Viva João Ricardo e seu Sangue Latino! Feliz aniversário!

Novabrasil
10:30 21.11.2022
Jornalismo

Viva João Ricardo e seu Sangue Latino! Feliz aniversário!

Hoje é aniversário do cantor João Ricardo, o principal compositor do antológico grupo Secos & Molhados. João Ricardo nasceu em Portugal e foi radicado no Brasil Nascido em Portugal e radicado no Brasil, João Ricardo foi fortemente influenciado pelo rock’n roll desde cedo, em especial o rock francês, além de Elvis Presley. A partir de … Continued

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- 21.11.2022 - 10:30
Viva João Ricardo e seu Sangue Latino! Feliz aniversário!
João Ricardo se preparando, em tempos de banda Secos & Molhados | Foto: Divulgação.

Hoje é aniversário do cantor João Ricardo, o principal compositor do antológico grupo Secos & Molhados.

João Ricardo, principal compositor da banda Secos & Molhados, completa 73 anos hoje | Foto: João Ricardo.

João Ricardo nasceu em Portugal e foi radicado no Brasil

Nascido em Portugal e radicado no Brasil, João Ricardo foi fortemente influenciado pelo rock’n roll desde cedo, em especial o rock francês, além de Elvis Presley. A partir de 1963, conheceu aqueles que viriam a determinar a sua opção pela música: The Beatles

Entrou em contato com a música brasileira escutando de Miltinho e Doris Monteiro, discos que seu pai tinha em casa. Quando mudou-se para o Brasil – aos 15 anos, em 1964 – conheceu de perto a Jovem Guarda.

João começou escrevendo letras para músicas de um vizinho que o levou a aprender violão para fazer as suas próprias. A partir dos 17, compôs algumas das músicas que viriam a se tornar clássicos dos Secos & Molhados e, consequentemente, da MPB.

João Ricardo se preparando, em tempos de banda Secos & Molhados | Foto: Divulgação.

A história da banda Secos e Molhados

Chegou a fazer um programa de televisão na TV Bandeirantes e trabalhou como jornalista no Diário Popular, na TV Globo e no jornal Última Hora, onde teve contato com personagens do teatro brasileiro por causa de seu pai, crítico de teatro. 

Em 1970, passando umas férias em Ubatuba, João Ricardo passa por um armazém que tem uma placa escrito “Secos e Molhados” – que era comum para mercearias ou mercados que vendiam tanto secos (grãos e farinhas), quando molhados (azeite, óleos e bebidas). João decidiu então dar este nome para a sua banda, que ainda contava apenas com ele mesmo.

Em 1971, conhece Pitoco, Fred e Ney Matogrosso. Depois de alguns meses, agrega Gérson Conrad ao grupo

Em 1971, ele conhece Antonio Carlos, Pitoco, (viola de 10 cordas) e Fred (bongô), e com seu violão de doze cordas e harmônica de boca, completa a banda. A primeira apresentação acontece no bar Kurtisso Negro, no bairro do Bixiga, em São Paulo. 

Com essa formação chegam a ser convidados para gravar por Solano Ribeiro, diretor e criador dos maiores festivais de música no país, na gravadora Som Livre, mas Pitoco resolve continuar carreira solo.

Em outro dia, a cantora e compositora Luhli – com quem João viria a compor alguns dos maiores sucessos da banda – apresentava-se no mesmo Kurtisso Negro. Foi ela quem sugeriu para João Ricardo um vocalista do jeito que procurava (com uma voz masculina aguda, que se encaixava perfeitamente nas canções que ele já havia composto). Esse vocalista era do estado do Mato Grosso, mas morava no Rio de Janeiro: Ney de Souza Pereira, futuro Ney Matogrosso

Ainda no mesmo ano, Ney muda-se para São Paulo e eles gravam a música Vôo, para uma peça de Antunes Filho. Depois de alguns meses, Gérson Conrad, vizinho de João Ricardo, entra no grupo.

Com essa formação, Secos & Molhados durou dois meteóricos anos

O Secos & Molhados com essa formação mais famosa durou dois meteóricos anos e – com eles – João Ricardo lançou dois discos de muito sucesso.

Secos & Molhados foi uma das bandas mais importantes da história do nosso país, e trouxe algo completamente inovador, apesar de ter influências tanto do rock’n roll quanto da MPB – principalmente da Tropicália – do pop psicodélico, do folk e de elementos rítmicos da música latina. Apesar do curto período de duração, a banda transformou-se em um fenômeno de público e crítica.

