos exilada com o marido, Cacá Diegues, e teve sua primeira filha.
Em Paris, começou a gravar um álbum duplo com 24 canções do período da Bossa Nova, chamado “Dez Anos Depois”. Das canções do disco, a grande maioria é de Tom Jobim com outros parceiros, como: Insensatez (com Vinicius de Moraes); Samba De Uma Nota Só (com Newton Mendonça); e Corcovado. O álbum foi lançado quando Nara voltou ao Brasil, no fim de 1971.
Na primeira metade dos anos 70, Nara se afastou um pouco da carreira artística para dedicar-se aos filhos e também para voltar a estudar, pois tinha abandonado os estudos para seguir a carreira artística.
Em 1977, voltou com força total e seguiu pelos próximos anos: gravou mais discos com compositores diversos como Dominguinhos, Caetano, Gil, João Donato, Fagner, Edu Lobo e Tom Jobim.
Nara firmou ainda mais a parceria musical com seu amigo de infância, Roberto Menescal e gravou um disco somente com canções de Erasmo Carlos e Roberto Carlos (“E Que Tudo Mais Vá Pro Inferno”, de 1978).
Seguiu transitando por vários estilos – inclusive retornando à Bossa Nova – comandou um programa musical na TV, fez turnês nacionais e internacionais e seguiu firmemente defendendo seus ideais políticos, mesmo depois do fim da ditadura militar.
Em uma dessas turnês, Nara foi para o Japão com Roberto Menescal e iniciou uma relação muito forte da música brasileira com o país oriental. A viagem ainda rendeu a produção do primeiro Compact Disc de um artista brasileiro, nos estúdios da Polygram, no Japão: “Garota de Ipanema”, de 1985.

Em 1979, Nara passou a sofrer com alguns problemas de saúde, que se agravaram nos anos 80. Mesmo ainda gravando diversos discos, sentia muitas dores de cabeça e tinha alguns esquecimentos, o que afetava também sua performance no palco. Em 1986, depois de muito investigar, a cantora descobriu que tinha um tumor maligno do cérebro, em um local muito delicado e uma cirurgia poderia a deixar em estado vegetativo.
Nara Leão passou os últimos anos da vida tomando medicações contínuas e, quando sentia-se bem, ainda fazia apresentações musicais, acompanhada de Menescal. Ela nos deixou precocemente em junho de 1989, em decorrência de uma hemorragia causada por um tumor cerebral.
Para conhecer a obra e a trajetória completa de Nara Leão, escute o episódio do Acervo MPB especial sobre a cantora. Uma série de áudio-biografias exclusiva da Novabrasil, que conta a história de grandes nomes da MPB de um jeito que você nunca viu!


