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Jorge Amado: a história de “É Doce Morrer No Mar” e “Doce Menina”

Novabrasil
09:30 10.08.2023
Música

Jorge Amado: a história de “É Doce Morrer No Mar” e “Doce Menina”

No dia de hoje, celebramos os 111 anos do nascimento de Jorge Amado. Para homenagear o aniversariante do dia, conheça a história de dois clássicos É Doce Morrer No Mar e Alegre Menina. Esta matéria é mais uma que homenageia grandes compositores da nossa MPB – que são tão importantes e têm uma contribuição tão significativa … Continued

Novabrasil - 10.08.2023 - 09:30
Jorge Amado: a história de “É Doce Morrer No Mar” e “Doce Menina”
Além de escritor, Jorge Amado também era compositor | Foto: Divulgação

No dia de hoje, celebramos os 111 anos do nascimento de Jorge AmadoPara homenagear o aniversariante do dia, conheça a história de dois clássicos É Doce Morrer No Mar e Alegre Menina.

Esta matéria é mais uma que homenageia grandes compositores da nossa MPB – que são tão importantes e têm uma contribuição tão significativa quanto cantores, intérpretes e músicos – nós damos continuidade à série Saudando Grandes Compositores da MPB, em que contamos a história de grandes clássicos das carreiras desses artistas.

Além de escritor, Jorge Amado também era compositor | Foto: Divulgação

Jorge Amado

O baiano de Itabuna é um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Sua obra literária conta com clássicos como:

  • Capitães de Areia;
  • Tieta do Agreste;
  • Dona Flor e Seus Dois Maridos;
  • Gabriela Cravo e Canela;
  • O País do Carnaval;
  • Tenda dos Milagres;
  • Tocaia Grande;
  • e Tereza Batista Cansada de Guerra.

Sua obra é uma das mais significativas da moderna ficção brasileira, sendo voltada essencialmente às raízes nacionais e, principalmente, da Bahia.

São temas constantes os problemas e injustiças sociais, a política, os aspectos regionalistas, as crenças, os costumes​​, as tradições e os tipos populares do povo brasileiro. Jorge Amado ensinou os brasileiros e ao mundo a conhecerem o Brasil.

Ele foi membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando – de 1961 a 2001, quando faleceu aos 88 anos de idade – a cadeira de número 23, que tem por patrono José de Alencar e por primeiro ocupante Machado de Assis. Foi substituído por sua esposa, a também escritora, Zélia Gattai, no ano seguinte ao seu falecimento.

Seus livros foram traduzidos para 49 idiomas (também em braile e em formato de audiolivro), e receberam inúmeras adaptações para o cinema, teatro e televisão. O baiano recebeu diversos prêmios e nomeações – nacionais e internacionais – por sua obra e relevância para a cultura brasileira.

Compositor

Mas, vocês sabiam que – além de tudo isso – Jorge Amado também era compositor? Sim, ele é autor de algumas importantíssimas canções da música popular brasileira, tendo como seu principal parceiro outro grande baiano da nossa história, seu amigo Dorival Caymmi.

Além disso, sua obra inspirou outros grandes compositores da nossa música a comporem outros grandes clássicos da MPB, como por exemplo:

  • Tom Jobim (que compôs Tema de Amor de Gabriela e Gabriela, inspiradas no romance de Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela, publicado em 1958);
  • Caetano Veloso (que compôs A Luz de Tieta, inspirado em Tieta do Agreste, romance de 1977) e Milagres do Povo (inspirado em Tenda dos Milagres, de 1969, livro preferido do autor);
  • Aldir Blanc e Moacyr Luz (Coração do Agreste , também inspirado em Tieta do Agreste); e o próprio Dorival Caymmi, com a famosa  Modinha Para Gabriela, sucesso na voz de Gal Costa. 

Saudando Grandes Compositores da MPB

Entre os sucessos compostos por Jorge Amado, escolhemos contar a história de dois grandes clássicos: É Doce Morrer No Mar e Alegre Menina.

A história da música “É Doce Morrer No Mar” (1941), de Dorival Caymmi e Jorge Amado

Segundo Dorival Caymmi, É Doce Morrer no Mar nasceu durante uma reunião de amigos, na casa do coronel João Amado de Faria, pai de Jorge Amado.

