4 mulheres da MPB que nasceram no dia 17 de setembro

Lívia Nolla
11:15 17.09.2024
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Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Música

4 mulheres da MPB que nasceram no dia 17 de setembro

Marina Lima, Negra Li, Evinha e Duda Brack: quatro mulheres importantes da MPB que nasceram no dia 17 de setembro

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- 17.09.2024 - 11:15
4 mulheres da MPB que nasceram no dia 17 de setembro
4 mulheres da MPB que nasceram no dia 17 de setembro

Dia 17 de setembro é mais uma data especial para a música popular brasileira: quatro mulheres da MPB – importantíssimas para a nossa história – nasceram neste dia: Marina Lima, Negra Li, Evinha e Duda Brack.

Então vem com a gente, celebrar a vida dessas cantoras maravilhosas, no dia de seu aniversário!

Tudo sobre Marina Lima

A cantora e compositora Marina Lima | Imagem: Candé Salles / Divulgação

Marina Lima  é uma das maiores cantoras e compositoras da música popular brasileira, e une em sua obra influências que passam pelo rock, pop, blues, bossa-nova, pela Tropicália, pela soul music e pela música eletrônica.

Marina nasceu no Rio de Janeiro, e ganhou o seu primeiro violão ainda criança, para sentir menos falta do Brasil, quando foi viver nos Estados Unidos, aos cinco anos, por conta do trabalho do pai.

Ela voltou para o Brasil aos 12, e aos 20 anos, musicou um poema escrito pelo seu irmão, Antônio Cícero, dando início a uma parceria de muito sucesso, que dura até os dias de hoje. Dez anos mais velho, Cícero também é compositor, poeta, crítico literário, filósofo e escritor, e o maior parceiro de composição de Marina.

Em 1977, Marina Lima iniciou oficialmente sua carreira e se tornou conhecida nacionalmente, quando Gal Costa gravou a sua canção Meu Doce Amor, em parceria com Duda Machado

Dois anos depois, Marina se tornou a primeira artista mulher a assinar um contrato com a gravadora Warner e lançou o seu primeiro disco – Simples como Fogo, que já traz o grande sucesso A Chave do Mundo (parceria dela com o irmão). 

Nesta época, Marina – ao lado de nomes como Rita Lee e Ângela Ro Ro – era uma das poucas compositoras mulheres da MPB e, por isso, também gravou neste primeiro disco a canção Solidão, composta por Dolores Duran – uma das primeiras compositoras da história do Brasil – em 1958. Essas mulheres compositoras, instrumentistas, roqueiras e revolucionárias, incentivaram uma geração de mulheres artistas que vieram depois.

Nos anos seguintes, Marina Lima lançou outros diversos hits como: Charme do Mundo e O Lado Quente do Ser (parcerias dela com o irmão); Nosso Estranho Amor (dueto com Caetano Veloso, que é compositor da canção); e Maresia (de Antônio Cícero e Paulo Machado).

Mas, foi em 1984, que Marina Lima lançou um dos mais importantes álbuns da sua carreira, que a levou ao estrelato e fez com que ela conquistasse reconhecimento nacional. 

O disco Fullgás, conta com o imenso sucesso da faixa-título, composta por ela e por Antônio Cícero, além dos hits: Veneno (de Nelson Motta); Mesmo Que Seja Eu (de Roberto e Erasmo Carlos); Me Chama (de Lobão); e Pé Na Tábua (famosa versão de Antônio Cícero e Sérgio de Souza para a canção Ordinary Pain, de Stevie Wonder).

A partir daí, ao longo de mais de 40 anos de carreira e mais de 20 discos, Marina nos brindou com outros tantos hits de sucesso, como:

  • Pra Começar, Virgem, Acontecimentos, Deixa Estar e Eu Vi o Rei (todas parcerias com o irmão)
  • Eu Te Amo Você (de Kiko Zambianchi)
  • Uma Noite e Meia Meia (de Renato Rocketh)
  • À Francesa (de Antônio Cícero e Cláudio Zoli)
  • Pessoa (de Dalto e Cláudio Rabello)
  • Grávida (parceria dela com Arnaldo Antunes)
  • O Chamado (parceria com Giovanni Bizzotto)
  • Pra Sempre (composta e gravada com Samuel Rosa)
  • Criança (composição solo de Marina Lima)

O mais recente lançamento da cantora foram o álbum Novas Famílias, de 2018 – que traz a participação de Leyruz e Marcelo Jeneci – e o EP Motim, de 2021, que conta com festa com Mano Brown e Alvin L.

