A história da música ‘Malandro’ de Jorge Aragão e Jotabê

Novabrasil
09:30 27.08.2022
Música

A história da música ‘Malandro’ de Jorge Aragão e Jotabê

A música ‘Malandro’ foi inspirada em uma conversa real Nascido no bairro de Padre Miguel, zona oeste do Rio de Janeiro, o cantor, compositor e instrumentista Jorge Aragão começou a tocar violão e arriscar suas primeiras composições aos 14 anos, quando escutava Jovem Guarda no rádio de casa e aprendeu a tocar algumas canções da … Continued

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- 27.08.2022 - 09:30
A história da música ‘Malandro’ de Jorge Aragão e Jotabê
A música 'Malandro' de Jorge Aragão e Jotabê foi inspirada em uma conversa real | Foto: Instagram.

A música ‘Malandro’ foi inspirada em uma conversa real

Nascido no bairro de Padre Miguel, zona oeste do Rio de Janeiro, o cantor, compositor e instrumentista Jorge Aragão começou a tocar violão e arriscar suas primeiras composições aos 14 anos, quando escutava Jovem Guarda no rádio de casa e aprendeu a tocar algumas canções da época em um violão emprestado. 

Ele conta que por já saber fazer alguns solos de guitarra foi chamado para ser guitarrista solo de um conjunto que ensaiava em Honório Gurgel. Até que Jorge foi para a aeronáutica, servir na base aérea no bairro de Santa Cruz. Lá, conheceu Jotabê, que tornou-se seu grande parceiro.

Ali, ele conta que os dois compuseram juntos várias canções que não eram sambas, até que um dia – entre essas composições – surgiu o clássico Malandro, um dos primeiros sambas de Jorge.

A música ‘Malandro’ de Jorge Aragão e Jotabê foi inspirada em uma conversa real | Foto: @jorgearagaodacruz /Instagram.

Um “malandro carioca”

A música conta a história de uma conversa real. Foi escrita para um amigo de Jorge e de Jotabê, lá de Santa Cruz, chamado Inácio. Jorge conta que ele era um verdadeiro “malandro carioca”. Uma pessoa muito carismática, porém com todas as características de um bom malandro.

“Malandro!

Eu ando querendo

Falar com você

Você tá sabendo

Que o Zeca morreu

Por causa de brigas

Que teve com a lei…”

Inácio também era músico, mas não seguiu na carreira. Acabou mudando-se, pouco tempo depois, para São Paulo, para trabalhar com outras coisas. E a história de Zeca, que morreu, é verdadeira. Zeca era outro conhecido deles que tinha morrido em uma briga entre essa galera da malandragem, e Jorge pedia que Inácio tomasse cuidado para não ter o mesmo destino.

“Malandro!

Só peço favor

De que tenhas cuidado

Veja também:

As coisas não andam

Tão bem pro teu lado

Assim você mata

A Rosinha de dor…”

Isso era meados dos anos 60. Os anos foram passando, Jorge Aragão seguiu sua vida, passou a se apresentar com seu violão na noite carioca, mas ainda estava muito longe de ganhar dinheiro com música. Foi quando um dia, 10 anos depois, estava com seu violão na calçada de casa e seu vizinho, o Alcir Portela, que era capitão do time do Vasco na época, pediu pra que ele mostrasse algumas músicas suas ao violão.

Jorge mostrou várias canções, entre elas, Malandro. Alcir gostou muito do que ouviu e apresentou Jorge a Neocy – que depois foi integrante do Fundo de Quintal junto com Aragão.

A primeira gravação foi da grande Elza Soares

O sambista o levou até a Tapecar, uma gravadora importante na época, apresentou Jorge Aragão como seu “canarinho” e falou que ele tinha ótimas composições. Os executivos gostaram muito de Malandro e mandaram o samba imediatamente para Elza Soares, que estava no auge na época e quis incluir a canção em seu disco Lição de Vida, de 1976. Malandro é a faixa que abre o álbum de Elza.

A belíssima gravação de Elza Soares projetou o nome de Jorge Aragão para o Brasil inteiro. Em seguida, o sambista passou a integrar o Fundo de Quintal, e logo depois – em 1981 – seguiu para a carreira solo, lançando o seu primeiro disco, Jorge Aragão, que traz várias outras parcerias com Jotabê.

Jorge Aragão tornou-se um dos maiores artistas do nosso país e Malandro tornou-se um grande clássico, que depois foi regravado por nomes como Alcione, Jair Rodrigues, Emílio Santiago, Baby do Brasil, Simoninha, Diogo Nogueira, e pelo próprio Jorge.

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