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Sabotage, Buchecha, Supla e Zé Renato estão em festa

Lívia Nolla
10:06 01.04.2024
Música

Sabotage, Buchecha, Supla e Zé Renato estão em festa

Novabrasil preparou uma série especial para homenagear cada um deles

Lívia Nolla - 01.04.2024 - 10:06
Sabotage, Buchecha, Supla e Zé Renato estão em festa
Sabotage | Foto: Reprodução

Esta é uma semana recheada de aniversariantes que fazem parte da história da nossa música e, por isso, nós da Novabrasil preparamos uma série especial com três matérias para homenagear cada um deles.

Nesta primeira parte, nós trazemos um pouco sobre a vida e a obra de Zé Renato, Buchecha, Supla e Sabotage. Vamos lá?

por Lívia Nolla

Zé Renato (Foto: Beatriz Giacomini/Divulgação)
Zé Renato (Foto: Beatriz Giacomini/Divulgação)

Zé Renato (Boca Livre) – 01 de abril

Nascido José Renato Botelho Moschkovich, em 01 de abril de 1956, em Vitória, no Espírito Santo, o cantor, violonista e compositor Zé Renato mudou-se cedo para o Rio de Janeiro e iniciou a sua trajetória com o Grupo Cantares, com o qual lançou um compacto.

Em 1978, fundou – ao lado de Cláudio Nucci, Maurício Maestro e David Tygel – o quarteto vocal e instrumental Boca Livre, com o qual ganhou projeção nacional e internacional e gravou diversos discos importantes.

Completando 68 anos nesta semana, Zé Renato construiu sua carreira solo paralelamente ao seu trabalho com o Boca Livre, participando individualmente de vários projetos musicais.

Primando pela sofisticação de produção e repertório, consolidou-se no primeiro time de intérpretes brasileiros e algumas de suas composições foram gravadas por artistas como Milton Nascimento, Joyce Moreno, Zizi Possi, Leila Pinheiro, Lulu Santos e MPB-4.

Entre suas principais composições estão as canções: Ânima (com Milton Nascimento); Toada (Na Direção do Dia) (com Cláudio Nucci e Juca Filho); e Quem Tem a Viola (com Cláudio Nucci, Juca Filho e Xico Chaves).

Buchecha — Foto: Divulgação
Buchecha — Foto: Divulgação

Buchecha – 01 de abril

Nascido em São Gonçalo, no dia 01 de abril de 1975, Claucirlei Jovêncio de Souza morou até os nove anos de idade na comunidade de Coronel Leôncio, em Niterói.

De família simples, o cantor e compositor que completa 49 anos nesta semana, teve que parar de estudar aos 13 anos para conseguir trabalhar e ajudar sua família. Antes de alcançar o sucesso como Buchecha, foi camelô, servente de obras e office boy.

Integrou um grupo de pagode, até ser apresentado ao funk carioca pelo amigo de infância Claudinho, com quem formou uma dupla de muito sucesso. Em 1992, quando Buchecha tinha apenas 17 anos, Claudinho o convenceu a participar do 1° Festival de Rap do Clube Mauá. Representando a comunidade do Salgueiro, com a música Rap da Bandeira Branca, Claudinho & Buchecha foram os vencedores do evento.

Em 1995, ainda por insistência de Claudinho, participaram de outro festival, dessa vez com a música Rap do Salgueiro (composição da dupla), e mais uma vez saíram com o primeiro lugar. A partir de então, a dupla Claudinho & Buchecha passou a ser conhecida em todo o país, tornando-se um fenômeno da música brasileira, junto com o seu estilo funk melody.

Logo no disco de estreia, em 1996, Claudinho & Buchecha, alcançaram a marca de um milhão e 250 mil cópias vendidas, emplacando o primeiro sucesso, Conquista (composição de Buchecha) e fazendo shows pelo Brasil inteiro e pelo mundo.

Ao todo, foram seis discos gravados pela dupla, com diversos hits inesquecíveis, como: Nosso Sonho (composição da dupla); Quero Te Encontrar e Só Love (ambas composições de Buchecha); Xereta e Fico Assim Sem Você (ambas de Abdullah e Cacá Morais); Coisa de Cinema (de Cacá Morais, Abdullah e Buchecha).

Infelizmente, um acidente de carro quando voltava de um show da turnê do último disco lançado pela dupla – Vamos Dançar – tirou a vida do parceiro Claudinho, em julho de 2002, aos 26 anos de idade.

Mesmo muito abalado, seis meses após a perda e incentivado por amigos, Buchecha deu continuidade a sua carreira, agora solo. Lançou mais cinco álbuns, sendo o mais recente de 2022, Canto de Paz.

