Especial: 30 anos sem um dos nossos maiores artistas; Mussum

Lívia Nolla
10:00 29.07.2024
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Música

Especial: 30 anos sem um dos nossos maiores artistas; Mussum

Há exatos 30 anos, o Brasil ficava um pouco mais triste. Perdíamos um dos maiores artistas da nossa história: Antônio Carlos Bernardes Gomes, o nosso eterno Mussum; saiba mais

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- 29.07.2024 - 10:00
Especial: 30 anos sem um dos nossos maiores artistas; Mussum
O comediante e músico Mussum | Foto: Reprodução

Há exatos 30 anos, o Brasil ficava um pouco mais triste. Perdíamos um dos maiores artistas da nossa história: Antônio Carlos Bernardes Gomes, o nosso eterno Mussum.

Ele faleceu no dia 29 de julho de 1994 – aos 53 anos – em decorrência de complicações ocorridas após um transplante de coração, mas não sem antes transformar para sempre a história da comédia e da música brasileira, deixando um grande legado para a cultura do nosso país.

Nascido no Morro da Cachoeirinha, no Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio de Janeiro, em 7 de abril de 1941, o humorista, ator, músico e compositor consagrou-se em diferentes áreas do entretenimento, iniciando a carreira na música como integrante do famoso grupo Os Originais do Samba.

Mussum com Os Originais do Samba | Imagem: Arquivo Nacional

Os Originais do Samba

No início da década de 1960, até então conhecido como Carlinhos, ele abandonou a posição de cabo da Força Aérea Brasileira para ir viver da música, sua grande paixão, fundando o grupo musical Os Originais do Samba, onde destacou-se como percussionista e tocador de reco-reco, ganhando os apelidos de Carlinhos da Mangueira e Carlinhos do Reco-Reco, e tornando-se conhecido mundialmente. 

Mussum integrou o grupo por 14 anos, até 1979, e – com os Originais – gravou 13 álbuns e lançou vários sucessos, como: Falador Passa Mal (composição de Jorge Ben Jor); Tragédia no Fundo do Mar (O Assassinato do Camarão) (composta por Zezé e Ibrain); Do Lado Direito da Rua Direita (Luís Carlos e Chiquinho); A Dona do Primeiro Andar (Luis Carlos e Lucar); e Aniversário do Tarzan (Bonsucesso, J. Carioca, Murilo Penha e “Bidi”).

A formação original da banda contava com, além de Mussum no reco-reco e na voz, Bide (cuíca e voz), Chiquinho (ganzá e voz), Lelei (tamborim e voz), Rubão (surdo e voz), Bigode (pandeiro e voz) e Branca de Neve (violão e voz).

Durante sua passagem pela banda, Mussum colaborou com a inovação do samba, ao introduzir – junto com o seu companheiro de grupo Almir Guineto, que fez uma breve passagem pelo Os Originais do Samba em 1979 – o banjo adaptado com um braço de cavaquinho.

O instrumento híbrido, foi chamado de “banjo-cavaquinho” e adotado por vários grupos de samba até os dias de hoje. 

Mussum também foi um dos primeiros músicos a utilizar reco-reco de metal, que até então era um instrumento feito com bambu; por ter formação como mecânico, Mussum teria criado um reco-reco com peças de carro e chapas de metal.

Os Trapalhões

O carisma e bom humor de Mussum logo o levaram para a televisão: em 1965, ele fez uma participação no programa humorístico Bairro Feliz, exibido pela TV Globo, atuando ao lado do comediante Grande Otelo

Foi nos bastidores deste programa que Otelo deu ao então Carlinhos o apelido de Mussum, uma referência ao peixe homônimo, de coloração preta e origem sul-americana. 

O sucesso de Mussum no humorístico foi tanto que Chico Anysio o convidou para ser um dos alunos da Escolinha em seu programa Chico Anysio Show, exibido pela TV Tupi. 

Depois disso, por meio do amigo Jair Rodrigues, Mussum foi apresentado a Dedé Santana, que na época formava a dupla cômica Didi e Dedé, ao lado de Renato Aragão. Dedé convidou Mussum para se juntar a eles, atuando nos humorísticos Os Insociáveis e A Praça da Alegria, ambos exibidos pela TV Record

Veja também:

Dedé Santana, Renato Aragão, Zacarias e Mussum, no programa Os Trapalhões, da Rede Globo, em 1981 | Imagem: Ricardo Chaves

Em 1975, Mussum voltou para a Tupi ao lado de Renato, Dedé e Mauro Gonçalves (o Zacarias), dando início ao programa humorístico Os Trapalhões, que se tornou um dos maiores sucessos da emissora, batendo a audiência do Fantástico

Em 1976, já como integrante de Os Trapalhões, Mussum fez sua estreia nos cinemas, no filme O Trapalhão no Planalto dos Macacos. Daí em diante, foram mais 26 filmes com o grupo, até Os Trapalhões e a Árvore da Juventude, em 1991.

O sucesso do programa levou Os Trapalhões para a TV Globo, em 1977. No programa, Mussum popularizou o seu modo particular de falar, acrescentando as terminações “is” ou “évis”, ideia dada por Chico Anysio, lá nos tempos de Escolinha.

Junto com Grande Otelo, Mussum destacou-se como um dos únicos comediantes negros da televisão brasileira na década de 1980, sendo uma importante referência para atores que vieram depois, inclusive no combate ao racismo dentro do humor.

Mussum eterno

Mesmo já tendo deixado Os Originais do Samba nessa época, Mussum nunca se afastou da indústria musical. Em 1978, lançou seu primeiro disco solo, intitulado Água Benta. Em 1980 e 1983 lançou dois LPs, ambos intitulados Mussum. Em 1987, lançou mais um LP intitulado Mussum.

O comediante e músico também era integrante da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, onde costumava desfilar todos anos, tendo sido também diretor da ala das baianas. 

A imagem de Mussum permanece viva ao longo das gerações.

Em 2018, a diretora Susanna Lira produziu o documentário Mussum, um Filme do Cacildis, com narração de Lázaro Ramos.

Em 2023, sua vida virou filme: Mussum, o Filmis, dirigido por Silvio Guidane, e tendo Aílton Graça, Yuri Marçal e Thawan Lucas como intérpretes do artista. O filme é baseado na biografia  Mussum – uma história de Humor e Samba, de Juliano Barreto, publicada em 2014.

por Lívia Nolla

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Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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