Aproveite para escutar também a nossa audiobiografia especial dessa grande artista, no Acervo MPB, produção original da Novabrasil FM, que é praticamente uma enciclopédia da nossa música.

Tudo sobre Negra Li

A cantora e compositora Negra Li | Foto: Thi Santos/Divulgação

A grande cantora, compositora e atriz Negra Li é um dos principais e pioneiros nomes do rap feminino brasileiro.

Nascida Liliane de Carvalho, no bairro da Brasilândia, zona norte de São Paulo, Negra Li começou a se interessar por música ainda na infância. Dona de uma voz potente e afinadíssima, cantava na igreja e, na adolescência, passou a se aproximar da black music e – depois – do rap.

Formada em música pelo coral da Universidade de São Paulo, iniciou sua carreira musical com o grupo de rap RZO (Rapaziada da Zona Oeste), do qual fez parte de 1996 a 2004.

No ano 2000, ganhou ainda mais projeção nacional ao fazer uma brilhante participação na canção Não é Sério, da banda Charlie Brown Jr. – da qual também é compositora, ao lado de Chorão, Champignon e Pelado – que entrou para o disco Nadando com os Tubarões, da banda.

Em 2001, a cantora participou do disco Rap é Compromisso, de Sabotage, interpretando as canções No Brooklin e a faixa-título, ambas composições do rapper.

Em 2005, a artista lançou seu primeiro álbum – em parceria com o rapper Helião, que também era integrante do RZOGuerreiro, Guerreira, com 11 faixas, várias delas assinadas por Negra Li, como por exemplo: Sem Crise, Lembranças e Fase de Febre (todas parcerias com Helião e Daniel Ganjaman). O álbum conta com a participação de Mano Brown e de Marcelo D2.

Em 2006, Negra Li estreou – como atriz – no filme de Tata Amaral, Antônia, que, no ano seguinte, virou um seriado homônimo na TV Globo. No mesmo ano, lançou o álbum solo de imenso sucesso Negra Livre, que conta com a participação de Caetano Veloso, na faixa Meus Telefonemas (composição de José Júnior, Dinho, Caetano Veloso, LG, Cláudio Menezes e Jairo Cliff), e com o super sucesso na voz de Negra Li: Você Vai Estar Na Minha (de Lino Crizz e Marisa Monte). A faixa título, Negra Livre, é uma composição de Nando Reis.

Em 2008, Negra Li fez uma participação na canção Ainda Gosto Dela, de Samuel Rosa e Nando Reis, que entrou para o álbum Estandarte, do Skank

Em 2009, participou do longa 400 contra 1, a História do Comando Vermelho, do diretor Caco Souza e, em 2010, participou da canção Aqui Neste Lugar, de Sérgio Britto e Tony Bellotto, que entrou para o disco SP55, de Britto.

Veja também:

Em 2012, Negra Li, lançou o álbum Tudo de Novo, com uma vertente soul music e R&B e conta com composições de nomes como Sérgio Britto (Vai Passar, Não Vá e Como Iguais), Leoni e Léo Jaime (Fotografia), e Edgard Scandurra e Taciana Barros (Culto de Amor).

Em 2014, Negra Li protagonizou o musical Jesus Cristo Superstar interpretando Maria Madalena, ao lado de Igor Rickli e Beto Sargentelli. E, em 2018, a cantora lançou o seu mais recente álbum – Raízes – que conta com 11 faixas e participações de Seu Jorge (em Eclipse Lunar), Cynthia Luz (em Somos Iguais), Rael (na faixa-título) e Gaab (em Uma Dança).

Nos últimos anos, Negra Li tem lançado singles em parcerias como por exemplo: Sementes (com Rael), Eu Preciso Ir (com Ferrugem) e Malagueta (com Rincon Sapiência).

