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Mais Preta: Dino D’Santiago reflete sobre música, identidade e racismo
Mais Preta: Dino D’Santiago reflete sobre música, identidade e racismo
Dino D'Santiago reflete sobre sua carreira, a fusão de línguas em sua música e a luta contra o racismo
No podcast Mais Preta, o cantor e compositor Dino D’Santiago compartilhou suas experiências musicais e pessoais, abordando temas como a importância da arte para a reflexão social, a influência de Djavan em sua carreira e o impacto das questões raciais em Portugal. A conversa, conduzida com empatia e profundidade, trouxe à tona reflexões poderosas sobre sua trajetória como artista e as questões sociais que permeiam sua música.
Dino D’Santiago iniciou a conversa refletindo sobre a importância de Djavan, que considera uma grande inspiração, não apenas pela sua musicalidade, mas pela maneira como ele conecta diferentes influências e estilos, criando algo único. Ele destacou a elegância na escolha sonora do cantor brasileiro e como a nova geração de músicos, incluindo ele próprio, bebe dessa fonte. “Ele soube ser elegante na escolha do som e canta de forma belíssima”, afirmou Dino, que ressaltou a reverência de artistas contemporâneos por Djavan, um exemplo de longevidade e excelência na música.
O músico também compartilhou detalhes sobre sua própria carreira, começando com o álbum Eva, seu primeiro trabalho como Dino D’Santiago, e passando pelos lançamentos mais recentes, como Criola e Badil. Estes álbuns surgiram em momentos de grande tensão social e revelam a luta de Dino em traduzir as questões políticas e emocionais do mundo ao seu redor em música. O disco Criola, por exemplo, foi lançado em um período de grande dor para a sociedade portuguesa, após o assassinato de Bruno Candé, um homem negro. Dino falou sobre como a música se tornou uma ferramenta de resistência, de resiliência e de reflexão diante da dor e da injustiça.
Outro ponto relevante da conversa foi a fusão linguística presente em suas músicas, onde Dino D’Santiago mistura o criolo cabo-verdiano com o português. Ele explicou que essa fusão não é apenas uma característica sonora, mas uma forma de expressar uma nova identidade, criando uma “língua nova”. Para ele, a melodia vem primeiro, mas são as palavras que dão sentido e profundidade à sua música, transformando cada canção em um grito coletivo, que deixa de ser apenas dele quando o público a canta junto.
Dino também falou sobre as questões raciais em Portugal, especialmente com o aumento da presença de imigrantes, como os brasileiros, no país. Ele destacou como a coragem desses imigrantes em denunciar o racismo e a xenofobia tem gerado uma mudança no discurso social. “A chegada dos brasileiros tem dado coragem a muita gente para denunciar as discriminações, e isso está fazendo com que Portugal comece a olhar para essas questões de forma mais séria”, afirmou. Segundo Dino, a presença do Brasil em Portugal tem sido um divisor de águas, pois ajuda a construir um futuro mais consciente sobre as questões de raça e identidade.
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O episódio do Mais Preta também abordou a resistência cultural da música preta e sua potência, destacando como, apesar de todas as adversidades históricas, a música é uma ferramenta de transformação. Dino D’Santiago finalizou a conversa afirmando que, “apesar de tudo, somos um povo maravilhoso porque conseguimos transformar a dor em algo belo e poderoso, conseguimos transformar o pó em ouro.”
Este episódio do Mais Preta é um convite à reflexão sobre a força da música e sua capacidade de conectar histórias e pessoas, além de ser um grito pela luta contra as injustiças sociais, raciais e culturais. Uma conversa que celebra a música como ferramenta de resistência e como a arte pode ser um reflexo da nossa identidade coletiva.