Especial: 10 fatos sobre Clara Nunes no seu aniversário

Lívia Nolla
09:10 12.08.2025
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Arte e cultura

Especial: 10 fatos sobre Clara Nunes no seu aniversário

Saiba tudo sobre uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos que faria hoje 83 anos

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- 12.08.2025 - 09:10
Especial: 10 fatos sobre Clara Nunes no seu aniversário
Foto: Divulgação.

Hoje seria aniversário de uma das maiores vozes da música popular brasileira de todos os tempos: a cantora, compositora, intérprete e pesquisadora mineira Clara Nunes faria 83 anos.Para celebrar esta data trouxemos uma lista com 10 fatos importantes sobre a artista.

E, caso você queira saber tudo sobre a vida e a obra da artista, acesso o Arquivo Novabrasil Clara Nunes, uma verdadeira enciclopédia da música popular brasileira, original Novabrasil.

10 fatos sobre Clara Nunes

1 – Pesquisadora da cultura afro-brasileira

Além de uma excelente cantora e intérprete, Clara Nunes também era uma grande pesquisadora da música popular brasileira, de ritmos nativos e principalmente da cultura afro-brasileira, não se limitando apenas à música, mas aos costumes, às tradições, aos credos, vestimentas e danças.

Clara Nunes trazia em suas pesquisas e nas canções que escolhia defender, uma proposta de reflexões imprescindíveis acerca da identidade de gênero, etnia e credo. Levantou debates sobre o preconceito étnico-racial e a intolerância religiosa, quando esses temas ainda se apresentavam timidamente no Brasil, trazendo luz à história sociopolítica e sociocultural do país. 

Em toda a sua obra, temas afro-brasileiros marcam presença em letras e arranjos que sempre remetem aos elos que unem Brasil e África. Clara Nunes desempenhou um importante papel na popularização e na desmistificação das religiões de matriz africana, colaborando para o rompimento dos estigmas e preconceitos que, até então, prevaleciam em relação aos seus adeptos em nossa sociedade. E existem até hoje.

2 – Clara compositora

Clara Nunes também era compositora – compôs, ao lado deMaurício Tapajóse Paulo César Pinheiro (compositor e poeta carioca com quem Clara se casou em 1975 e ficou até o fim de sua vida), a canção “À Flor da Pele”, lançada no álbum “As Forças da Natureza”, de 1977, e – depois – regravada em um dueto póstumo da cantora com Ângela Maria, em 1995, no álbum “Clara Nunes Com Vida”.

Em 1999,Alcionegravou a canção no álbum “Claridade: Uma Homenagem à Clara Nunes”.

3 – 1ª mulher brasileira a vender mais de 100 mil LPs

Clara Nunes foi a primeira mulher brasileira a vender mais de 100 mil LPs, marca antes somente atingida por homens, quebrando um tabu de que mulheres não vendiam álbuns. 

Isso aconteceu quando ela lançou o álbum “Alvorecer”, em 1974, que conta com os sucessos “Conto de Areia” (de Romildo Bastos e Toninho Nascimento) – um dos mais importantes de sua carreira – “Menino Deus” (de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro) e “O Que É Que a Baiana Tem” (deDorival Caymmi). 

O disco bateu recorde de vendas para cantoras brasileiras, com mais de 300 mil cópias vendidas em um ano, um feito nunca antes registrado no Brasil. O álbum ultrapassou a marca de 600 mil cópias com a venda residual nos anos seguintes.

Ao todo, durante sua carreira, a cantora vendeu quatro milhões e quatrocentos mil discos.

4 – Começou a carreira como “Clara Francisca”

Nascida na cidade de Caetanópolis, no interior de Minas Gerais, Clara Nunes mudou-se para Belo Horizonte em 1957, com 16 anos, onde passou a trabalhar como tecelã de dia e fazer o curso para formação de professoras à noite. 

Nessa época, Clara conheceu o violonista Jadir Ambrósio – famoso por ter composto o hino do time de futebol do Cruzeiro – que se encantou com a voz da moça e começou a levá-la para participar de programas de rádio da cidade. Nessa época, a cantora ainda se apresentava com o nome de batismo: Clara Francisca.

Até que, no início de 1960, ela conheceu Aurino Araújo, irmão do cantor da Jovem Guarda, Eduardo Araújo, e eles começaram a namorar, um relacionamento que durou 10 anos. Aurino e Jadir introduziram a cantora no meio artístico e, a partir daí, seu imenso talento e originalidade a levaram para um carreira de estrondoso sucesso.

Por sugestão de um produtor musical, ela passou a usar o sobrenome da mãe (que morreu quando Clara tinha seis anos de idade) no nome artístico, estreando como Clara Nunes naquele mesmo ano e vencendo a etapa mineira do concurso “A Voz de Ouro ABC”, com a música “Serenata do Adeus”, de Vinicius de Moraes.

5 – Carreira firmada no samba

Sempre com um estilo e identidade muito próprios e singulares na música, a artista firmou a sua carreira no samba: foi uma das principais intérpretes de compositores da Portela – sua escola do coração – mas teve influências também da música romântica, principalmente do samba-canção, e referências como Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira e Ângela Maria.

