Diego Amorim: “Brasil faccionado: é muito pior do que imaginamos”

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11:05 16.09.2025
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Por Diego Amorim
Jornalismo

Diego Amorim: “Brasil faccionado: é muito pior do que imaginamos”

Diretor de jornalismo da Novabrasil revela uma troca de mensagens que corrobora o preocupante avanço do crime organizado nos espaços de poder

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- 16.09.2025 - 11:05
Diego Amorim: “Brasil faccionado: é muito pior do que imaginamos”
Ruy Ferraz Fontes foi morto em avenida de Praia Grande, litoral de São Paulo — Foto: Divulgação.

Quando acordei nesta terça-feira (16) e me deparei, antes de entrar no ar no jornalismo da Novabrasil, com os detalhes de mais uma ação cinematográfica do PCC — a execução do ex-diretor-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, considerado inimigo número 1 da facção — escrevi e enviei a seguinte mensagem a uma série de autoridades em Brasília:

“Digo e repito: enquanto o povo se distrai (intencionalmente) com a guerra entre ‘direita x esquerda’, todos, absolutamente todos ficamos cegos diante dos problemas reais do país, como o avanço das facções. O brutal assassinato do ex-diretor-geral da Polícia Civil mostra que a escalada do ‘Brasil faccionado’ está em aceleração. Tem alguém vendo isso? Tem: olhando e deixando como está. A eleição vai chegar e é mais simples estimular a divisão ideológica, focar em Lula, Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro… até que não haja mais ponto de retorno.”

Minutos depois, uma importante liderança política do Rio de Janeiro (de quem preservo a identidade) me respondeu com uma pergunta direta:

“E você acha que essas coisas não têm conexão?”

Achei que fosse uma provocação sobre a disputa ideológica em torno da segurança pública e respondi:

“Acho que sim, no sentido de distrair. Ninguém quer resolver o problema. Nem direita nem esquerda conseguiram enfrentar o crime organizado nos últimos anos. Tivemos uma megaoperação recente contra facções e, em vez de tratarmos do assunto com a seriedade que exige, ficamos discutindo de quem eram os louros: ‘Tarcísio de Freitas ou Lula?’. Para o cidadão, pouco importa: interessa que as autoridades cuidem da questão com a mesma seriedade com que tratam as guerras ideológicas e as emendas parlamentares.”

A liderança, então, me corrigiu:

“Meu ponto é que o crime organizado e a política estão conectados.”

Veja também:

Concordei:

“Sim! Uma tristeza… Estão chegando cada vez mais perto.”

E li de volta:

“Não estão chegando mais perto. Já estão dentro. Seja no Rio, com milícia, jogo do bicho, tráfico, mais pulverizado. Seja em São Paulo, com o PCC, mais organizado. Além de poder, contratos com o governo hoje não são usados ‘só’ para corrupção, mas também para lavagem de dinheiro.”

É isso. O “Brasil faccionado” ao qual me refiro é muito pior do que imaginamos

Momento da execução do ex-delegado-geral de São Paulo. — Foto: Reprodução.

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