#1 ForasDeSérie | TIM MAIA: a trajetória do Rei do Soul Brasileiro

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12:00 27.11.2022
Música

#1 ForasDeSérie | TIM MAIA: a trajetória do Rei do Soul Brasileiro

Tim Maia foi um dos artistas mais importantes da história brasileira, sendo responsável por trazer ao Brasil uma música voltada para o soul music que mesclava o groove, o jazz e o R&B com gêneros tipicamente brasileiros como o MPB e o samba. A sua contribuição foi muito relevante e desde de sua morte nenhum … Continued

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- 27.11.2022 - 12:00
#1 ForasDeSérie | TIM MAIA: a trajetória do Rei do Soul Brasileiro
Tim Maia no Foras de Série. | Foto: Produção interna.

Tim Maia foi um dos artistas mais importantes da história brasileira, sendo responsável por trazer ao Brasil uma música voltada para o soul music que mesclava o groove, o jazz e o R&B com gêneros tipicamente brasileiros como o MPB e o samba. A sua contribuição foi muito relevante e desde de sua morte nenhum artista teve a magnitude de Tim Maia em termos de soul music. 

Mas, mais que a sua contribuição musical, a história de Tim Maia tem uma trajetória que merece ser mostrada pois reflete que havia uma pessoa humana que venceu vários obstáculos por trás de um artista tão grande quanto ele.

Tim Maia foi um dos grandes nomes do soul brasileiro
Tim Maia foi um dos grandes nomes do soul brasileiro. | Foto: timmaia.com.br.

80 anos de Tim Maia

Sebastião Rodrigues Maia nasceu no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, no dia 28 de setembro de 1942, ou seja, completaria 80 anos neste ano de 2022 se ainda estivesse vivo, pois faleceu em 1998, com 56 anos de idade. Ele era o décimo oitavo filho de Altino e Maria Imaculada Maia e viria a ser um dos artistas brasileiros mais importantes de toda a história. 

Sebastião, que mais tarde adotaria o nome artístico de Tim, não teve uma infância luxuosa, muito pelo contrário, ele trabalhou desde cedo ajudando os seus pais a vender marmitas no bairro que ele morava. Mesmo estando envolvido com música desde a infância, sua identidade musical só despertou depois dele ter ido para os Estados Unidos, aos seus 17 anos. 

Tim Maia faz parte da importante geração de 1942, formada por artistas que também nasceram neste mesmo ano, são eles: Caetano Veloso, Clara Nunes (que faleceu em 1983), Gilberto Gil, Milton Nascimento, Nara Leão (que veio a óbito em 1983), Nei Lopes e Paulinho da Viola

A história de Tim Maia é muito interessante e verdadeira digna de cinema (tanto que já foi). Por isso, é muito legal que os apreciadores da voz do Descobridor dos Sete Mares saibam mais sobre quais foram os acontecimentos responsáveis por formar o grande artista que ele era.

Tim Maia quando criança, o pequeno Tião
Tim Maia quando criança, o pequeno Tião. | Foto: timmaia.com.br.

Início da carreira

A história de Tim Maia com a música começa em uma igreja localizada no bairro da Tijuca, onde o cantor nasceu. Ele fazia parte do coral e se apresentava lá com bastante frequência, surpreendendo os ouvintes com sua enorme potência vocal. Foi nessa igreja que nasceu o primeiro grupo criado por Tim, o Tijucanos do Ritmo

Algum tempo depois, Tim Maia deu um passo a mais no mundo da música com um outro grupo fundado por ele, os Sputniks. Além de Tião, o grupo era composto por ninguém menos que Roberto Carlos, além de Arlênio Lívio, Edson Trindade, e Wellington Andrade. O grupo acabou após um desentendimento entre o Tim e Roberto Carlos

Depois disso Tim foi para os Estados Unidos e só retornou ao Brasil devido a uma prisão que ocorreu em terras estrangeiras. Novamente em solo brasileiro, Tim começou a trabalhar como guia turístico e voltou para o meio musical estando em uma produtora e era compositor de artistas como o antigo companheiro de grupo Roberto Carlos e Erasmo Carlos, amigo de infância de Tim.

