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Aniversário de Adriana Calcanhotto; 10 curiosidades sobre a artista
Aniversário de Adriana Calcanhotto; 10 curiosidades sobre a artista
Hoje, dia 3 de outubro, celebramos mais um ano de vida de uma das maiores artistas da música brasileira. Site da Novabrasil preparou especial; confira

Hoje, dia 3 de outubro, celebramos o aniversário de uma das maiores artistas da música brasileira: Adriana Calcanhotto!
Dona de uma carreira marcada por experimentações e versatilidade, a cantora e compositora porto-alegrense conquistou o país inteiro com suas letras poéticas e sonoridades que passeiam por diversas influências.
Além de cantora, compositora, instrumentista, arranjadora e produtora musical, Adriana também é ilustradora, escritora e professora.
Para homenagear essa artista multifacetada no dia do seu aniversário, trouxemos 10 curiosidades que revelam um pouco mais do universo único de Adriana Calcanhotto.
Vamos conferir?
1. Contato com a arte desde a infância

Filha de um baterista de jazz e bossa nova e de uma bailarina e professora de Educação Física, Adriana Calcanhotto já cresceu cercada de arte. Aos seis anos ganhou da avó o primeiro violão. Aprendeu a tocar o instrumento e também – mais tarde – a cantar, e logo passou a se interessar pela música popular, a literatura e as artes plásticas.
Suas influências também passaram pelo Modernismo Brasileiro e pelo Movimento Antropofágico.
O seu primeiro show autoral da carreira, em 1987, chamava-se A Mulher do Pau Brasil, e ela falava do Modernismo, encarnando a personagem título e lendo trechos da carta de Pero Vaz de Caminha para o rei de Portugal, com suas impressões sobre o Brasil, entre canções muito bem escolhidas para aquele tema.
2. Ligação com a poesia
Desde pequena, Adriana Calcanhotto também teve contato frequente com a poesia. Essa relação se reflete em suas composições, que muitas vezes evocam lirismo e profundidade.
Não à toa, ela já adaptou poemas de nomes como Ferreira Gullar e Augusto de Campos para suas canções e fez parcerias com outros poetas da MPB, como Antônio Cícero (Inverno, Pelos Ares, e Asas, entre outras)e Waly Salomão (A Fábrica do Poema, Motivos Reais Banais e Teu Nome mais Secreto, entre outras).
De Ferreira Gullar, a cantora adaptou quatro poemas do livro Um Gato Chamado Gatinho (2000), em quatro canções no DVD Adriana Partimpim O Show, de 2005. Gullar também é parceiro de Calcanhotto na canção Definição da Moça, de 2009.
3. Relação com Maria Bethânia
O primeiro disco de Adriana Calcanhotto, Enguiço, de 1990, rendeu à cantora o Prêmio Sharp de Revelação Feminina.
Enguiço foi dedicado à Maria Bethânia: Calcanhotto afirma que não existiria como artista se não fosse Bethânia, por isso a homenagem era natural e óbvia.
No podcast Essenciais, da Deezer, Adriana contou sobre a sua ligação com Bethânia: “Alguém me ligou um dia e disse: ‘A Maria Bethânia gostaria de saber se a Maria Bethânia para quem você dedica seu disco é ela’. Eu falei: “Mas tem outra?”– risos.
Depois, Calcanhotto recebeu outro telefonema, e o interlocutor dizia que Bethânia ligaria mais tarde para falar sobre o álbum. “Então liguei para o Luciano Alabarse (diretor de teatro e de espetáculos musicais), contei e perguntei: o que faço? Ele respondeu: ‘Põe perfume, fica do lado do telefone e atende’” – diverte-se.
Até hoje as duas artistas têm muito contato e Bethânia já gravou diversas canções de Calcanhotto.Em 2002, Adriana compôs – especialmente para Maria Bethânia – a música Cantada (Depois de Ter Você). A gravação das duas interpretando a canção juntas é belíssima.
Em 2010, a música Tua, composta por Calcanhotto e interpretada por Maria Bethânia, ganhou o Grammy Latino de Melhor Canção em Língua Portuguesa.
4. Adriana escritora