No calor da festa, Caymmi criou a canção inspirado em Mar Morto, romance de Jorge Amado publicado em 1936, cujo tema central retrata a vida dos marinheiros no cais de Salvador, com sua rica mitologia que gira em torno de Iemanjá. 

Com grande lirismo, Jorge Amado narra esse cotidiano de trabalho árduo, marcado pelo risco de vida que se apresenta a todo momento. Homens e mulheres do cais da Bahia vivem cada dia como se fosse o último. Paixão e trabalho, instinto e sobrevivência se conjugam de maneira trágica, formando um painel lírico e trágico sobre a luta diária desses trabalhadores pela sobrevivência.

O mote “Como é doce morrer no mar”, se repete ao longo do romance, e se transformou no tema da canção. No calor da festa, o cantor e compositor baiano criou os versos:

“É doce morrer no mar / nas ondas verdes do mar”.

Imediatamente, Jorge Amado compôs mais alguns versos, completando a canção:

“Nas ondas verdes do mar, meu bem / ele foi se afogar / fez sua cama de noivo / no colo de Iemanjá…”.

Caymmi conta que chegou a haver um concurso entre versos escritos por outros convidados presentes na reunião, mas acabaram prevalecendo os versos de Jorge Amado

É Doce Morrer no Mar foi lançada por Dorival Caymmi, em 1941. Depois, foi regravada por  outros grandes nomes como:

  • Clara Nunes;
  • Inezita Barroso;
  • Ney Matogrosso;
  • Lenine;
  • e Nana Caymmi.

Em 2001, a novela global Porto do Milagres, inspirada em Mar Morto, contou com a canção – interpretada por Dori Caymmi, filho de Dorival – em sua trilha.

A história da música “Alegre Menina” (1975), de Dori Caymmi e Jorge Amado

Falando em Dori Caymmi, Jorge Amado também é parceiro de composição do filho de seu amigo Dorival. Foi Dori quem musicou os versos de Alegre Menina, com letra correspondente à epígrafe do quarto capítulo de Gabriela, Cravo e Canela, romance de Jorge Amado, publicado em 1958.

O que fizeste sultão de minha alegre menina

Só desejava campina, colher as flores do mato

Só desejava um espelho de vidro prá se mirar

Só desejava do sol calor para bem viver

Só desejava o luar de prata prá repousar

Só desejava o amor dos homens prá bem amar”

A música foi lançada na trilha sonora da novela Gabriela, da Rede Globo, em 1975, interpretada por Djavan, que estava no início de carreira, o que ajudou muito a projetar a voz do alagoano ao Brasil inteiro. 

A trama é uma adaptação do romance Gabriela, Cravo e Canela, adaptada por Walter George Durst, com direção de Walter Avancini e Gonzaga Blota, e que contou com as atuações de Sônia Braga, Armando Bógus, Paulo Gracindo e José Wilker nos papéis principais.

O enredo de “Gabriela, Cravo e Canela”

Gabriela, Cravo e Canela narra o caso de amor entre o árabe Nacib e a sertaneja Gabriela, e compõe uma crônica do período áureo do cacau na região de Ilhéus. Além do quadro de costumes, o livro descreve alterações profundas na vida social da Bahia dos anos 1920:

  • a abertura do porto aos grandes navios leva à ascensão do exportador carioca Mundinho Falcão;
  • e ao declínio dos coronéis, como Ramiro Bastos.

É Gabriela quem personifica as transformações de uma sociedade patriarcal, arcaica e autoritária, convulsionada pelos sopros de renovação cultural, política e econômica.

Alegre Menina era a canção tema do romance entre Nacib e Gabriela. Dori Caymmi gravou a canção em 1980, e depois ela foi regravada por nomes como Frejat, Mart’nália e  Margareth Menezes.

​​Gostou de saber mais sobre as histórias de grandes canções da nossa música popular brasileira? Continue acompanhando a nossa série Saudando Grandes Compositores da MPB. Hoje, homenageamos o aniversariante Jorge Amado.

Por: Lívia Nolla

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