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História da música ‘Um Dia, Um Adeus’, de Guilherme Arantes
História da música ‘Um Dia, Um Adeus’, de Guilherme Arantes
Pra celebrar o aniversário de um dos maiores hitmakers do país, a história de um dos maiores clássicos do artista; confira

Um dos maiores hitmakers da história do Brasil, o cantor, compositor e instrumentista paulistano Guilherme Arantes completa mais um ano de vida neste 28 de julho e, para homenageá-lo nesta data especial, nós trouxemos a história por trás de um dos seus maiores sucessos: a canção Um Dia Um Adeus.
Sobre Guilherme Arantes
Com mais de 50 anos de carreira e em plena atividade até os dias atuais, Guilherme Arantes é autor de uma série de grandes clássicos da MPB, que fizeram sucesso na sua própria voz e na voz de outros importantes nomes como Caetano Veloso, Elis Regina, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Roberto Carlos e Belchior, influenciando toda uma geração da música popular brasileira que veio depois.
Nos anos 80, com seu dom para criar melodias cativantes e letras extremamente fortes e sensíveis, Guilherme Arantes chegou a colocar 12 músicas em primeiro lugar nas paradas de sucesso do país. Foi chamado pela Revista Rolling Stone Brasil de mestre do pop brasileiro.
A mesma revista colocou Guilherme na lista dos 100 maiores artistas brasileiros de todos os tempos, em 2008. Além disso, ele é um dos 20 artistas que mais tiveram canções incluídas nas trilhas sonoras de novelas brasileiras, com 27 músicas suas embalando as tramas das telinhas.

Crítico contundente e inteligentíssimo no que diz respeito a cultura de massas e ao mercado fonográfico, sempre defendeu os seus ideais dentro da música popular brasileira. Guilherme Arantes acredita que o verdadeiro artista existe para desafiar, oferecendo para um mundo preguiçoso a incerteza do novo, mesmo que para poucos.
Um dos maiores pianistas do país, também é um dos poucos brasileiros a integrar o hall da fama da tradicional fabricante americana de pianos Steinway & Songs e contribuiu decisivamente para o surgimento do estilo New Wave no Brasil, compondo – em 1981 – a canção Perdidos Na Selva, considerada a primeira música do gênero no país, junto com Júlio Barroso e Márcio Vaccari.
New Wave é uma vertente do rock, surgida no fim da década de 1970, com traços de pop e da música eletrônica e disco. Dançante e alegre, foi o gênero musical mais popular e influente do mundo na década de 1980, até o início da década de 1990.
Por tudo isso e por muito mais, no ano passado – quando Guilherme Arantes completou 70 anos de vida e 50 de carreira, nós publicamos esta matéria super especial, que conta também com uma playlist com os maiores sucessos do artista, em ordem cronológica de lançamento, para que você faça um passeio pela obra do aniversariante do dia!
E, para saber ainda mais a fundo sobre a vida e a obra de Guilherme Arantes, escute também o nosso podcast original Novabrasil Acervo MPB, uma série de audiobiografias de grandes artistas da música popular brasileira, entre eles, o aniversariante do dia.
No dia de hoje, para homenagear ainda mais esse grande nome da nossa música, nós trouxemos a história por trás de um dos maiores sucessos de Guilherme Arantes: a canção Um Dia Um Adeus.
História da canção Um Dia, Um Adeus
O ano era 1984 e Guilherme Arantes, já com uma carreira muito consolida-te e sempre no topo das paradas, estava com uma de suas músicas na trilha da novela das oito da Rede Globo: Partido Alto.
Por conta disso, o cantor foi convidado a fazer um clipe para o Fantástico desta música, chamada Fio da Navalha. Quando chegou para a gravação, porém, Guilherme ficou sabendo que teria que dar um beijo na mocinha do clipe, a modelo e atriz Silvia Pfeifer.
Temendo a reação da sua esposa na época, Luiza, mãe de três dos seus filhos, Guilherme Arantes ligou para a companheira para avisá-la que teria que dar aquele selinho, pedindo sua permissão e dizendo que era algo profissional, que – inclusive – a Silvia estava acompanhada do marido dela também e que – se Luiza quisesse – podia ir até o set de filmagem acompanhar as gravações.

Acontece que Luiza não esperava que o marido precisasse beijar alguém em um clipe, afinal, ele era cantor e não ator, mas isso também era bastante comum na época: que cantores contracenarem com atrizes em seus clipes.
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Por fim, resposta de Luiza, no entanto, não foi das mais animadoras: “Se você beijá-la, não precisa voltar para casa”.
Mesmo com a negativa da esposa, Guilherme Arantes gravou o clipe, e – para tentar amenizar sua situação – compôs uma música em que pedia desculpas e declarava o amor pela companheira:
Só você pra dar a minha vida direção
O tom, a cor, me fez voltar a ver
A luz, estrela do deserto a me guiar
Farol no mar, da incerteza
Um dia um adeus, eu indo embora, quanta loucura
Por tão pouca aventura
Agora entendo, que andei perdido
O que que eu faço, pra você me perdoar
Que bom seria se eu pudesse te abraçar
Beijar, sentir como a primeira vez
Te dar o carinho que você merece ter
Eu sei te amar, como ninguém mais
Ninguém mais, como ninguém jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Te amou, ninguém mais
Como ninguém jamais te amou, ninguém jamais
Te amou
Como eu
Essa música – Um Dia, Um Adeus – tornou-se um dos maiores sucessos da carreira de Guilherme Arantes, e a esposa acabou entendendo que aquela cena fazia parte do trabalho de Guilherme e os dois fizeram as pazes.
Um Dia, Um Adeus entrou para o álbum Guilherme Arantes, de 1987, e também para a trilha da novela Mandala, da Rede Globo, no mesmo ano, tendo sido regravada ao longo dos anos, por diversos outros grandes nomes da MPB, como Leila Pinheiro, Isabella Taviani e Vanessa da Mata.
Por isso, Gostou de saber mais sobre as histórias de grandes canções da nossa música popular brasileira? Continue acompanhando a nossa série Saudando Grandes Compositores da MPB. Hoje, homenageamos o aniversariante Guilherme Arantes!
por Lívia Nolla


