Morte súbita em jovens: por que isso acontece e o que pode ser feito

Bruna Henares
14:50 22.04.2026
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Bruna Henares

Cardiologista
Saúde

Morte súbita em jovens: por que isso acontece e o que pode ser feito

Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registra cerca de 300 mil casos por ano

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- 22.04.2026 - 14:50
Morte súbita em jovens: por que isso acontece e o que pode ser feito
Foto: Divulgação.

Casos recentes noticiados na mídia, incluindo mortes súbitas em jovens e atletas, voltaram a chamar atenção para um tema que sempre gera a mesma pergunta: por quê?

A sensação é de algo inesperado. A frase mais comum é “não tinha nada”. Mas, na prática, muitas vezes existia sim uma condição por trás, ainda não diagnosticada.

Outro ponto que confunde é a forma como isso aparece nos laudos e nas notícias. “Parada cardiorrespiratória” não é causa de morte. Toda morte evolui assim. O essencial é entender o que levou a esse desfecho.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registra cerca de 300 mil casos por ano. Na maioria das situações, a origem é cardíaca, geralmente por arritmias graves.

Abaixo dos 35 anos:

Nessa faixa etária, o mais comum são doenças do próprio coração ou alterações genéticas que aumentam o risco de arritmias graves.

Entre as principais causas:

  • Miocardiopatia hipertrófica
  • Anomalias das artérias coronárias
  • Síndrome de Brugada
  • Displasia arritmogênica do ventrículo direito
  • Síndrome do QT longo

Muitas dessas doenças podem não dar sinais claros antes de um evento mais grave.

Alguns fatores podem funcionar como gatilho, mesmo em quem parece saudável:

  • Uso de anabolizantes
  • Drogas ilícitas

Depois dos 35 anos: muda o padrão

A principal causa passa a ser a doença coronariana, o infarto agudo do miocárdio.

E aqui está um ponto importante: os fatores de risco são silenciosos.

  • Colesterol alto
  • Tabagismo
  • Hipertensão arterial
  • Diabetes mellitus
  • Obesidade

Na maioria das vezes, não causam sintomas.

Quem vê cara, não vê o coração literalmente.

Fake news também entram nessa história

Em momentos como esses, é comum surgirem associações equivocadas.

Uma delas é a idéia de que morte súbita ou infarto teriam relação com vacinação. Isso não procede.

Não existe evidência de que vacinas causem morte súbita em jovens.

Pelo contrário, a vacinação faz parte da prevenção em saúde e também tem impacto cardiovascular.

Veja também:

A Sociedade Europeia de Cardiologia inclui a vacinação como o quarto pilar da prevenção cardiovascular, ao lado do controle da hipertensão arterial, do colesterol e do diabetes.

A recomendação envolve principalmente a imunização contra:

  • Gripe
  • Covid-19
  • Pneumonia
  • Herpes zoster

Infecções aumentam inflamação, descompensam doenças crônicas e podem precipitar eventos cardiovasculares. Prevenir essas infecções também é proteger o coração.

Nem toda parada cardiorrespiratória é morte A parada cardiorrespiratória pode ser reversível.

Quando o atendimento é rápido, com reanimação cardiopulmonar e uso do desfibrilador, existe chance de reversão.

A cada 1minuto sem atendimento, a chance de sobrevida cai cerca de 10%, em 10 minutos pode ser fatal.

Por isso, treinamento da população e acesso a desfibriladores em locais públicos fazem diferença.

O que pode mudar esse cenário

Histórico familiar, sintomas como desmaio, palpitação ou dor no peito precisam ser valorizados.

A avaliação cardiológica, principalmente antes de atividade física, é fundamental.

Morte súbita em jovens assusta, mas na maioria das vezes não acontece sem motivo.

E tem um ponto importante:
isso pode ser prevenido.

Cuidar da saúde, investigar fatores de risco e fazer acompanhamento muda a história. E pode começar hoje.

Já fez seu check up neste ano?

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Bruna Henares

Cardiologista pelo Instituto do Coração- InCor ( HC- FMUSP), Cardiologista do Centro de Acompanhamento da Saúde e Check up do Hospital Sírio Libanês, Médica Pesquisadora na Unidade de Lípides do Instituto do Coração- InCor ( HC- FMUSP), MBA Executivo em Gestão de Saúde da FGV ( Fundação Getúlio Vargas) e Doutoranda pela USP.

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