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A importância de Celly Campello para a música brasileira
A importância de Celly Campello para a música brasileira
Cantora, compositora, atriz e multi-instrumentista, é considerada a precursora do rock no Brasil

Quando falamos em pioneirismo no rock entre as mulheres brasileiras, é comum pensarmos em nomes como Rita Lee ou Wanderléa, e – com razão – pois as duas, cada uma a sua maneira, tem um papel fundamental no reconhecimento da mulher como artista que faz rock’n Roll no Brasil. Mas você sabe quem veio ainda antes delas? Celly Campello!
Sim! Antes de Rita Lee ser a primeira mulher à frente de uma banda de rock no Brasil, ainda tocando guitarra e compondo suas próprias canções, e antes de Wanderléa ser uma das líderes daJovem Guarda – ao lado de Roberto Carlos e Erasmo Carlos – movimento cheio de Rock’n Roll que que revolucionou o comportamento jovem nos anos 60 – o Brasil conheceu Celly Campello.
Considerada a precursora do rock no Brasil, a cantora, compositora, atriz e multi-instrumentista paulistana popularizou a dança twist no país.
Mais sobre Celly Campello
Nascida em São Paulo, mas crescida em Taubaté, no Vale do Paraíba, Celly Campello começou sua carreira precocemente, quando cantou aos seis anos de idade na Rádio Cacique, de Taubaté. Mais tarde, a cantora tornou-se uma das participantes do programa “Clube do Guri”, na Rádio Difusora, de Taubaté.
Celly estudou piano, violão e balé durante a infância e, aos 12 anos, já tinha o próprio programa de rádio, também na Rádio Cacique.
Em 1956, Celly mudou-se para São Paulo e – em 1958 – com apenas 15 anos – lançou o seu primeiro compacto em companhia do irmão Tony Campello, que a acompanhou em boa parte da carreira como cantora e atriz.
De um lado estava a canção “Perdoa-me (Forgive Me)”, cantada por ele, e do outro “Belo rapaz (Handsome Boy)”, cantada por ela. As duas músicas são composições de Mário Gennari Filho e Celeste Novaes.
Também em 1958, Celly Campello jáestreou na televisão, no programa “Campeões do Disco”, da TV Tupi. Em 1959, ela estreou um programa próprio – também ao lado do irmão, Tony Campello – intitulado “Celly e Tony em Hi-Fi”, na Rede Record, o qual apresentou por dois anos.
Por que Celly Campello é pioneira?
A carreira de Celly explodiu em 1959, quando ela gravou seu terceiro compacto, com a versão brasileira do rock “Stupid Cupid”, de Neil sedaka e Howard Greenfield, com versão de Fred Jorge, que no Brasil virou “Estúpido Cupido”.
A música foi lançada no “Programa do Chacrinha” e se tornou um imenso sucesso no Brasil inteiro. O disco alcançou grande vendagem e muitas execuções nas rádios, o que transformou Celly Campello na nova estrela da música jovem.
Em 1959, com 16 anos, ela lançou o seu primeiro LP, que levou o nome de “Estúpido Cupido“, e que – além da música título – incluiu mais quatro versões de Fred Jorge para rocks internacionais.
Celly Campello foi a primeira artista brasileira a obter sucesso mercadológico cantando rock no Brasil, tornando-se uma das mais populares estrelas da música pop do fim dos anos 1950, o que culminou exatamente na criação do movimento da Jovem Guarda.
Durante os seus cinco meteóricos anos de carreira – de 1958 a 1962 – Celly Campello gravou cinco LPs, além de dezenas de compactos simples e discos de 78 rotações por minuto.
Outros sucessos em sua voz foram as canções:
- Lacinhos Cor-de-Rosa (versão de Fred Jorge para a música “Pink Shoe Laces”, de Mickie Grant)
- Billy (versão de Fred Jorge para a música de Jeannette Archey)
- Banho de Lua (versão de Fred Jorge para a música“Tintarella Di Luna”, dos italianos Franco Migliacci e Bruno de Filippi)
- Querido Cupido (de Fred Jorge e Archimedes Messina)
- Broto Legal (versão de Renato Corte Real para a música“I’m In Love”, de H. Earnhart)
Em 1960, Celly Campello recebeu o troféu “Roquete Pinto” de “Cantora Revelação” e o troféu “Tupiniquim” de “Revelação Feminina”. Nessa época, alcançou o auge da popularidade sendo aclamada como “A Namoradinha do Brasil”. Recebeu elogios de Tom Jobim, teve a boneca “Celly” lançada pela Trol e o chocolate “Cupido”, pela Lacta.