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Em 1966, Clara Nunes lançou o seu primeiro álbum, “A Voz Adorável de Clara Nunes”, em que apresentava boleros e sambas-canção. Mas foi em 1968, que Clara Nunes atingiu o seu primeiro grande sucesso nas rádios, quando gravou a canção “Você Passa Eu Acho Graça” (de Ataulfo Alves e Carlos Imperial), em seu segundo disco, que tinha a faixa como título e já trazia a artista com foco no samba. 

6 – Morte precoce

Em março de 1983, Clara Nunes precisou submeter-se a uma cirurgia de varizes e acabou tendo uma reação alérgica a um componente anestésico e sofrendo um choque anafilático e uma parada cardíaca. 

A cantora ficou internada por 28 dias, nos deixando órfãos de seu talento aos 40 anos de idade, no auge do sucesso, depois de 16 álbuns lançados e de transformar para sempre a música popular brasileira.

A partida precoce de Clara Nunes não a impediu de fazer história como uma das mais belas e importantes vozes da nossa história. A artista influenciou e inspirou uma geração de grandes cantoras da MPB que vieram depois dela e deixou o seu legado para sempre em nossa música. 

7 – Músicas em homenagem à cantora

A morte inesperada do grande talento da nossa música brasileira a rendeu homenagens em forma de canção:

  • O compositor e instrumentista carioca Manacéa, integrante da Velha Guarda da Portela, compôs a canção “Flor do Interior”, que entrou para o álbum Velha Guarda da Portela – Série Grandes Sambistas, de 1986.
  • Já o sambista, cantor e compositor Aluísio Machado, membro da Ala dos Compositores do Império Serrano, homenageou a cantora em uma faixa com seu nome “Clara Nunes” (em parceria com Ovídio Bessa),gravada por Martinho da Vila no álbum “Novas Palavras”, em 1983.
  • Antes da morte da cantora, seu marido Paulo César Pinheiro já tinha composto uma faixa em sua homenagem, em parceria com o sambista, cantor e compositor João Nogueira, grande amigo de Clara Nunes. A canção recebeu o nome de “Mineira”, e foi lançada por João no álbum “Vem Que Tem”, de 1975.
  • No ano da morte de Clara, 1983, Paulo César Pinheiro e João Nogueira se juntaram a Mauro Duarte e compuseram mais um samba em homenagem à cantora: “Um Ser de Luz”, lançado por Alcione, no álbum “Almas e Corações”.

8 – Homenagem de João Nogueira no Clube do Samba

João Nogueira não cansou-se de homenagear sua grande amiga. 

Em 1979, preocupado com a desvalorização do samba no cenário musical brasileiro, ele fundou o Clube do Samba, com a participação de Clara NunesPaulo César Pinheiro, além desua irmã Gisa Nogueira; do escritor, pesquisador e jornalista Sérgio Cabral e de outros nomes de peso do samba. 

A primeira sede do Clube foi na casa de João Nogueira, no Méier. Depois, o Clube do Samba mudou-se para o bairro do Flamengo, em seguida para a Associação dos Servidores Civis do Brasil – inaugurado por Clara Nunes – e então para o Clube Municipal, antes de chegar à sede definitiva, na Barra da Tijuca.

O local, onde funcionava um depósito de bebidas, foi totalmente reformado e decorado por João Nogueira. Além do salão, com capacidade para mais de 1000 pessoas, funcionava no Clube uma galeria de arte – chamada Guilherme de Brito – e um jardim que recebeu o nome de Clara Nunes

Depois do falecimento de Clara, o jardim ganhou uma escultura de um sabiá com a seguinte inscrição: “Voa meu sabiá/ Canta meu sabiá/ Adeus, meu sabiá/ Até um dia…”, estribilho do samba “Um Ser de Luz”.

9 – Sambas-enredo na Portela

No ano seguinte à morte da cantora, 1984, sua escola de samba do coração, a Portela, levou para a avenida um samba enredo em sua homenagem – “Contos de Areia” – e foi campeã do carnaval carioca. 

Em 2019, a escola desfilou com outro enredo inspirado na cantora: “Na Madureira Moderníssima, hei sempre de ouvir cantar um sabiá”.

10 – Sucessos eternizados por Clara Nunes

Foram muitos os sucessos eternizados por Clara Nunes. Entre eles:

  • “O Mar Serenou” (Candeia)
  • “Conto de Areia” (Romildo / Toninho Nascimento)
  • Canto das Três Raças” (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)
  • “Morena de Angola” (Chico Buarque)
  • “Alvorecer” (Dona Ivone Lara e Délcio de Carvalho)
  • “Deixa Clarear” (Wilson Moreira e Nei Lopes) 
  • “Ê Baiana” (Fabrício da Silva, Baianinho, Ênio Santos Ribeiro e Miguel Pancrácio).
  • As Forças da Natureza” (Paulo César Pinheiro e João Nogueira)
  • “Feira de Mangaio” (Sivuca e Glorinha Gadelha)
  • “Guerreira” (de Paulo César Pinheiro e João Nogueira)

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Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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