Novabrasil
Conheça os 10 maiores sucessos na voz de Nara Leão
Conheça os 10 maiores sucessos na voz de Nara Leão
Relembre os 10 maiores sucessos de Nara Leão, uma das maiores vozes da história da música popular brasileira

A cantora, compositora e instrumentista Nara Leão é conhecida como uma das responsáveis pela introdução e pela consolidação da Bossa Nova no país, ganhando o posto de Musa da Bossa Nova. Mas, na verdade, ela foi muito mais do que isso!
Nara foi muito além da Bossa Nova e esteve ligada a outros movimentos musicais como o samba de raiz e o tropicalismo, tendo sido responsável – ao longo de sua carreira e na escolha de seu repertório – por lançar vários novos compositores novos e resgatar outros já consagrados.
Além de sua bela voz e musicalidade apurada, a cantora ficou muito conhecida por seu forte posicionamento político e por participar ativamente na luta contra a ditadura militar e as questões sociais do país.
Início da carreira
Nascida em Vitória, no Espírito Santo, em 1942, Nara Leão mudou-se para o Rio de Janeiro com apenas um ano de idade. Ela é irmã da jornalista Danuza Leão e foi casada com o cineasta Cacá Diegues, com quem teve dois filhos.
Nara começou a estudar violão ainda criança, quando ganhou o instrumento do pai. Conheceu o músico e compositor Roberto Menescal na escola e, com 12 anos, já trocava com ele as primeiras descobertas de novidades do jazz norte-americano. Menescal foi seu grande parceiro durante toda a vida e carreira.
Aos 14 anos, a cantora matriculou-se na Academia de Violão de Menescal eCarlos Lyra e, aos 18, já tornou-se professora na mesma Academia.

Muito mais que Musa da Bossa Nova
Em 1957, começaram as primeiras reuniões do grupo de jovens músicos que viria a tornar-se o precursor da Bossa Nova, no apartamento de Nara Leão, em Copacabana. O grupo, formado por – além de Nara, Lyra e Menescal – Sérgio Ricardo, Ronaldo Bôscoli, João Gilberto, e outros nomes, reunia-se nos apartamentos da Zona Sul carioca para começar um movimento de renovação do samba que, segundo o escritor Ruy Castro, “era uma simplificação extrema da batida da escola de samba”, como se dela tivessem sido retirados todos os instrumentos e conservado apenas o tamborim.
Nara Leão se apresentou pela primeira vez como cantora profissional, dividindo o palco com Carlos Lyra e Vinicius de Moraes no espetáculo Pobre Menina Rica, escrito pelos dois, em 1963. Neste mesmo ano, a artista passou a se apresentar em programas de TV e gravou o seu primeiro álbum: Nara.
No disco, lançado em 1964, a cantora já mostrava que seu talento ia muito além das fronteiras da Bossa Nova, gravando compositores diversos como Zé Keti,Cartola, Nelson Cavaquinho, além de Vinicius de Moraes e Tom Jobim.
No mesmo ano, Nara viajou pelo nordeste, onde entrou em contato com a música dos baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia.
Também em 1964, lançou o seu segundo disco, Opinião de Nara, na mesma linha do anterior, mesclando compositores da Bossa Nova com poetas do morro e o samba de raiz.
Em seguida, a cantora anunciou que romperia com a Bossa Nova, que passava por um momento de cisão: de um lado, um grupo que mantinha-se fiel à estética suave e intimista e com temas menos compromissados, com posicionamentos políticos e sociais e, de outro (o lado de Nara), um grupo que se associava ao movimento geral da cultura brasileira, no sentido de se aproximar mais da realidade do país, com bases mais populares e temas sociais em suas letras.