Para conseguir um emprego tão notório quanto este da produtora, Tim procurou por Roberto Carlos após ficar sabendo do tremendo sucesso que ele estava fazendo. Após um tempo de procura, o cantor encontrou Nice, então esposa de Roberto na época, e contou para ela a história dos dois. Nice conversou com Roberto e ele gravou Não Vou Ficar, música de Tim Maia, fazendo com que ele retornasse para o movimento musical. 

Em 1970 Tim Maia resolveu voltar para os microfones e lançou o seu primeiro EP, que recebeu o nome de Tim Maia. A partir daí, o cantor foi fazendo cada vez mais sucesso e foi construindo o seu nome e sua fama. 

Músicas de sucesso

Tim Maia marcou para sempre a música brasileira como precursor do soul music, sendo, até hoje, o nome mais importante dentro desse segmento. Tim era um artista completo: ele compunha, cantava e interpretava muito bem. Em suas canções, havia uma mistura muito boa entre o soul, o MPB, o samba e até umas pitadinhas de rock.

O cantor tem uma gama gigantesca de músicas que fizeram bastante sucesso. É praticamente impossível não cantar junto com Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar), de 1971 ou Ela Partiu, de 1977 ou descobrir uma nova forma de melancolia ouvindo Azul da Cor do Mar, de 1970.

https://www.youtube.com/watch?v=FmMleq61iJ4

Outras músicas notáveis pelo sucesso cantadas por Tim Maia são: Não Vou Ficar, de 1968, Sossego, de 1978, Você e eu, eu e você (Juntinhos), de 1980, Do Leme ao Pontal, de 1981, Vale Tudo de 1983 e a mistura perfeita entre samba e groove Réu Confesso, de 1973. Comparando as datas de lançamento das músicas de maior sucesso, é notável que Tim teve seu ápice de composição nos anos 70. 

Um outro aspecto interessante do sucesso de Tim Maia como artista está no fato dele conseguir transformar uma música que não era de autoria própria em algo categoricamente e indiscutivelmente dele. Descobridor dos Sete Mares, por exemplo, 1983, foi escrita por Michel e Gilson Mendonça. Me Dê Motivo, do mesmo ano, é de Michael Sullivan e Paulo Massadas e a incrível Gostava Tanto de Você, de 1973, foi composta por Edson Trindade.

Tim Maia nos EUA

Tim Maia embarcou para os Estados Unidos de forma ilegal no ano de 1959, quando o seu pai veio a falecer, ele tinha 17 anos na época. O cantor foi para o estado de Nova York e tinha uma missão em mente: encontrar uma antiga freguesia que comprava marmitas de sua família, a Sra. Cardoso. 

A amiga da família morava em sua cidade, chamada Tarrytown, que fica em Nova York. Ela era casada com um americano e tinha um filho que, curiosamente, tinha nascido no mesmo dia e ano que Tim Maia. O cantor foi bem recebido na casa dessa senhora e passou, no total, 2 anos morando com a família. Após esse tempo, Tim decidiu ir para a grande Nova York com alguns amigos. 

Quando Tim chegou na cidade de Nova York, ele passou a trabalhar em diferentes locais para conseguir se sustentar. Há indícios que o cantor já entregou pizzas, trabalhou em uma lanchonete (e foi demitido após ser levado para a delegacia roubando um chocolate de um mercadinho) e até em asilo. Durante esse tempo, Tim morou em mais de 15 lugares diferentes, chegando até a passar um tempo na rua. 

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Mesmo com essa fase conturbada, o período que Tim passou nos Estados Unidos foi essencial para a construção de sua identidade enquanto compositor e artista. Ele frequentava periodicamente locais que tocavam músicas de jazz, R&B e principalmente soul music, que o viria a marcar como cantor.

