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História da música “Swing de Campo Grande”, dos Novos Baianos
História da música “Swing de Campo Grande”, dos Novos Baianos
Um dos maiores sucessos dos Novos Baianos foi composta em tempos duros de Ditadura Militar, depois do conselho de um rezador


Você sabia que um dos maiores sucessos dos Novos Baianos, a canção “Swing de Campo Grande” foi composta por conta do conselho de um rezador? Essa história é muito boa, então vem entender ela com a gente!
“Swing de Campo Grande” é a quarta faixa do segundo álbum dos Novos Baianos – o antológico “Acabou Chorare”, de1972. A música foi composta por Moraes Moreira e a letra pelo poeta Luiz Galvão em parceria com Paulinho Boca de Cantor, que também interpreta a canção no disco.
A letra faz referência ao carnaval – “Minha carne é de carnaval, o meu coração é igual” – e também possui forte carga mística.
Composta em plena Ditadura Militar no Brasil, segundo Boca de Cantor, letrista da canção, por conta da forma com que levavam a vida, existia uma crença entre os militares de que os integrantes dos Novos Baianos fossem “terroristas fantasiados de hippies”.
Por isso, eles começaram o que o artista chamou de uma “caçada” – uma perseguição mesmo – aos integrantes do grupo. Estavam o tempo todo atrás dos músicos, querendo enquadrá-los de alguma forma.
Até que, nesta época, Paulinho Boca de Cantor conheceu um rezador que o aconselhou que tivesse tranquilidade nas horas difíceis e lhe disse: “Vocês [Os Novos Baianos] são gente legal. O mal não colocará seus olhos em vós.”.
O rezador, então, ensinou ao músico uma simpatia que foi parar na letra de “Swing de Campo Grande”: “Quando receberem mau-olhado, virem ‘toco’, virem ‘moita’.”.
A expressão “virar toco” é usada popularmente – e em práticas de espiritualidade e simpatias – com o sentido de ficar invisível aos olhos dos inimigos ou de pessoas invejosas.
Já “virar moita” significa ficar escondido, passar despercebido, calado ou agir na surdina. A expressão popular é usada quando alguém evita chamar a atenção, observa algo à espreita ou foge de uma situação embaraçosa.
Paulinho entendeu então que – se eles ficassem na deles, disfarçassem, agissem na surdina, os seus perseguidores não os veriam. Então, eles faziam o contrário de “marcar touca”, que significa “dar bobeira”, “dar chance pro inimigo”.
O macete, segundo o compositor, funcionava tão bem que eles ficaram cinco anos sem pagar o IPVA do automóvel: “Passávamos pelos postos da Polícia Rodoviária e olhávamos para nossas próprias línguas. Ele nos ensinara que se olhássemos para nós mesmos ninguém nos veria.”.
Aí, o aprendizado virou música: “Eu não marco touca, eu viro toco, eu viro moita”.
Mais sobre Paulinho Boca de Cantor
Nesta semana, o cantor e compositor Paulinho Boca de Cantor completa 80 anos.
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Nascido em Santa Inês, na Bahia, em 28 de junho de 1946, ele começou sua trajetória artística em 1962, como crooner e – em seguida – integrou a Orquestra Avanço, que atuava em Salvador e no interior da Bahia.
Ao lado de Pepeu Gomes, Baby do Brasil (que ainda era Baby Consuelo), Luiz Galvão, Moraes Moreira, Jorginho Gomes, Bola Morais, Baixinho e Dadi, Paulinho é um dos membros fundadores dos Novos Baianos, que durou de 1969 a 1979 e depois teve alguns reencontros históricos ao longo dos anos.
Em 1968, o conjunto idealizou o show “Desembarque dos bichos depois do dilúvio”, encenado no teatro Vila Velha, Salvador, e – no ano seguinte – participaram do Festival de Música da TV Record, interpretando a canção “De Vera” (de Moraes e Galvão), classificada em terceiro lugar.

O primeiro álbum – “É Ferro na Boneca” – foi lançado em 1970 e em seguida, em 1972, veio o “Acabou Chorare”, considerado um dos maiores discos da história da música popular brasileira.
Junto com o grupo, Paulinho Boca de Cantor lançou dez álbuns de estúdio. Em 1979, com o fim dos Novos Baianos, começou sua carreira solo, lançando o álbum “Paulinho Boca de Cantor – Bom de Chinfra e Bom de Amor”, com destaque para a parceria com Gilberto Gil e Luiz Galvão na faixa “Que bom prato é vatapá”.
Em 1981, Boca de Cantor consolidou sua carreira solo ao lançar “Valeu”, um dos álbuns de produção independente mais vendidos no Brasil.
Em 1983, apresentou-se em Roma, ao lado de artistas como Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Moraes Moreira, entre outros, com o espetáculo “Bahia de todos os sambas”, que deu origem a um filme de média metragem.
Em 1992, fundou a ABAI – Associação Baiana de Artistas Independentes – e, em 1997, se reuniu novamente com os Novos Baianos, lançando o disco “Infinito Circular”.
Em 2000, tornou-se pesquisador da história da música brasileira e idealizou, com o parceiro Edil Pacheco, o projeto “Bahia de todas as músicas: do Lundu ao Axé”, que resgata a produção musical baiana do século.
Seu álbum mais recente é “Além da Boca”, de 2021.


