#2 ForasDeSérie | O RAPPA: Quando O Rappa protestou condições melhores no Rock in Rio

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12:00 29.01.2023
Música

#2 ForasDeSérie | O RAPPA: Quando O Rappa protestou condições melhores no Rock in Rio

O Rock in Rio 2001 foi a terceira edição do festival carioca e aconteceu entre os dias 12 e 21 de janeiro. Apesar do destaque entre os festivais musicais, o Rock in Rio daquele ano precisou lidar com um problema inesperado: um boicote promovido pelo grupo O Rappa, que mobilizou mais 5 bandas nacionais. Na … Continued

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- 29.01.2023 - 12:00
#2 ForasDeSérie | O RAPPA: Quando O Rappa protestou condições melhores no Rock in Rio
Foras de Série: O Rappa. | Foto: Produção interna.

O Rock in Rio 2001 foi a terceira edição do festival carioca e aconteceu entre os dias 12 e 21 de janeiro. Apesar do destaque entre os festivais musicais, o Rock in Rio daquele ano precisou lidar com um problema inesperado: um boicote promovido pelo grupo O Rappa, que mobilizou mais 5 bandas nacionais.

Na época, as bandas se recusaram a se apresentar no festival devido a uma série de reivindicações. O evento precisou encontrar substitutos de última hora para lidar com o imprevisto. A seguir, entenda o que rolou no boicote ao Rock in Rio 2001.

O Rappa Rock in Rio entenda o boicote ao festival carioca
O Rappa Rock in Rio entenda o boicote ao festival carioca. | Foto: Reprodução/Instagram.

Por que as bandas brasileiras boicotaram o Rock in Rio?

O boicote envolveu os grupos O Rappa, Raimundos, Cidade Negra, Skank, Jota Quest e Charlie Brown Jr. Entre as reivindicações dos grupos estava a queixa das condições oferecidas pelo evento, envolvendo questões como cachê e estrutura para a realização dos shows.

Segundo informações apuradas pelo G1, cada banda estava recebendo um cachê de R$ 20 mil pelo show, enquanto a dupla Sandy e Junior recebeu R$ 100 mil. A diferença de cachês teria sido um dos motivadores das mobilizações dos grupos.

Já de acordo com informações da Folha de S. Paulo, a principal questão teria sido a falta de estrutura oferecida pelo evento. Nesse caso, o grupo O Rappa teria iniciado o boicote contra o Rock in Rio em outubro do ano anterior, ou seja, em 2000. O motivo teria sido porque o evento adiantou o horário do show do grupo e eles abririam para bandas internacionais. Além disso, não teriam direito a passar o som. 

Ao serem informados sobre as mudanças em sua apresentação no Rock in Rio, eles questionaram a organização do evento, que convidou o grupo a não se apresentar. Insatisfeitos, O Rappa decidiu não se apresentar mais e, uma semana depois, as outras cinco bandas decidiram se juntar ao boicote em solidariedade. No entanto, O Rappa nega que tenha mobilizado os grupos a se juntarem ao boicote. 

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o produtor da banda Jota Quest, Marco Soares, comentou sobre o ocorrido:

A organização do festival não estava conduzindo a produção como deveria. Não tinha definição de horários, ordem de apresentação das bandas e de utilização de equipamentos. O tratamento desigual vai desde o horário da passagem de som até o horário de apresentação.

Ele ainda negou a possibilidade da mobilização ter sido motivada pela questão financeira: 

As bandas acharam o festival interessante porque era uma promoção. O cachê é o de menos. Banda nacional nunca ganhou dinheiro em festivais.

Line-up Rock in Rio 2001

Com a saída das 6 bandas, a programação do Rock in Rio 2001 ficou cheia de buracos e a organização do evento precisou providenciar substituições em cima da hora.

Não se sabe exatamente quais foram as atrações que entraram no lugar das seis bandas que participaram do boicote, mas sabe-se que as bandas Sepultura e Capital Inicial foram chamadas de última hora. Outros nomes que provavelmente foram chamados de última hora são Carlinhos Brown e a banda cearense O Surto.

Veja como ficou o line-up do Palco Mundo no Rock in Rio 2001:

Sexta-feira (12 de janeiro) 

  • Sting;
  • Daniela Mercury;
  • James Taylor;
  • Gilberto Gil;
  • Milton Nascimento e Orquestra Sinfônica Brasileira.