Seus discos lhe renderam inúmeros prêmios e troféus, inclusive no exterior, e lhe deram o título de “Rainha do Rock Brasileiro”, em votação promovida pela Revista do Rock, com mais de 40 mil votos, em 1961.
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Ganhou ainda quatro vezes o “Troféu Chico Viola”, mais uma vez o “Troféu Roquette-Pinto” e também uma vez o “Troféu Disco de Ouro”, todos no período de 1959 até 1962,
Carreira interrompida no auge
Mas Celly Campello decidiu abandonar a carreira no seu auge, aos 20 anos, para se casar e morar em Campinas. Foi em 1962, com José Eduardo Gomes Chacon, o namorado desde a adolescência, quando passou a se chamar Célia Campello Gomes Chacon. Com José Eduardo, com quem permaneceu casada até sua morte, Celly teve dois filhos, Cristiane e Eduardo.
Na época em que resolveu abandonar a carreira, Celly Campello vinha sendo cogitada para apresentar o “Programa Jovem Guarda”, na TV Record, ao lado de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Como abandonou a carreira, Wanderléa foi convidada para estrear o programa ao lado da dupla, que ficou no ar até 1968, revolucionando – além da música – todo o comportamento jovem brasileiro.
Segundo um dos biógrafos da cantora, Thiago de Menezes – que escreveu o livro “Celly Campello – A Rainha Dos Anos Dourados” (Editora Clube de Autores, 2014), em 1965, Celly recusou a proposta de dois milhões de cruzeiros, feita pelo empresário Marcos Lázaro, para estrelar o programa, juntamente com os cantores Roberto e Erasmo Carlos, que estavam também no auge do sucesso.
Em 2024, foi lançada outra biografia da cantora: “Garota fenomenal – Celly Campello e o nascimento do rock no Brasil”, escrita por Gonçalo Junior e Dimas Oliveira Junior e lançada pela editora Noir.
O livro foi escrito a partir de entrevistas com os irmãos Nelson Filho e Tony Campello e do viúvo Eduardo Chacon, que morreu em 2023.
Em 1968, Celly Campello lançou um LP chamado “Celly“, em homenagem aos 10 anos que estreou na gravadora Odeon.
Mais tarde, no início da década de 1970 a cantora tentou relançar a carreira: apareceu no Hollywood Rock, pioneiro festival de rock no Rio de Janeiro, se apresentando com o irmão Tony Campello. O evento foi filmado para o documentário “Ritmo Alucinante”, lançado em 1975.
Em 1976, Celly voltou aos holofotes graças ao sucesso da telenovela da TV Globo que levou o mesmo nome da sua música de maior projeção: “Estúpido Cupido”, na qual – inclusive – Celly Campello gravou uma participação especial, interpretando ela mesma.
Incentivada pelo sucesso da novela, ela tentou mais uma vez retomar a carreira, chegando a gravar um disco neste mesmo ano e fazendo alguns espetáculos. Depois do término da novela, a cantora ainda gravou – nos três anos seguintes – uma série de compactos simples e duplos pela gravadora RCA, com versões de sucessos internacionais do fim dos anos 70.
Além de sua participação na novela “Estúpido Cupido”, Celly Campello também fez outras participações no cinema:
- Em 1959, participou do filme “Jeca Tatu”, escrito e dirigido por Milton Amaral, e estrelado por Mazzaropi, no qual – ao lado do irmão Tony Campello – interpretou a balada “Tempo para Amar”, de Fred Jorge e Mário Genari Filho.
- Em 1960 também fez uma participação musical no filme “Zé do Periquito” , estrelado e dirigido por Mazzaropi.
Em 1996, Celly Campello detectou um câncer de mama. Com a operação, pareceu curada. Dois anos depois, a doença voltou a atingir o pulmão. Celly faleceu em 4 de março de 2003, aos 60 anos. Nesta semana, a pioneira do rock no Brasil completaria 84 anos.


