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Envelhecer com autonomia: o desafio urgente que o Brasil não pode mais adiar
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Envelhecer com autonomia: o desafio urgente que o Brasil não pode mais adiar
Com o avanço da população idosa, país precisa sair do discurso e investir em políticas públicas que garantam saúde, dignidade e independência para quem está envelhecendo
O Brasil está envelhecendo — e rápido. De acordo com o IBGE, 32,1 milhões de brasileiros já têm 60 anos ou mais, o que representa 15,6% da população. Esse número aumentou 56% desde 2010, e as projeções indicam que, até 2070, os idosos representarão 37,8% da população. Isso significa que, em poucas décadas, haverá mais idosos do que jovens no país. Diante desse cenário, a pergunta que se impõe é clara: estamos preparados para garantir qualidade de vida a essa população?
Velhice ainda é vista como problema, não como valor
Para a geriatra Julianne Pessequillo, o Brasil ainda trata o envelhecimento de forma reativa, lidando apenas com as consequências da velhice, e não com sua prevenção. “Envelhecer com autonomia é muito mais do que realizar tarefas básicas sem ajuda. É poder decidir sobre a própria vida, manter-se ativo socialmente, acessar serviços com dignidade e continuar participando da comunidade”, afirma.
Embora a longevidade tenha aumentado, muitos idosos enfrentam barreiras diárias para viver de forma independente. A lista é longa: doenças crônicas, limitações físicas e cognitivas, isolamento social, moradias inadequadas, transporte urbano excludente e serviços de saúde despreparados para atender às especificidades dessa fase da vida.
Falta de políticas públicas amplia a vulnerabilidade
Mesmo com o Estatuto do Idoso em vigor desde 2003, as políticas públicas ainda não acompanham a velocidade do envelhecimento da população. Muitos municípios sequer possuem Conselhos do Idoso ou planos locais de atenção à velhice. “Sem investimentos em infraestrutura, saúde adaptada, centros de convivência e transporte acessível, a autonomia dos idosos fica comprometida”, alerta a médica.
A ausência de cuidado estruturado empurra milhares de idosos para a institucionalização precoce ou a dependência de familiares sobrecarregados. Isso gera um ciclo de vulnerabilidade, onde o envelhecimento se torna sinônimo de exclusão social, hospitalizações recorrentes e perda de dignidade.

Autonomia deve ser tratada como direito, não privilégio
Segundo a especialista, é urgente implementar políticas de longo prazo que ultrapassem gestões e disputas políticas. “A atenção primária à saúde precisa ser fortalecida com foco em geriatria e gerontologia. Precisamos de programas de prevenção de quedas, estímulo à atividade física e atenção à saúde mental”, reforça.
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Além disso, iniciativas como as chamadas “cidades amigáveis para idosos”, formação de cuidadores, suporte a famílias e inclusão digital dos mais velhos são estratégias essenciais para combater o isolamento e garantir cidadania plena.
“Envelhecer não é adoecer nem perder valor social. O envelhecimento é uma conquista da humanidade — e deveria ser motivo de celebração e planejamento coletivo”, conclui Julianne Pessequillo.
O Brasil ainda tem tempo para mudar o curso dessa história. Mas as decisões precisam ser tomadas agora. Afinal, todos nós estamos envelhecendo — e o futuro de cada um depende das escolhas feitas hoje.
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