As canções de Claudinho & Buchecha foram regravadas com sucesso por grandes nomes da MPB, como Kid Abelha, Adriana Calcanhotto e Ivete Sangalo. A história da dupla virou filme em 2023, com direção de Eduardo Albergaria, Juan Silva no papel de Buchecha e Lucas Penteado no papel de Claudinho.

Supla - Foto: Divulgação
Supla – Foto: Divulgação

Supla – 02 de abril

Nascido Eduardo Smith de Vasconcellos Suplicy, em São Paulo, no dia 02 de abril de 1966, o cantor, compositor, ator e apresentador Supla completa 58 anos nesta semana.

Filho mais velho dos políticos Marta Suplicy e Eduardo Matarazzo Suplicy, o artista é irmão do também cantor João Suplicy.

Supla iniciou sua carreira tocando versões do rock norte-americano e britânico das décadas de 1970, entretanto, os estilos de suas composições estão mais ligadas ao punk rock, ao hardcore e, mais recentemente, à bossa nova.

Foi vocalista de diversas bandas em sua carreira: inicialmente na Metropolis, depois na Zig Zag (que mais tarde se tornou a conhecida Tokyo), além da Psycho 69, com quem viveu a experiência do hardcore, quando foi morar em Nova York, nos anos 90.

Supla conquistou espaço através do seu som, carisma e jeito sincero e descontraído de ser. Com quase 40 anos de carreira, ele lançou diversos álbuns, sendo o mais recente deste ano de 2024: Menina Mulher.

Também acumulou inúmeras turnês, canções, participações nacionais e internacionais e prêmios, com presenças marcantes em festivais mundiais. Fez participações em filmes; novelas; foi jurado de programas relacionados à música; teve uma participação icônica na primeira edição do reality Casa dos Artistas (que o levou a vender mais de um milhão de cópias do seu álbum O Charada Brasileiro,de 2001); além de ter sido um dos maiores destaques do icônico programa Os Piores Clipes do Mundo, apresentado pelo Marcos Mion, na MTV, onde ganhou o apelido de Papito.

Entre seus principais sucessos, estão as canções: Garota de Berlim, Green Hair (Japa Girl, O Tempo Não Vai Curar e Humanos.

Desde 2009, forma com seu irmão João Suplicy, a banda Brothers Of Brazil, com quem já se apresentou ao redor do mundo todo e lançou diversos álbuns, sendo o mais recente deles Brothers Again, em 2023.

Confira a entrevista de Supla no programa Radar Novabrasil.

Sabotage | Foto: Reprodução
Sabotage | Foto: Reprodução

Sabotagem – 03 de abril

Nascido Mauro Mateus dos Santos, na Zona Sul de São Paulo, no dia 03 de abril de 1973, o rapper, cantor, compositor, ator e ativista Sabotage estaria completando 51 anos nesta semana, caso não tivesse nos deixado órfãos de seu talento e genialidade, quando foi covardemente assassinado, aos 29 anos, em janeiro de 2003.

Passando por nós como um meteoro, por ter tido apenas dois anos de reconhecimento por sua arte e um álbum lançado em vida, Rap é Compromisso, um dos mais influentes da história do rap nacional, Sabotage escreveu para sempre o seu nome na história da nossa música e do nosso país.

Dono de grande sensibilidade musical e de um flow (maneira de encaixar o canto na batida) único, Sabotage chegou a outros públicos, quebrando todo tipo de barreiras. Além de cantar e compor ao lado de alguns dos principais nomes do rap, como RZO, Rappin’ Hood e BNegão, gravou com os roqueiros do Sepultura e Charlie Brown Jr.

Em uma época em que a maioria dos rappers considerava que aparecer na grande mídia era atitude de “vendido”, Sabotage inovou ao se apresentar em alguns dos principais programas de TV — e nem por isso perdeu o respeito dos seus pares.

Dizia: “Eu faço rap dentro do barraco para que o favelado ouça e o boy também, porque eles têm que entender nossa realidade e saber que não somos diferentes deles. Não tem que ter um muro entre a gente e eles. Nós temos que ser a ponte’”,

Brilhou também como ator, em dois filmes de sucesso: O Invasor ( de Beto Brant, em 2002), com o qual venceu o prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Brasília, e Carandiru (de Hector Babenco, em 2003). Em ambos, colaborou também com o processo de criação dos personagens.

Em sua longa preparação para se tornar artista, Sabotage precisou lutar contra condições duras de vida, as mesmas que atingem a maioria da população pobre, preta e periférica do Brasil: passou fome, não teve uma família estruturada, o pai abandonou a família, perdeu a mãe aos 19 anos, teve que ir para as drogas, porque precisava comer.

