“Precisamos pensar de maneira muito mais cuidadosa a exploração dos minerais raros”, alerta socióloga

Camilo Mota
09:58 21.08.2024
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“Precisamos pensar de maneira muito mais cuidadosa a exploração dos minerais raros”, alerta socióloga

Em entrevista ao Jornal Novabrasil, Marijane Lisboa chama a atenção para os impactos das novas fontes de energia, que, segundo ela, continuarão a trazer impactos para a Natureza e comunidades

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- 21.08.2024 - 09:58
“Precisamos pensar de maneira muito mais cuidadosa a exploração dos minerais raros”, alerta socióloga
Atividades de mineração de lítio no norte da Argentina, um dos países ricos em reservas do mineral, também na mira das grandes potências. Foto: Nasa/FotosPúblicas.

Cobre, Níquel, Nióbio e lítio estão na mira da chamada “transição energética”. Os minerais, chamados “críticos”, compõem as placas solares, geradores eólicos e baterias dos carros elétricos, e disponíveis em reservas no Brasil. Nos últimos 10 anos, os investimentos em pesquisa no setor mais que dobraram, enquanto a mineração avançou 40%, mesmo depois dos desastres de Mariana e de Brumadinho.

Apesar de apontado como caminho alternativo para a exploração dos combustíveis fósseis, os uso desses minerais significam maior exploração ambiental e aumento dos conflitos envolvendo comunidades locais e as grandes mineradoras.

Ao jornalismo Novabrasil, a socióloga e professora do curso de Ciências Socioambientais da PUC-SP, o 2º do Brasil na área, alerta para os problemas que serão causados pelo avanço da mineração, e, com isso, da exploração ambiental:

“Não é possível [fazer mineração sem impactos ambientais], porque requer muita água, que vai ser poluída. Ela vai gerar uma quantidade de rejeitos enrome, que se não muito bem cuidados, vão causar estragos monstruosos como foi o caso de Brumadinho e Mariana. Depois desses dois casos, a Agência Nacional de Mineração (ANM) averiguou quantas dessas barragens estão em risco. Temos uma com rejeitos de urânio, em Poços”, pontua.

Impactos

Atualmente, o Brasil tem 937 barragens de mineração, sendo 468 com algum grau de risco de rompimento, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) do boletim do governo sobre o mês de julho de 2024. A professora ressalta que é preciso repensar a forma e a escala de se extrair esses minerais:

“Água, usada em grandes quantidades, vai deixar comunidades, residentes pertos sem água. Poluição, acidentes causados como em Mossoró. A mineração é uma atividade muito complicada do ponto de vista ambiental. Não é que não devamos fazer, mas deveríamos reduzi-la àquilo que seja absolutamente indispensável, aproveitar e reciclar ao máximo os minerais que já foram retirados da terra”, aponta.

Se em uma década o país avançou em 50% com a atividade minerária, grande parte dessa produção vai para o exterior, alimentando outros países.

Veja também:

Marijane questiona se aumentar a produção é mais importante do que cuidar dos biomas dentro do Brasi:

“É o caso de ficar exportando [minerais] como fez durante toda a sua história?” – como no caso da cana de açúcar [Século XVII]… Ouro [Século XVIII]… Café [Século XX], e atualmente ferro? Ou, deveríamos pensar em cuidar e usá-los de maneira mais moderada? Porque eles também acabam. As novas fontes de energia são renováveis do ponto de vista de quem as produz”, enfatiza.

Enquanto isso, o Reino Unido firmou parceria com o Brasil para pesquisas em mineração e os Estados Unidos sinalizaram interesses no fornecimento dos minerais.

Em resposta, o governo brasileiro anunciou neste ano que o fundo de incentivo à mineração com foco na transição energética no valor de R$ 1 bilhão. Já as mineradoras se mobilizam para aprovar na Câmara dos Deputados o projeto de lei 2780/2024, que desonera minerais críticos.

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