Tudo sobre Evinha

A cantora carioca Evinha | Foto: Divulgação

Eva Corrêa José Maria, mais conhecida como Evinha é uma cantora carioca nascida em 17 de setembro de 1971.

Evinha é irmã de Ronaldo, Roberto e Renato, integrantes do grupo Golden Boys, e de Mario, Regina e Marizinha, integrantes do Trio Esperança, todos da áurea época da Jovem Guarda.

A cantora iniciou a carreira artística em 1961, como integrante do Trio Esperança, ao lado dos irmãos Mário e Regina. Com o grupo, lançou cinco, até 1968, quando iniciou sua carreira solo e gravou Cantiga por Luciana (de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós), música campeã do 4º Festival Internacional da Canção.

Em 1969, aos 17 anos, gravou seu primeiro disco solo, Eva 2001. Na década de 1970, lançou três LPs e destacou-se com as gravações de:

  • Teletema (Antônio Adolfo e Tibério Gaspar)
  • Que Bandeira (Marcos e Paulo Sérgio Valle)
  • Como Vai Você (Antônio Marcos)
  • As Canções que Você Fez pra Mim (Roberto e Erasmo Carlos)
  • Casaco Marrom (Renato Corrêa, Danilo Caymmi e Guttemberg Guarabyra),

Em 1977, participou de um disco do francês Paul Mauriat, cantando músicas brasileiras. Em seguida, seguiu em turnê pelo Japão e pela China, como crooner da orquestra do maestro. Casou-se com Gerard Gambus, pianista da orquestra, fixando residência em Paris. 

Na década de 1990, voltou a se apresentar no exterior com as irmãs Marisa e Regina, em nova formação do Trio Esperança, com o qual gravou mais três discos.

Em 1999, Evinha lançou o CD Reencontro, regravando antigos sucessos em sua voz. Ainda nesse ano, esteve no Brasil, apresentando-se depois de 20 anos de ausência dos palcos brasileiros. 

Em 2005, apresentou-se no Rio de Janeiro, ao lado dos Golden Boys, com o show A Festa da Jovem Guarda Continua. 

Em 2016, a cantora lançou o álbum Evinha – Uma Voz, Um Piano, cujo repertório apresenta músicas inéditas de Ivan Lins, Abel Silva, Dalto, Fernando Brant (última composição antes de sua morte) e do próprio marido Gérard Gambus e, também, uma volta aos velhos tempos da cantora com seus maiores sucessos.

Em 2019, ano em que completou 50 anos de carreira solo, Evinha lançou o seu mais recente álbum, com regravações da discografia de Guilherme Arantes.

Tudo sobre Duda Brack

A cantora e compositora Duda Brack — Foto: Pedro Bucher/Divulgação

A cantora, compositora e atriz gaúcha Duda Brack nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e completa 31 anos neste 17 de setembro.

Em 2015, a artista lançou seu álbum de estreia, É, de forma independente, gravado ao vivo, de forma bastante visceral, com todos os músicos tocando juntos em estúdio. Duda Brack revelou que Fiona Apple, Gal Costa e Ana Cañas foram referências para o seu álbum de estreia.

Com seu primeiro trabalho, a cantora gaúcha foi eleita como artista revelação pela crítica especializada e integrou as listas que apontavam os melhores trabalhos do ano pelos principais veículos de imprensa, rodando importantes palcos e projetos no Brasil e abrindo shows de artistas como Elza Soares, Otto e Alceu Valença.

Em 2017, a convite de Charles Gavin (ex-Titãs), a artista participou do álbum em tributo aos Secos & Molhados, Primavera nos Dentes, junto com Gavin, Paulo Rafael, Pedro Coelho e Felipe Ventura.

Em 2019, Duda participou do projeto Iara Ira, ao lado das cantoras Júlia Vargas e Juliana Linhares, sob direção musical de Thiago Amud. E, em novembro de 2021, lançou seu segundo álbum, Caco de Vidro, com participações de nomes como Ney Matogrosso e BaianaSystem

Desde então, Duda Brack vem lançando alguns singles, o mais recente: De Conchinha com a Diaba, agora em 2024. Seu recém lançado álbum, Proibido Não Gostar, conta com a participação de Gaby Amarantos, Fran e Felipe Cordeiro.

por Lívia Nolla

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Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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