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Literatura de Cordel: o que é, origem e as principais características

Clarissa Sayumi
15:29 13.12.2024
Arte e cultura

Literatura de Cordel: o que é, origem e as principais características

Descubra as raízes, características e a importância cultural da Literatura de Cordel, uma forma de arte que preserva a identidade nordestina

Clarissa Sayumi - 13.12.2024 - 15:29
Literatura de Cordel: o que é, origem e as principais características
Literatura de Cordel: o que é, origem e as principais características

Em meio às secas e chuvas do Nordeste brasileiro, onde o sol brilha intensamente e a lua ilumina as noites estreladas, surge uma forma de arte que conta as histórias e as lutas de um povo: a Literatura de Cordel.

Com suas rimas e versos, o cordel se transforma em um fio que entrelaça gerações e leva ao coração da cultura nordestina a sabedoria popular, as tradições e os desafios enfrentados ao longo dos anos.

Agência Brasil | Reprodução

As raízes dessa tradição

A origem da Literatura de Cordel vem da tradição dos trovadores portugueses, que traziam consigo a arte de contar histórias em versos. No Brasil, essa prática encontrou solo fértil no Nordeste, onde poetas populares começaram a criar suas próprias narrativas.

A partir do século 17, os cordelistas passaram a imprimir seus folhetos em papel barato, pendurando-os em cordas para venda nas feiras. Assim nasceu o cordel, uma forma acessível de literatura que falava diretamente ao povo.

Como é o cordel

O cordel é mais do que uma simples leitura; é uma experiência sensorial. Os poemas são escritos em uma linguagem coloquial, rica em regionalismos e expressões que refletem o cotidiano do povo nordestino.

As estrofes são rimas sonoras, enquanto os temas variam entre amores impossíveis, aventuras heroicas, críticas sociais e lendas folclóricas. Cada folheto é adornado com xilogravuras que capturam a essência das histórias contadas e atraem os olhares curiosos dos passantes.

O significado cultural

A Literatura de Cordel é um espelho da identidade nordestina. Em suas páginas, encontramos a luta pela terra, a resistência contra a seca, as festas populares e o amor pela cultura local. É uma forma de resistência cultural que preserva a memória coletiva e dá voz aos anônimos que habitam os rincões do Brasil.

O reconhecimento oficial como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan, em 2018, solidificou sua importância na formação da cultura brasileira.

Agência Brasil | Reprodução

Os Cordelistas

No dia 19 de novembro, é celebrado o Dia do Cordelista em homenagem a Leandro Gomes de Barros, um dos maiores expoentes desse gênero literário. Suas obras encantaram gerações com suas narrativas envolventes, além de abrir caminho para novos poetas que continuam a tradição.

Entre esses novos talentos estão nomes como Patativa do Assaré, cuja poesia reflete a vida no sertão; Ariano Suassuna, que misturou teatro e cordel; e José Camelo de Melo Resende, um dos mais prolíficos cordelistas contemporâneos.

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A nova geração

Hoje, o cordel se reinventa. Novos autores estão surgindo nas redes sociais, levando suas histórias para além das feiras e alcançando um público global. A Literatura de Cordel se adapta aos tempos modernos sem perder sua essência.

Em plataformas digitais, poetas compartilham suas criações com ilustrações contemporâneas e abordagens inovadoras, conquistando novas audiências e mantendo viva a chama dessa tradição.

O cordel usa rimas e versos como forma de resistência, de criatividade e de riqueza cultural de um povo que nunca deixa suas histórias morrerem.

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