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10 sucessos compostos por Jorge Mautner no dia do seu aniversário
10 sucessos compostos por Jorge Mautner no dia do seu aniversário
Cantor e compositor carioca completa 84 anos hoje e o site da Novabrasil relembra grandes sucessos de sua carreira; confira

Artista genial da nossa MPB, o cantor, compositor, violinista e escritor carioca Jorge Mautner completa 84 anos neste 17 de janeiro e nós preparamos uma lista com seus 10 maiores sucessos, para celebrar sua vida e carreira.
Quem é Jorge Mautner
Nascido Henrique George Mautner, no Rio de Janeiro, Jorge Mautner é filho de uma iugoslava católica com um judeu austríaco e nasceu um mês depois de seus pais desembarcarem no Brasil fugindo do Holocausto.
No Brasil, seu pai – embora simpatizante do governo de Getúlio Vargas – atuava na resistência judaica. A mãe passou a sofrer de paralisia em razão do trauma sofrido pela impossibilidade da irmã de Jorge, Susana, ter embarcado para o Brasil com a família. Assim, até os sete anos, Jorge Mautner ficou sob os cuidados de uma babá, Lúcia, que era ialorixá e o apresentou ao candomblé.
Em 1948, seus pais se separaram e sua mãe se casou com o violinista Henri Müller, que tocava na Orquestra Sinfônica de São Paulo. A família se mudou para São Paulo e Henri ensinou Jorge a tocar violino.

Apesar de ótimo aluno, Mautner foi expulso do colégio antes de concluir o Ensino Médio, por ter escrito um texto considerado indecente. Ele começou a escrever seu primeiro livro, o antológico “Deus da Chuva e da Morte“, aos 15 anos de idade.
Publicado em 1962, o livro – que recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura – deu origem ao verso: “Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva”, na música “Sampa”, de Caetano Veloso.
Caetano conheceu Mautner quando chegou em São Paulo e neste trecho da música, que escreveu em homenagem à cidade, cita seus grandes artistas como Jorge Mautner e José Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina, importante grupo teatral de São Paulo.
“Deus da Chuva e da Morte” compõe – com “Kaos” (1964) e “Narciso em Tarde Cinza” (1966) – a trilogia nomeada como “Mitologia do Kaos”, em uma compilação publicada em 2002, que recebeu montagem para o teatro.
Em 1987, Jorge Mautner lançou – com Gilberto Gil – o movimento “Figa Brasil“, no show “O Poeta e o Esfomeado“, ligado ao movimento “Kaos“, voltado à discussão da cultura brasileira. Em 17 de janeiro de 2016, coincidindo com seu aniversário de 75 anos, Mautner publicou seu décimo-primeiro livro, “Kaos Total“.
Jorge Mautner: um expoente da nossa cultura