Vivendo na extrema desigualdade social que assola São Paulo, Sabotage encarou as poucas oportunidades que encontrava, fosse em bicos como guardador de carros ou feirante, fosse no crime.

O primeiro emprego que teve na vida foi aos oito anos, como olheiro do tráfico de drogas no Canão, favela onde morava com a família. Aos 15, após furtar o toca-fitas de um carro, foi apreendido por policiais militares e levado à Febem, destinada a adolescentes infratores, atual Fundação Casa.

Na ocasião, os policiais o espancaram até arrancar seus dentes superiores. Essa marca da violência policial e do racismo foi um traço que Sabotage carregou em seu rosto ao longo da maior parte da vida.

Entre o crime e os empregos precários, descobriu o hip-hop, movimento que traz em seu DNA a denúncia social aliada à arte. Se encantou primeiro pela dança, formando um grupo de street dance com seus irmãos, mas logo começou a compor e cantar.

Foi aí que passou a frequentar batalhas de rap, campeonatos musicais em escolas e casas de shows, onde pedia aos proprietários ou aos músicos para deixá-lo subir ao palco e cantar algumas de suas composições.

Aos 19 anos, se casou com a namorada de infância, Maria Dalva, com quem teve dois filhos: Wanderson e Tamires. No ano seguinte, de um relacionamento fora do casamento, nasceu outra filha, Larissa.

A pressão de cuidar de uma família com crianças pequenas, numa situação de extrema pobreza, levou Sabotage de vez ao tráfico de drogas. Em 1995, aos 22 anos, conseguiu concluir o ensino fundamental.

E seguia se preparando para o grande artista que ambicionava se tornar um dia, ainda que a realidade indicasse que seu caminho tinha tudo para ser outro: compunha cada vez mais, dançava, ensaiava sua performance.

Mesmo com toda essa dedicação e empenho, havia uma grande probabilidade de que o artista morresse antes de ser conhecido pelo Brasil, por conta do crime e ou da fome.

Seu irmão mais velho, o Deda – primeiro artista que o inspirou e com quem planejava formar a dupla de rap Sabotage (ainda não usava esse nome), foi assassinado com 13 tiros, dias após deixar a prisão.

Em 1999, Sabotage recebeu a visita – no ponto de venda de drogas onde atuava – de dois grandes nomes do rap nacional: Sandrão, do grupo RZO, e Rappin’ Hood. Os músicos foram até lá para resgatá-lo do mundo do crime e levá-lo de vez para o da música. Chegaram a pedir autorização do líder local do tráfico para tirar o amigo de lá e levá-lo para gravar um álbum.

Com o auxílio por Helião e Sandrão, do RZO, Sabotage aprimorou seu estilo por nove meses Rap é Compromisso, gestado ao longo de nove meses e com produção executiva dos Racionais MC e artística do grupo RZO, Rappin’ Hood e Coletivo Instituto.

O sucesso do álbum – que conta com composições como Um Bom Lugar, Rap é Compromisso, Na Zona Sul e Respeito é Pra Quem Tem – foi imenso e imediato e logo transformou a vida do rapper e de muita gente que o escutava. No total, vendeu quase 2 milhões de cópias.

Infelizmente, com apenas dois anos de sucesso do álbum, Sabotage foi assassinado a tiros na capital paulista, na manhã de 24 de janeiro de 2003, depois de deixar sua esposa no ponto de ônibus.

Sua morte gerou a prisão de Sirlei Menezes da Silva, sete anos depois do ocorrido. A polícia cogitou desavenças como motivação do crime, sugerindo alguma relação com os tempos em que Sabotage ainda estava no tráfico. No julgamento Sirlei afirmou que não tinha cometido o assassinato, e que teria sido torturado pela polícia para confessar o crime anteriormente.

Relatos de amigos e da esposa dele afirmam que, naquele momento, Sabotage já não mantinha desafetos, tendo largado do tráfico há mais de 10 anos. Naquele momento ele tinha uma carreira brilhante, e foi assassinado um dia antes do que seria um grande momento de sua carreira: estar entre as atrações no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, onde se encontraria com movimentos sociais vindos do mundo inteiro para se contrapor ao Fórum Econômico Mundial em Davos.

Os filhos do rapper, Tamires e Wanderson – o Sabotinha – preservam e dão continuidade ao legado do pai, ecoando o brilho fugaz sempre mencionado por quem fala de seu pai. Ela e o irmão, com gravações de raps que a morte havia deixado inéditos, novas versões dos clássicos de Rap é Compromisso, documentários, livros, quadrinhos, exposições e homenagens.

Na Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), Sabotage dá nome a um prêmio que desde 2015 homenageia artistas que se destacam em todas as vertentes do hip-hop.

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