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Conheça Altamiro Carrilho, o flautista com maior número de gravações registradas na história do disco no Brasil
Conheça Altamiro Carrilho, o flautista com maior número de gravações registradas na história do disco no Brasil
O flautista e compositor Altamiro Carrilho foi responsável por importantes contribuições ao samba, choro e à música instrumental brasileira

O compositor e instrumentista Altamiro Carrilho foi responsável por importantes contribuições ao samba, choro e à música instrumental brasileira e é o flautista com maior número de gravações registradas na história do disco no Brasil, além de ser considerado por críticos e especialistas da área, como um dos maiores flautistas da história do instrumento.
Conhecido pelo domínio no improviso e como um virtuoso da flauta transversal, Altamiro Carrilho chegou a marca de mais de 100 discos e compôs cerca de duzentas canções. Viajou por mais de 50 países, tocando com grandes nomes da música dentro e fora do Brasil.
Quem foi Altamiro Carrilho?

Nascido em Santo Antônio de Pádua, no Noroeste Fluminense do Rio de Janeiro, em 1924, é um dos oito filhos de Lyra de Aquino Carrilho e Octacilio Gonçalves Carrilho. Um de seus irmãos, Álvaro Carrilho, era também flautista.
Sua mãe foi batizada de Lyra devido ao fato de seu avô materno ser muito apaixonado por música. Aos onze anos de idade, Altamiro já integrava a banda Lyra Árion – do avô, na qual o tio era maestro – tocando o instrumento de percussão Tarol e sendo ritmista.
Segundo o próprio Altamiro: “Por causa desse meu tio, nasci dentro de uma banda de música. Aos 5 anos já tinha noção de tanto observá-lo.” Ganhou uma flautinha de lata e recorda: “Lembro que nem almocei, passei o dia tocando uma marchinha de carnaval muito popular na época, ‘Olha a pomba’. Fui autodidata, mas também tive noções de solfejo e leitura musical dadas por um funcionário dos Correios, Joaquim José Fernandes”.
Este, impressionado com a habilidade do menino, oferece as primeiras aulas e proporciona o primeiro contato com uma flauta transversa. Pouco tempo depois, mudou-se para o município de São Gonçalo onde passou a se dedicar à música enquanto trabalhava numa farmácia. “Eu fazia os xaropes e os enchia de açúcar. Os adultos não gostavam muito, mas as crianças adoravam”, disse Altamiro.
Aos 14 anos o pequeno flautista venceu vários programas de calouros, inclusive o de Ary Barroso, do qual ficou em primeiro lugar com uma flauta de segunda mão (as chaves estavam presas com elásticos).
A carreira fonográfica
Nessa época, Altamiro Carrilho já havia tomado como modelo flautistas como Benedito Lacerda e Dante Santoro, famosos durante a era de ouro do rádio.
Por tocar e ouvir rádio enquanto trabalhava na farmácia, Carrilho acabou sendo descoberto por Moreira da Silva: “Ele foi dar um show num parque de diversões em São Gonçalo e tinha ouvido falar de um garoto que tocava flauta. Foi me procurar e queria que eu tocasse em seu show. Depois acabei gravando em um disco seu na Odeon”.
Estreou em disco em 1943, participando da gravação de Moreira da Silva em formato 78 rpm, na Odeon. A partir de 1946, começa a atuar em várias orquestras de rádios e integra os conjuntos de Rogério Guimarães, de César Moreno e Glória das glórias, muitas vezes substituindo o seu ídolo Benedito Lacerda (que o chamava de “meu garoto” numa prova de carinho e admiração). Benedito achava que Altamiro era o único flautista capaz de um dia superá-lo.
O flautista gravou seu primeiro choro em 1949, “Flauteando na Chacrinha”. Em 1950, formou seu próprio conjunto na Rádio Guanabara.
Em 1951 Altamiro passou a integrar o Regional do Canhoto, antigo Regional de Benedito Lacerda, e, cinco anos depois, vendeu quase um milhão de cópias com a gravação de seu maxixe “Rio Antigo”.
No mesmo ano, seu programa “Em tempo de música”, na TV Tupi, alcançou grande audiência, consolidando seu nome nacionalmente. Em 10 anos, Carrilho consecutivos conquistou mais de 50 prêmios da crítica especializada: melhor arranjador, melhor flautista, melhor compositor, melhor conjunto regional, melhor disco e melhor diretor de grupo.
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Uma carreira de sucesso
Em 1958, foi agraciado com o troféu Microfone de Ouro, escolhido como o Melhor Instrumentista do Ano no Rádio. Na década de 1960, excursionou pela Europa e União Soviética, onde foi considerado pela crítica como um dos melhores solistas de flautim do mundo.
Morou no México por um ano e excursionou por vários países da América do Sul e também pelos Estados Unidos. Apresentou-se também no Chile, Bermudas, Estados Unidos, Japão, Portugal, Espanha, Noruega e França.
Em 1964, lançou o disco “Choros Imortais”, com o acompanhamento do Regional do Canhoto. Até hoje considerado um dos maiores discos de choro já gravados, é referência para todos os chorões e estudiosos do choro.
Em 1965, lançou “Choros Imortais N° 2” e em 1972 realizou um grande sonho que é tocar o “Concerto em Sol Maior”, de Mozart, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Mais tarde, sob a regência de Julio Medaglia, executou o “Concerto n. 2 em Ré Maior”, também de Mozart. Foi quando teve a ideia de introduzir, na cadência, trechos de mestres da nossa música: Ernesto Nazareth e Pixinguinha. Ousadia inédita, aplaudida durante 10 minutos, aos gritos de bravo, bravíssimo!
Em 1979, gravou o disco “Clássicos em Choro”, com um repertório de música clássica adaptado ao universo do choro, e ganhou o Troféu Villa-Lobos de melhor álbum instrumental do ano.
Ganhou também o Prêmio Sharp de 1997, na categoria Melhor Disco Instrumental, com o álbum “Flauta Maravilhosa”.
Altamiro morreu em 2012, aos 87 anos, por conta de um câncer no pulmão, tendo deixado um legado para gerações posteriores com suas inúmeras composições que vão do popular ao erudito.
por Lívia Nolla