Sábado (13 de janeiro)

  • R.E.M; 
  • Foo Fighters;
  • Beck;
  • Barão Vermelho;
  • Fernanda Abreu;
  • Cássia Eller.

Domingo (14 de janeiro) 

  • Guns N’Roses;
  • Oasis;
  • Papa Roach;
  • Ira! e Ultraje e a Rigor;
  • Carlinhos Brown;
  • Pato Fu.

Quinta-feira (18 de janeiro) 

  • ‘NSync;
  • Britney Spears;
  • Aaron Carter;
  • Sandy e Junior;
  • Five;
  • Moraes Moreira.

Sexta-feira (19 de janeiro)

  • Iron Maiden;
  • Rob Halford;
  • Sepultura;
  • Queens of the Stone Age;
  • Pavilhão 9;
  • Sheik Tosado.

Sábado (20 de janeiro) 

  • Neil Young;
  • Sheryl Crow;
  • Dave Matthews Band;
  • Kid Abelha;
  • Elba Ramalho e Zé Ramalho;
  • Engenheiro do Hawaii.

Domingo (21 janeiro) 

Veja também:

  • Red Hot Chili Peppers;
  • Silverchair;
  • Capital Inicial;
  • Deftones;
  • O Surto;
  • Diesel.

O que as bandas pensam do boicote atualmente?

Após o ocorrido, todas as bandas que participaram do boicote tocaram em outras edições do evento, com exceção de O Rappa.

A banda Skank, por exemplo, se apresentou no Rock in Rio Lisboa, Portugal, no ano de 2008 e, em 2011, se apresentou no festival do Brasil. Em entrevista ao G1, o vocalista e guitarrista do Skank, Samuel Rosa, comentou sobre o ocorrido: 

Fomos muito precipitados naquela ocasião, de não estabelecer um diálogo maior com a organização do festival. O Rock in Rio tinha por tradição alguns episódios assustadores, como a rejeição que o Erasmo teve (em 1995), depois a do Lobão em 90… Então tínhamos motivos para estar com o pé atrás.

A banda O Rappa, que acabou em 2018, continuou tecendo críticas à organização do Rock in Rio. O grupo participou do Lollapalooza em 2013 e, na época, em entrevista à Veja, Marcelo Falcão comentou: 

Não fomos mais convidados. Hoje estamos em um festival que realmente respeita o músico. Estamos no Lollapalooza.

Já o guitarrista Xandão afirmou que não recusaria um convite para participar do Rock in Rio, visto que faz parte do trabalho como banda. Marcelo Falcão, no entanto, continuou criticando:

Tínhamos um contrato assinado. E nossas únicas exigências eram: tocar à noite e passar o som. Chegando próximo do festival, eles nos comunicaram que a gente tocaria à tarde e não poderia passar o som. A gente agradeceu, mas disse que dessa forma não queria mais participar. Acabou. A partir daí, o que aconteceu não tem absolutamente nada a ver com a gente.

Roberta Medina, filha do organizador do evento Roberto Medina, trabalhou na organização do Rock in Rio pela primeira vez em 2001. Na época, ela tinha 22 anos e comenta que a experiência foi um aprendizado: 

Aquela situação (boicote) foi uma grande lição de vida. Eu era muito nova e não entendia nada do mundo artístico, né? Mas fui eu quem acabei caindo nas reuniões e dando entrevista a respeito daquilo.

Ela acredita que a mobilização foi motivada por uma “bobagem”. 

Foi por muito pouco. Depois de seis meses, eles ficam nervosos? Aí a gente falou: ‘se vocês não querem, não é a gente que vai ceder’

comenta Roberta

A discussão gerada pelo boicote de 2001 ajudou na criação do palco Sunset.

 Pensamos em fazer um palco que começa de dia, depois podem assistir um pôr do sol… Acabou essa conversa de não poder ter show de dia”, afirmou Medina. “Eu sei que o show à noite tem o recurso da iluminação, que dá um diferencial importante, tudo bem. Mas também pode ser o melhor show do mundo sem isso.

completou

Hoje, o grupo O Rappa não está mais junto e não participou de mais nenhum Rock in Rio. Enquanto isso, as outras cinco bandas envolvidas voltaram a se apresentar em outras edições.

Amanhã, na terceira matéria do Foras de Série especial O Rappa, você vai saber mais sobre a carreira solo de Marcelo Falcão após 25 anos de banda.

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