Com seu visual andrógeno – uma novidade para o Brasil da época – suas maquiagens e figurinos super modernos, a performance da banda impressionava além da qualidade vocal e musical, mas também na atitude no palco.

Foram um dos primeiros a trazer o estilo chamado glam rock pro Brasil

Foram um dos primeiros a trazer o estilo chamado glam rock pro Brasil – muito comum na Inglaterra e popularizado por David Bowie – marcado por roupas extravagantes, pela androginia e por performances teatrais com muitos trajes futuristas, esbanjando energia sexual.

O grupo surgiu em meio a um tempo de repressão da ditadura militar no Brasil, com o cerceamento das liberdades democráticas, de expressão e das criações libertárias. Suas canções trazem também temas como a liberdade, pautas sociais e a paz, servindo como um respiro de alívio e esperança para o sufocamento vivido na época.

Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad no grupo Secos & Molhados | Foto: Divulgação editora Tordesilhas / Ary Brandi

O primeiro disco do Secos & Molhados, de 1973, vendeu mais de um milhão de cópias

O primeiro disco do Secos & Molhados, com título homônimo, de 1973, vendeu mais de um milhão de cópias e  une a poesia de grandes autores com canções do folclore português e de tradições brasileiras.

O álbum conta com várias composições de João Ricardo, como os mega sucessos:

  • O Vira;
  • Fala (essa e a anterior em parceria com Luhli);
  • Assim Assado;
  • Sangue Latino (parceria com Paulinho Mendonça);
  • Amor (parceria com seu pai, o poeta João Apolinário);
  • Mulher Barriguda (parceria com Solano Trindade);
  • e Róndo do Capitão (versão do artista para o poema de Manuel Bandeira).

Além delas, o disco traz o sucesso Rosa de Hiroshima, versão de Gérson Conrad para o poema de Vinicius de Moraes.

Veja também:

O quinto maior álbum da história da música popular brasileira

O primeiro álbum do Secos & Molhados mudou para sempre a história da MPB e é considerado pela Revista Rolling Stone Brasil como o quinto maior álbum da história da música popular brasileira.

Também está na lista dos 250 álbuns essenciais de todos os tempos de rock latino, elaborada pela revista norte-americana Al Borde.

Considerado uma obra-prima, criativo e experimental, o disco e a banda possibilitaram uma reinvenção da música pop nacional e sua estética traz algo que nunca existiu igual na música brasileira, nem antes, nem depois dos Secos & Molhados.

O álbum também foi lançado em Portugal, no México e na Argentina. Em 1997, com o relançamento do LP em formato CD, as mais de 250 mil cópias vendidas levaram o álbum a receber certificação de Disco de Platina.

Em 1974, a banda lançou o seu segundo disco

Em 1974, a banda lançou o seu segundo disco, Secos & Molhados, na mesma linha do anterior, mesclando estilos e influências diversas e trazendo adaptações de poemas.

Entre as principais canções estão:

  • Flores Astrais (versão de João Ricardo para o poema de seu pai, João Apolinário);
  • Não Não Digas Nada (versão de João para o poema de Fernando Pessoa);
  • e O Hierofante (também versão do artista para o poema de Oswald de Andrade).

Neste mesmo ano, fizeram um show no Maracanãzinho que bateu todos os índices de público do local e atingiu a lotação máxima de 30 mil pessoas, deixando outras 90 mil do lado de fora. O registro ao vivo desse show foi lançado em disco, em 1980.

Também em 1974, o grupo saiu em turnê internacional. Logo em seguida ao lançamento desse disco, o grupo se separou e seus integrantes saíram em carreira solo. 

João Ricardo lançou dois discos solo (em 1975 e 1976)

João Ricardo lançou dois discos solo (em 1975 e 1976), antes de voltar com os Secos & Molhados – tendo na nova formação Lili Rodrigues, Wander Taffo, Gel Fernandes e João Ascensão.

O terceiro disco da banda – A Volta dos Secos & Molhados lançado em 1978 – traz a composição de João Ricardo, Que Fim Levaram Todas as Flores?, canção mais executada no Brasil naquele ano.

Depois disso, João Ricardo ainda lançou mais três discos solo ao longo da carreira e se reuniu algumas outras vezes com formações diferentes para celebrar os Secos & Molhados.

Parabéns, João Ricardo!

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