Tim Maia na bateria
Tim Maia na bateria. | Foto: timmaia.com.br.

Lá nos Estados Unidos Tim também teve um grupo musical que se chamava The Ideals. Uma curiosidade interessante é que os americanos não conseguiam pronunciar Tim e muito menos Tião, por isso, chamavam o cantor de Jim ou de Jimmy e ele era conhecido na cena como Jimmy, The Brazilian.

O outro lado da fama

Por trás de uma figura tão importante para a música brasileira quanto Tim Maia, sempre existe uma história interessante (e conturbada, na maioria das vezes) que também vale a pena ser conhecida. No caso de Tim Maia, essa história já foi explorada algumas vezes por filmes, séries, documentários e até musicais.

É crucial ter a percepção de que os altos e baixos na vida de Tim Maia fizeram ele ser o grande artista que ele era, principalmente durante a fase que o cantor passou dos Estados Unidos. A primeira vez que Tim foi preso de verdade foi em terras norte-americanas. Ele e alguns amigos estavam roubando gasolina em um posto e foram presos. 

Essa prisão foi o fim dos cinco anos que Tim Maia passou nos Estados Unidos. O artista ficou preso lá por aproximadamente 6 meses e depois foi deportado para o Brasil. Vindo para cá, Tim passou por mais uma prisão: ele foi pego roubando uma mesa e cadeiras de uma casa. 

Houve também uma época em que Tim se internou em uma clínica de reabilitação para conseguir entrar em seu peso ideal, entretanto, isso não se manteve por muito tempo. 

Além do tempo que Tim passou na clínica de reabilitação, o cantor procurou se livrar dos excessos quando conheceu o filósofo Manoel Jacintho e entrou em um movimento chamado Imunização Racional que pregava que seus integrantes não poderiam beber, fumar, usar drogas e comer carne e eles deveriam usar somente a cor branca. Entretanto, a sua participação durou pouco, cerca de 2 meses. 

O vício do cantor em algumas drogas fazia com que ele acabasse faltando alguns shows ou não conseguindo completar os seus espetáculos. Isso fez com que ele recebesse uma série de processos de produtores, sendo até condenado por alguns. 

Fim da carreira

O final da carreira de Tim Maia seguiu o caminho contrário da grandeza que Tim Maia representava. Em seus últimos shows, dava para notar que o cantor não estava bem nem psicologicamente nem fisicamente. Além das apresentações faltadas, o cantor estava visivelmente cansado, já não tinha o mesmo fôlego e chegava a ser até mais ríspido com pessoas ao redor.

Até que chegou o dia 8 de março de 1998. Tim Maia estava no Teatro Municipal de Niterói gravando um show que seria transmitido pelo canal pago Multishow. Ainda na primeira música, o cantor simplesmente caiu. Ele foi levado imediatamente para o corpo de bombeiro e, de lá, foi para o Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói. 

Ao chegar no hospital, Tim teve uma parada cardiorrespiratória e foi colocado em coma induzido. Alguns dias depois, no dia 16 de março, Tim veio a falecer. O motivo do óbito foi um choque séptico, que ocorreu devido a uma infecção generalizada. 

Quando Tim Maia chegou ao hospital, ele estava com crise hipertensiva, edema agudo de pulmão, instabilidade metabólica e de pressão e infecção pulmonar, consequências diretas dos excessos do cantor em questão de bebidas, drogas, cigarros e uma dieta não balanceada. 

Tim Maia teve uma carreira brilhante e sua música deve ser reconhecida, ouvida e celebrada diante da importância que ela teve para o cenário cultural brasileiro e a carga identitária para as pessoas pretas contida em cada um dos versos cantados por este incrível artista.

Essa é a primeira matéria do FORAS DE SÉRIE Especial Tim Maia. Amanhã, às 12h, você vai relembrar os 5 maiores sucessos de Tim Maia.

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