Cirurgia bariátrica em adolescentes: avanço terapêutico ou decisão precoce?

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14:00 14.10.2025
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Cirurgia bariátrica em adolescentes: avanço terapêutico ou decisão precoce?

Indicada apenas em casos graves, a cirurgia exige avaliação rigorosa, preparo nutricional e apoio psicológico contínuo para ter bons resultados na juventude

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- 14.10.2025 - 14:00
Cirurgia bariátrica em adolescentes: avanço terapêutico ou decisão precoce?
Foto: Divulgação.

A obesidade grave na adolescência é uma realidade crescente no Brasil, com impacto direto sobre a saúde física e emocional dos jovens. Dados do IBGE mostram que cerca de 25% dos adolescentes estão acima do peso, e parte significativa já apresenta obesidade em grau avançado. Diante da falha de tratamentos clínicos isolados, a cirurgia bariátrica tem surgido como uma alternativa possível a partir dos 14 anos — mas nunca sem cautela.

“É uma intervenção potente, mas que exige estrutura, critério e acompanhamento interdisciplinar desde o início”, afirma Karoline Albini Schast, nutricionista e professora do curso de Nutrição do Centro Universitário Internacional Uninter. Segundo ela, a cirurgia não deve ser vista como atalho, mas como último recurso para casos em que o excesso de peso ameaça o desenvolvimento saudável do adolescente.

Critérios rígidos e riscos nutricionais a longo prazo

A indicação é feita para adolescentes com IMC acima de 40, ou acima de 35 quando há doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão ou dislipidemias. É essencial que o paciente já tenha alcançado a maturidade esquelética e demonstre capacidade de aderir a mudanças de longo prazo. “A cirurgia em si não resolve tudo. É preciso avaliar o histórico do jovem, o suporte da família e principalmente o grau de comprometimento com a nova rotina alimentar e emocional que o procedimento exige”, explica Karoline.

Os riscos não são apenas cirúrgicos. Deficiências nutricionais de ferro, cálcio, vitamina A e B12 são comuns após a bariátrica e requerem suplementação rigorosa. “Na adolescência, a vulnerabilidade é ainda maior, porque o corpo ainda está em formação e o comportamento alimentar pode ser instável”, alerta a especialista.

Foto: Divulgação.

Equipe multidisciplinar é chave para o sucesso

Para Karoline, o acompanhamento por nutricionista e psicólogo é tão importante quanto o ato cirúrgico. “Trabalhar a relação do jovem com a comida, apoiar a adaptação no pós-operatório e envolver a família no processo são fatores que determinam o sucesso a longo prazo”, reforça. O ambiente doméstico, segundo ela, tem papel decisivo nos hábitos alimentares e na adesão ao tratamento.

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A introdução da cirurgia bariátrica como estratégia possível para adolescentes representa um avanço, mas exige responsabilidade. “Não se trata de uma solução mágica. É uma ferramenta poderosa, mas só quando bem indicada, acompanhada e conduzida com cuidado humanizado e contínuo”, conclui Karoline.

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