Novabrasil
Slam Poesia: a voz da resistência e da identidade nas periferias
Slam Poesia: a voz da resistência e da identidade nas periferias
Um movimento cultural que transforma a poesia em ferramenta de protesto e inclusão social, que une vozes diversas em competições
Slam poesia, ou poetry slam, é uma forma de competição de poesia falada, em que poetas se apresentam em um formato de batalha. Cada participante, conhecido como slammer, tem até três minutos para recitar um poema autoral, usando apenas a voz e o corpo, sem qualquer acompanhamento musical ou adereços.
As apresentações são avaliadas pelo público ou por jurados e precisam trazer a expressividade e a conexão emocional com temas que frequentemente refletem questões sociais e culturais.
Origem e evolução
O slam poesia surgiu na década de 1980 em Chicago, criado pelo poeta Marc Smith. A proposta era democratizar a poesia ao torná-la acessível e interativa e romper com as tradições literárias mais elitistas. Desde então, o movimento se espalhou globalmente e influencia diversas culturas e estilos de performance.
No Brasil, o slam foi introduzido em 2008 por Roberta Estrela D’Alva, que fundou o ZAP! Slam. Desde então, o movimento cresceu rapidamente, com mais de 400 coletivos que promovem eventos em espaços públicos como praças e escolas.
Participantes e Destaques
As batalhas de slam são abertas a todos os interessados, independentemente da experiência prévia. No Brasil, os principais nomes incluem:
- Roberta Estrela D’Alva: precursora do slam no Brasil e finalista na Copa do Mundo de Poesia Falada em 2011.
- Emerson Alcalde: fundador do Slam da Guilhermina, um dos primeiros slams realizados em espaços públicos.
- Joice Zau: vencedora do SLAM BR em 2021.
- King Abraba: vencedor do SLAM BR em 2023.
Temática Social e Política
O slam no Brasil se destaca por abordar questões sociais e políticas relevantes. O Slam da Guilhermina, iniciado em 2012, na zona leste de São Paulo, exemplifica essa abordagem ao atrair um público diversificado e discutir temas como feminismo, racismo e críticas aos governantes.
Inclusão e Acessibilidade
Veja também:
Os slams têm se estabelecido em espaços públicos e centros de acolhida, já que um de seus objetivos é democratizar o acesso à poesia. O Sarau Poesia é da Hora, por exemplo, começou em um centro de acolhida para pessoas em situação de rua e se expandiu para outras comunidades. Além disso, existem slams específicos para diferentes grupos, como o Slam das Minas (apenas para mulheres) e o Slam Marginália (para travestis e pessoas trans), um símbolo da inclusão de vozes marginalizadas.

Papel Educacional
Muitas iniciativas levam o slam para dentro das escolas como uma ferramenta pedagógica que incentiva a leitura e a escrita entre os jovens. O Slam Interescolar reúne estudantes de várias instituições, mostrando como a poesia pode ser uma forma de empoderamento e expressão criativa.
Reconhecimento Cultural

O slam recebeu reconhecimento institucional significativo no Brasil, incluindo prêmios como o Jabuti na categoria “Fomento à Leitura”. Em 2023, uma exposição chamada “Gira da Poesia” foi realizada no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo para celebrar os 15 anos do slam no país.
Como uma forma de resistência cultural e protesto social, o slam se estabelece como uma prática artística e um meio poderoso de transformação social nas comunidades brasileiras.