Opinião e outros trabalhos de Nara Leão
O disco Opinião de Nara inspirou o espetáculo Opinião, estrelado por ela, Zé Keti e João do Vale e dirigido por Augusto Boal. O show tornou-se um grande sucesso na época, por conta de suas canções de protesto, que retratavam a problemática social do país, com músicas como Carcará (de João do Vale e José Cândido); Opinião (de Zé Keti) e Deus e o Diabo na Terra do Sol (de Sérgio Ricardo e Ruy Guerra).
Foi este espetáculo que revelou e projetou Maria Bethânia nacionalmente, porque Nara ficou afônica no meio da temporada e sugeriu que quem a substituísse fosse a baiana.
Também em 1965, Nara Leão gravou o álbum O Canto Livre de Nara e participou do espetáculo Liberdade, Liberdade, de Millôr Fernandes, que misturava protesto, humor e música.
Em 1966, no disco Nara Pede Passagem, a cantora apresentou novos compositores como Chico Buarque, Paulinho da Viola e Jards Macalé, este último já mostrando um futuro flerte que teria com o Movimento Tropicalista.
No mesmo ano, apresentou-se ao lado de Chico Buarque no II Festival de Música Brasileira da TV Record, interpretando a canção A Banda (de Chico), que venceu o festival ao lado de Disparada (de Geraldo Vandré), interpretada por Jair Rodrigues.
Por conta do sucesso estrondoso da música, Nara e Chico apresentaram, por seis meses, o programa televisivo Pra Ver a Banda Passar. Anos mais tarde, Nara gravou um disco inteiro de sucessos de Chico.
Ao longo dos próximos anos, Nara gravou mais discos – com novos e antigos compositores – fez diversas turnês nacionais e internacionais, participou de festivais e programas de TV e do filme Garota de Ipanema, de Leon Hirszman e Vinicius de Moraes, e continuou posicionando-se fortemente contra o regime militar e a situação do país.
Veja também:
Tropicália e resgate da Bossa Nova
Em 1968, gravou com vários artistas do Movimento Tropicalista – como Caetano, Gal, Gil, Tom Zé, Rogério Duprat e Torquato Neto, o álbum Tropicália ou Panis Et Circense, interpretando a canção Lindoneia (de Caetano Veloso).
O movimento de ruptura transformou para sempre a história da cultura brasileira, ao mesclar influências vanguardistas de correntes artísticas internacionais, como o rock e o concretismo, com elementos tradicionais da cultura brasileira.
Em 1969, o regime militar aumentou a perseguição às liberdades artísticas, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos e obrigados a se exilar em Londres nos próximos anos. Nessa época, Nara Leão diminuiu suas atividades musicais no Brasil e também mudou-se para Paris, onde passou os próximos anos exilada com o marido, Cacá Diegues, e teve sua primeira filha.
Em Paris, começou a gravar um álbum duplo com 24 canções do período da Bossa Nova, chamado Dez Anos Depois. Das canções do disco, a grande maioria é de Tom Jobim com outros parceiros, como: Insensatez (com Vinicius de Moraes); Samba De Uma Nota Só (com Newton Mendonça); e Corcovado. O álbum foi lançado quando Nara voltou ao Brasil, no fim de 1971.
Últimos anos de Nara Leão
Na primeira metade dos anos 70, Nara se afastou um pouco da carreira artística para dedicar-se aos filhos e também para voltar a estudar, pois tinha abandonado os estudos para seguir a carreira artística.
Em 1977, voltou com força total e seguiu pelos próximos anos: gravou mais discos com compositores diversos como Dominguinhos, Caetano, Gil, João Donato, Fagner, Edu Lobo e Tom Jobim.
Nara firmou ainda mais a parceria musical com seu amigo de infância, Roberto Menescal; cantou em seis faixas do disco Os Saltimbancos, de Chico Buarque, em1977; egravou um disco somente com canções de Erasmo Carlos e Roberto Carlos (E Que Tudo Mais Vá Pro Inferno, de 1978).
Seguiu transitando por vários estilos – inclusive retornando à Bossa Nova e gravou álbuns com clássicos como O Barquinho (de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli); Desafinado (de Tom Jobim e Newton Mendonça); e vários outros.
A cantora também comandou um programa musical na TV, fez turnês nacionais e internacionais e seguiu firmemente defendendo seus ideais políticos, mesmo depois do fim da ditadura militar.
Em uma dessas turnês, Nara foi para o Japão com Roberto Menescal e iniciou uma relação muito forte da música brasileira com o país oriental. A viagem ainda rendeu a produção do primeiro Compact Disc de um artista brasileiro, nos estúdios da Polygram, no Japão.
Em 1979, Nara passou a sofrer com alguns problemas de saúde, que se agravaram nos anos 80. Mesmo ainda gravando diversos discos, sentia muitas dores de cabeça e tinha alguns esquecimentos, o que afetava também sua performance no palco. Em 1986, depois de muito investigar, a cantora descobriu que tinha um tumor maligno do cérebro, em um local muito delicado e uma cirurgia poderia a deixar em estado vegetativo.
Nara Leão passou os últimos anos da vida tomando medicações contínuas e, quando sentia-se bem, ainda fazia apresentações musicais, acompanhada de Menescal. Ela nos deixou precocemente em junho de 1989, em decorrência de uma hemorragia causada por um tumor cerebral.
Para conhecer a obra e a trajetória completa de Nara Leão, escute o episódio do Acervo MPB especial sobre a cantora. Uma série de áudio-biografias exclusiva da Novabrasil, que conta a história de grandes nomes da MPB de um jeito que você nunca viu!
Hoje, nós preparamos uma lista com os 10 maiores sucessos na voz de Nara Leão. Aproveite!
- Diz Que Fui Por Aí (Zé Keti e Hortênsio Rocha)
- João e Maria (Chico Buarque e Sivuca)
- A Banda (Chico Buarque)
- Opinião (Zé Keti)
- O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli)
- Este Seu Olhar (Tom Jobim)
- Além do Horizonte (Roberto e Erasmo Carlos)
- O Circo (Sidney Miller)
- Insensatez (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
- História de uma Gata (versão de Chico Buarque para música de Luis Enriquez Bacalov e Sergio Bardotti)
por Lívia Nolla


