2025 pode ser o ano da virada contra o HIV no Brasil, diz infectologista

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17:08 08.12.2025
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Saúde

2025 pode ser o ano da virada contra o HIV no Brasil, diz infectologista

Avanços em testes, tratamentos e prevenção aproximam o país de frear a transmissão; desafio é ampliar o diagnóstico precoce e transformar ciência em políticas

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- 08.12.2025 - 17:08
2025 pode ser o ano da virada contra o HIV no Brasil, diz infectologista
2025 pode ser o ano da virada contra o HIV no Brasil, diz infectologista

Com 46,5 mil novos casos de HIV registrados em 2023 e mais de 1,1 milhão de pessoas vivendo com o vírus no Brasil, o país entra em 2025 com um arsenal inédito para virar o jogo. A avaliação é do infectologista Roberto Muniz Junior, diretor técnico da Santa Casa de São Carlos, autor do artigo que embasa esta reportagem.

Apesar dos números ainda altos, ele vê um cenário de virada, desde que a população teste com frequência e tenha acesso rápido ao cuidado. “E é justamente aqui que surge a contradição de 2025: nunca tivemos tantas ferramentas eficazes”, afirma.

Segundo o médico, a testagem ficou mais acessível e as terapias antirretrovirais evoluíram, “muitas vezes reduzidas a uma única pílula diária”. Na prevenção, “novos medicamentos de prevenção, aplicados a cada dois meses, estão em avaliação para incorporação ao SUS, prometendo mais comodidade e proteção”.

Indetectável não transmite

Um dos recados centrais para 2025 é o princípio já comprovado pela ciência: “indetectável = intransmissível”. “Quando a pessoa em tratamento mantém carga viral suprimida, ela não transmite o vírus. Isso redefine relações, reduz estigma e transforma a saúde pública”, diz Muniz Junior.

Nas gestantes, ampliar testes e acelerar o início do tratamento segue sendo prioridade. “A transmissão vertical, hoje abaixo de 2%, mostra progresso, mas ainda exige atenção constante”, reforça.

Cura: do possível ao funcional

O médico destaca que a busca pela cura vive uma fase sem precedentes. Casos raros após transplante de medula indicam que “eliminar o HIV é biologicamente possível”. Ao mesmo tempo, anticorpos amplamente neutralizantes, edição genética e terapias imunológicas avançam mirando os reservatórios do vírus.

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A aposta mais próxima, porém, é a chamada cura funcional, quando o vírus permanece controlado sem remédio diário e sem risco de transmissão. “Se confirmada em larga escala, essa possibilidade revolucionará a vida de milhões, reduzindo dependência de medicamentos e ampliando bem-estar”, projeta.

Da esperança à ação

Para o infectologista, informação e acesso ao cuidado são decisivos. “Viver com HIV hoje não é sentença, e sim uma condição crônica manejável — desde que haja informação, responsabilidade e empatia”, afirma.

Ele resume o caminho para a virada: “A eliminação da AIDS como problema de saúde pública não virá apenas da esperança, mas da ação: testagem ampla, diagnóstico precoce, tratamento universal e manutenção da supressão viral.” E conclui: “2025 pode – e deve – ser o ano da virada definitiva”.

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