Além de sua relação íntima com a música – ela canta, compõe, toca, arranja e produz – Adriana Calcanhotto também é escritora. Em 2008, a artista aventurou-se pela primeira vez no texto em prosa e lançou o livro Saga Lusa: O Relato de uma Viagem, sobre sua viagem a Portugal na turnê do disco Maré.
O livro mostra como foram as 120 horas em que Adriana ficou sem dormir e delirando aos efeitos causados por uma mistura de remédios para curar uma forte gripe. A escrita – feita nos momentos de delírio, insônia e medo – tornou-se a única atividade que Calcanhotto, sentada em frente ao seu computador, conseguia realizar. Tudo isso, escrito com muito bom humor e muitas risadas de si mesma!
Em 2016, a cantora lançou, com curadoria do poeta Eucanaã Ferraz, seu livro de letras Pra Que É Que Serve Uma Canção Como Essa?. O título é um trecho da música Cantada (Depois de Ter Você).
Leitora assídua, em 2017, Calcanhotto selecionou 41 poetas escritos no Brasil, entre 1973 e 1990, para criar uma antologia “pessoal, intransferível, autoral, ou o contrário”, no livro É Agora como Nunca.
Neste volume, a cantora reúne 41 poetas novos e novíssimos e reforça seu estreito laço com a poesia.
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5. Artista Visual
Além de cantora, compositora e escritora, Adriana também explora as artes visuais. Sua habilidade de transitar por diferentes expressões artísticas a torna ainda mais especial. Ela já ilustrou, em 2003, o livro-disco O Poeta Aprendiz, de Vinicius de Moraes e Toquinho; e, em 2011, o livro Melchior, O Mais Melhor, de Vik Muniz.

6. Professora em Coimbra
Adriana lecionou como professora convidada no curso de Letras da Universidade de Coimbra, em Portugal, onde deu aulas sobre poesia portuguesa e brasileira, trovadores provençais e galegos, sobre a invenção da língua portuguesa e a canção popular do Brasil.
A cantora foi, inclusive, nomeada Embaixadora da Língua Portuguesa da Universidade de Coimbra, no final de 2015.
Nos anos 2018 e 2019, Calcanhotto também ministrou o curso de composição Como Escrever Canções, na mesma Universidade de Coimbra.
7. O Álbum Infantil e o nome Partimpim

Em 2004, Adriana Calcanhotto lançou o álbum Adriana Partimpim, um projeto voltado para o público infantil, com versões de grandes clássicos da música brasileira. O disco fez tanto sucesso que rendeu à cantora disco de ouro e o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Infantil.
Em 2005, o álbum ganhou uma versão ao vivo, também em DVD, chamado Adriana Partimpim – O Show. No espetáculo, os músicos usam, além dos instrumentos musicais convencionais, caixas de música, prato e colher, saco plástico, lixa, garrafa pet e até água para fazer a sonoplastia. Também atuam, interpretando personagens infantis.
A aceitação do álbum foi tão positiva, que gerou mais dois volumes: em 2009, o Partimpim Dois, que virou DVD em 2010; e em 2012, o Partimpim Tlês – além de shows pelo Brasil afora.
Calcanhotto adotou o nome artístico Adriana Partimpim para seus projetos infantis como uma forma de desconstrução e liberdade criativa. O apelido surgiu na infância, dado pelo pai da cantora. Com ele, a artista se permite explorar novas linguagens e sonoridades.
8. Versatilidade em Cena
Nos seus shows, Adriana Calcanhotto gosta de explorar diferentes cenários e linguagens visuais. Desde apresentações intimistas apenas com voz e violão até espetáculos mais teatrais, sua presença de palco é sempre envolvente e inovadora.
Como ela mesma conta em seu site oficial, desde o início da carreira gostava de pensar no espetáculo como um todo: “dentro de uma linguagem pop, onde o figurino, a luz, o cenário, os poemas, as ideias, tudo é uma coisa só, não é apenas um recital de música, de cantora.”
9. Relação com o Mar

O mar é uma constante na obra de Adriana. Seja como metáfora, inspiração ou cenário, a temática marítima aparece em diversos momentos de sua carreira.
Em 1998, a cantora lançou o disco Maritmo (sem acento mesmo, um jogo de palavras inventado pela artista, com “mar” e ritmo”). O álbum explicita sua paixão pelo mar, como espaço físico e metafísico: “Queria um ambiente de mar e de dança, de movimento, de levar e trazer, de ondulação e impermanência”, conta a artista.
O álbum é o primeiro de uma trilogia que traz referências sobre o mar: o segundo, Maré, veio 10 anos depois, em 2008, e o terceiro – Margem – é de 2019.
10. Álbum Tributo
A importância de Calcanhotto para a música brasileira é tanta, que em 2019 a cantora recebeu um álbum-tributo, em que artistas do novo cenário musical brasileiro interpretam versões de várias de suas canções.
O projeto, chamado Nada Ficou no Lugar, conta com a participação de nomes como Johnny Hooker, Mahmundi, Rubel, Priscila Tossan, Baco Exu do Blues, Alice Caymmi, Larissa Luz, Preta Gil, Duda Beat, Jaloo e Letrux.
Gostou de saber mais sobre Adriana Calcanhotto?
O que concluímos é que a aniversariante do dia é dessas artistas que conseguem transformar tudo o que tocam em arte. Seja nas letras sofisticadas ou nas melodias delicadas, sua obra é um convite à reflexão e à sensibilidade.
Feliz aniversário, Adriana! Que você continue nos encantando com sua música e poesia.
por Lívia Nolla

