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O poder de Elza Soares

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17:00 28.02.2022
Música

O poder de Elza Soares

No dia 20 de janeiro deste ano, não só o Brasil, mas o mundo sofreu uma perda irreparável: Elza Soares. A cantora e compositora brasileira deixou inúmeras canções gravadas e marcadas com sua voz incomparável. Foram 91 anos de vida, 71 anos de carreira e uma trajetória tão impactante que fica difícil resumir. Neste artigo, … Continued

F.Content - 28.02.2022 - 17:00
O poder de Elza Soares
Saiba mais sobre a idade de Elza Soares e sua trajetória | Foto: Reprodução.

No dia 20 de janeiro deste ano, não só o Brasil, mas o mundo sofreu uma perda irreparável: Elza Soares. A cantora e compositora brasileira deixou inúmeras canções gravadas e marcadas com sua voz incomparável. Foram 91 anos de vida, 71 anos de carreira e uma trajetória tão impactante que fica difícil resumir.

Neste artigo, vamos falar sobre a história dessa grande mulher. Uma história repleta de música, resistência, força e talento. Confira.

Quem é Elza Soares?

Elza Soares da Conceição nasceu no dia 23 de junho de 1930, na zona oeste do Rio de Janeiro. Seu pai, Avelino Gomes, era operário e sua mãe, Rosaria Maria da Conceição, era lavadeira.

De família humilde, cresceu morando em um cortiço no bairro Água Santa, na capital carioca. Nessa época, já gostava da música e cantava quando ia buscar água no poço e com o pai, que tocava violão nas horas vagas. Famosa pela voz rouca, Elza Soares foi um dos maiores nomes da música popular brasileira. Sua história de vida conta com tragédias e reviravoltas memoráveis.

Elza teve uma infância dura e subitamente interrompida pelo casamento. Aos 11 anos, Elza Gomes da Conceição foi obrigada a se casar com Lourdes Antônio Soares, um amigo do pai, bem mais velho que ela. Foi nessa época que ela virou Elza Soares.

Menos de um ano depois do casamento, Elza deu à luz ao seu primeiro filho, João Carlos, que veio a falecer em decorrência de uma doença. Nessa época, ela tinha cerca de 12 ou 13 anos.

Com apenas 15 anos, Elza perdeu o seu segundo filho, que também veio a falecer. O casamento foi abruptamente interrompido com a morte do marido, deixando a cantora viúva aos 21 anos. Aos 27 anos, já era mãe de cinco crianças (quatro meninos e uma menina).

Durante a adolescência, transformada em uma mulher adulta pelo casamento precoce, Elza sofreu agressões e violências sexuais que a marcaram pelo resto da vida — e que se transformaram em protestos que ela apresentou por meio de sua música.

Alguns anos depois, veio o segundo casamento, com o jogador de futebol Mané Garrincha. A relação conturbada durou 16 anos e terminou devido a uma nova onda de agressões. Assim como no primeiro casamento, Elza sofreu violência física, que era agravada pelo alcoolismo do marido.

Um ano depois da separação, Garrincha faleceu, deixando um filho pequeno com Elza, que ficou conhecido como Garrinchinha. O menino morreu pouco tempo depois, aos nove anos, em um acidente de carro, somando mais uma perda na longa lista de sofrimentos da mãe.

Saiba mais sobre a idade de Elza Soares e sua trajetória.
Saiba mais sobre a idade de Elza Soares e sua trajetória | Foto: Reprodução.

91 anos de Elza Soares: entenda a carreira da cantora

A primeira apresentação pública da Elza Soares não aconteceu por bons motivos: com o filho pequeno doente, sem poder contar com ajuda dos pais ou do marido, a menina se inscreveu para participar do tradicional programa de calouros do radialista Ary Barroso e ficou em primeiro lugar.

Pode até ser que naquela época ela já tivesse pretensões artísticas, mas o que Elza queria de verdade era o dinheiro dado aos vencedores do programa, para que pudesse cuidar do filho. Ela se apresentou no programa escondida, sem que a família soubesse.

A figura de uma menina minúscula, que tinha só 32kg, usando roupas emprestadas da mãe, presas com alfinetes para não caírem, chamou atenção do público e do apresentador. Naquele dia, além de ter ganho o prêmio, Elza disse uma das frases mais icônicas de sua carreira.  Ao ser questionada por Ary Barroso sobre “que planeta vinha”, Elza já tinha a resposta na ponta da língua: do planeta fome.

Na década de 60, Elza Soares participou e venceu outro concurso musical na rádio. Dessa vez, ela ganhou um contrato fixo para se apresentar semanalmente. Com o rádio e as apresentações em casas de show, Elza finalmente conseguiu começar a viver de música.

Em 2000, Elza Soares recebeu da BBC Londres o título de Melhor Cantora do Milênio. Naquela época, ela já tinha mais de 40 anos de carreira e uma longa lista de sucessos.

Cada vez mais empoderada e consciente de sua grandeza, Elza seguiu a carreira com grandes parcerias e um sucesso crescente. Em 2015, ela gravou o álbum A Mulher do Fim do Mundo, o primeiro de sua carreira a conter músicas inéditas.

O combate ao racismo nas composições de Elza Soares

Em entrevistas antigas, a cantora relatou um dos episódios de preconceito que mais lhe marcaram no Brasil. Na década de 1950, Elza conquistou um contrato com a gravadora Odeon. Única negra do casting do selo, era também a única que não ganhava dias de festa quando lançava um álbum.

Talvez por tudo que conquistou, apesar da ameaça constante da discriminação, Elza insistia em repetir que não vale dar espaço para o racismo. Mas não deixa de cantar sobre a desigualdade em músicas e shows.

“Eu preciso encontrar um país / Onde a corrupção não seja um hobby / Que não tenha injustiça, porém a justiça / Não ouse condenar só negros e pobres”, protesta em “País do Sonho”, uma dentre tantas faixas que apontam para o racismo.

Outro exemplo é o single “Negão Negra”. Em 2020, o rapper mineiro Flávio Renegado, o compositor carioca Gabriel Moura e Elza Soares lançaram essa música como um brado contra o racismo entranhado nas estruturas da sociedade e contra as injustiças sofridas cotidianamente pelo povo negro.

As rimas iniciais da letra de “Negão Negra” já dão o tom de protesto: “Nunca foi fácil / Nunca será / Para o povo preto / Do preconceito se libertar / Sempre foi luta / Sempre foi porrada / Contra o racismo estrutural / Barra pesada”.

Ativismo e resistência: saiba como Elza Soares expressa na sua música

Elza sempre esteve próxima do ativismo negro, exaltou a própria negritude e suas origens. Além disso, como mencionamos, nos últimos anos, denunciou a violência contra a mulher, da qual ela própria foi vítima.

A letra de Maria da Vila Matilde, que se tornou um hino do movimento feminista, é o retrato mais sincero da reação que a cantora sempre teve diante de tudo isso: resistência.

“ Cadê meu celular?

Eu vou ligar pro 180

Vou entregar teu nome

E explicar meu endereço

Aqui você não entra mais

Eu digo que não te conheço

E jogo água fervendo

Se você se aventurar

Eu solto o cachorro

E, apontando pra você

Eu grito: péguix…

Eu quero ver

Você pular, você correr

Na frente dos vizinhos

Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim”

As músicas de Elza Soares são fortes, assim como ela sempre foi. Se você deseja ter acesso ao Acervo Elza Soares, a Nova Brasil FM pode te ajudar. Além de apresentar as canções dessa brilhante cantora e um ser humano de luz, a rádio oferece outros conteúdos em seu site. Clique aqui e saiba mais.

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