Em 1962, Jorge Mautner aderiu ao Partido Comunista Brasileiro, convidado pelo professor Mário Schenberg para participar, com o artista multimídia José Roberto Aguilar, de uma célula cultural no Comitê Central. Após o Golpe Militar de 1964, o artista foi preso e liberado sob a condição de se expressar mais “cuidadosamente”.
Em 1966, mudou-se para os Estados Unidos, onde trabalhou na UNESCO e na tradução de livros brasileiros. Também deu palestras sobre esses livros para a Sociedade Interamericana de Literatura.
A partir de 1967, Mautner passou a trabalhar como secretário do poeta norte-americano, Robert Lowell, considerado o fundador da poesia confessional. Lá, também conheceu Paul Goodman, sociólogo, poeta e militante pacifista anarquista da nova esquerda, de quem recebeu significativa influência. Em 1970, o artista também se exilou em Londres, onde se aproximou de Caetano Veloso e Gilberto Gil.
De volta ao Brasil, começou a escrever no jornal O Pasquim e, nesta época, conheceu Nelson Jacobina, que tornou-se seu parceiro musical nas décadas seguintes.
Jorge Mautner lançou seu primeiro disco – “Pra Iluminar a Cidade” – em 1972, gravado ao vivo no Teatro Opinião, no Rio de Janeiro. Ele lançou 14 discos ao longo da carreira, sendo o mais recente em 2019: “Não Há Abismo Em Que o Brasil Caiba“, eleito um dos 25 melhores álbuns brasileiros do primeiro semestre do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Em 10 de dezembro de 1973, no período mais duro da ditadura militar, Jorge Mautner participou do “Banquete dos Mendigos“, um show-manifesto idealizado e dirigido por Jards Macalé, em comemoração aos 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Do espetáculo participaram também Chico Buarque, Dominguinhos, Edu Lobo, Gal Costa, Gonzaguinha, Johnny Alf, Luiz Melodia, Milton Nascimento, MPB4, Nélson Jacobina, Paulinho da Viola, Raul Seixas, entre outros artistas. Com apoio da ONU, o show aconteceu no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, transformado em “território livre”, e resultou em álbum duplo gravado ao vivo. O disco foi proibido durante seis anos pelo regime militar e liberado somente em 1979.
Você sabia que Jorge Mautner é autor de diversos clássicos da nossa MPB? Já foi gravado por outros grandes nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Wanderléa, Lulu Santos, Chico Science e Nação Zumbi. É sobre esses clássicos que vamos falar agora!
10 sucessos da MPB compostos por Jorge Mautner
1 – Lágrimas Negras
Parceria de Jorge Mautner com o compositor e instrumentista carioca Nelson Jacobina, lançada em 1974 por Gal Costa, no álbum “Cantar”, “Lágrimas Negras” tornou-se um dos maiores sucessos da carreira da cantora baiana.
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Em 1988, foi gravada pelos próprios autores, em um álbum lançado em parceria, chamado “Árvore da Vida – Jorge Mautner e Nelson Jacobina” e – depois – regravada por nomes como Caetano Veloso, Nina Becker e Filipe Catto.
2 – Maracatu Atômico
Outra parceria com Nelson Jacobina, “Maracatu Atômico” foi lançada pelo próprio Jorge Mautner em 1974, em um álbum que levou o seu nome. Mas a canção atingiu o ápice do sucesso mesmo quando regravada pelos pernambucanos Chico Science e Nação Zumbi, no antológico álbum “Afrociberdelia”, de 1996, ganhando toques de Mangue-beat.
Antes disso, foi gravada por Gilberto Gil, no mesmo ano de 1974, no seu álbum “Músicas na Passarela”.
3 – Todo Errado
Lançada por Jorge Mautner e Caetano Veloso no álbum que fizeram em parceria – “Eu Não Peço Desculpas”, de 2022 – a divertida canção “Todo Errado”, composta por Mautner, foi um sucesso tremendo.
No mesmo ano, entrou para a trilha do documentário “O Filho do Holocausto”, dirigido por Pedro Bial e Heitor D’Alincourt e baseado em livro homônimo escrito por Mautner, que conta a história do artista.
4 – Aeroplanos
Parceria com o compositor Rodolph Grani Júnior, “Aeroplanos” foi lançada por Jorge Mautner em 1976, no álbum “Mil e uma noites de Bagdá”.
5 – Pelas Capitais (com Moraes Moreira)
“Pelas Capitais” é uma parceria de Mautner com o cantor, compositor e instrumentista baiano Moraes Moreira.
Lançada por Moraes no álbum “Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira”, de 1979, a canção foi um sucesso do carnaval na época.
6 – O Rouxinol
Mais uma parceria importante, desta vez com Gilberto Gil, “O Rouxinol” foi lançada pelo baiano no importante álbum “Refazenda”, de 1975.
Depois, a canção – além de também entrar para a trilha sonora do filme “O Filho do Holocausto”, também faz parte do álbum “O Poeta e o Esfomeado – Jorge Mautner e Gilberto Gil”, lançado em 2015, com a gravação de um show realizado pelos dois artistas no Palácio das Convenções do Anhembi (São Paulo), em março de 1987.
7 – Samba dos Animais
Lançada no álbum “Jorge Mautner”, de 1974, “Samba dos Animais” é uma composição solo do poeta carioca, depois regravada com sucesso porLulu Santos, no álbum “PopSambalanço e Outras Levadas”, de 1989.
8 – O Vampiro
A canção “Vampiro”, de Jorge Mautner, fez muito sucesso quando lançada por Caetano Veloso, no álbum “Cinema Transcendental”, de 1979. Depois, também foi gravada pelo autor, no álbum “Árvore da Vida – Jorge Mautner e Nelson Jacobina”, de 1988.
9 – Samba Jambo
Mais uma parceria com Nelson Jacobina, “Samba Jambo” foi lançada em 1976, no álbum “Mil e uma noites de Bagdá”, de Jorge Mautner. Depois, foi revisitada por nomes da MPB contemporânea, como Nina Becker (2010) e Júlia Vargas (2017).
10 – O Som do Meu Violino
Também do álbum “Mil e uma noites de Bagdá”, de 1976, “O Som do Meu Violino” é uma composição solo de Jorge Mautner, de apenas um minuto e seis segundos e em que o artista canta apenas acompanhado de um triângulo e um violino. Tornou-se um dos maiores sucessos de Mautner.


