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Acervo MPB: Elza Soares – Parte 2
Acervo MPB: Elza Soares – Parte 2
Leia a primeira parte deste conteúdo aqui. – Em 62, Elza foi ao Chile, para cantar representando o Brasil na Copa do Mundo, onde conheceu Louis Armstrong pessoalmente, que ficou impressionado com sua voz e a convidou para ir para os EUA. Mas, nesta mesma ocasião, Elza conheceu o jogador Garrincha, por quem se apaixonou … Continued
Leia a primeira parte deste conteúdo aqui.
– Em 62, Elza foi ao Chile, para cantar representando o Brasil na Copa do Mundo, onde conheceu Louis Armstrong pessoalmente, que ficou impressionado com sua voz e a convidou para ir para os EUA. Mas, nesta mesma ocasião, Elza conheceu o jogador Garrincha, por quem se apaixonou e com quem viveu uma forte e conturbada história de amor e também de sofrimentos. Por conta das perseguições, não só do público e da mídia, mas – principalmente – da ditadura militar, Elza se exilou com sua família por um tempo em Roma, na Itália. Lá, gravou em italiano e chegou a substituir Ella Fitzgerard em uma turnê pela Europa. Em 1971, um convite para um show no Brasil serviu de estímulo para a família voltar.
– Quando voltaram, Garrincha passou a sofrer com o alcoolismo e agredia Elza constantemente. O falecimento da mãe de Elza, Garrincha e de seu filho com o jogador, causaram outro baque na vida de Elza, dessa vez o maior de todos. A cantora teve depressão, tentou se matar, pensou em desistir da carreira e foi morar fora do país por alguns anos, fazendo também terapia para tentar superar as perdas. Elza diz que tira tudo de letra, mas que a perda de um filho é uma ferida aberta que não cicatriza e que está sempre presente.
– Em meados dos anos 80, por conta dos acontecimentos em sua vida pessoal, Elza passou por momentos de baixa na carreira, pois não queria cantar apenas samba, queria cantar o que sentisse vontade. A cantora se revitalizou em 84, quando Caetano Veloso a convidou para participar do seu disco Velô, gravando com ele a música “Língua”. No ano seguinte, Caetano e Lobão produziram um LP de Elza, que contava com faixas da autoria da cantora, como “Somos Todos Iguais”, música que dá nome ao disco, e “Exagero”.
– Elza regressou de vez ao Brasil em 1994 e três anos depois, lançou Trajetória, seu primeiro disco de estúdio desde 1988. Com esse trabalho, ganhou o Prêmio Sharp de Melhor Cantora de Samba. Ainda em 97, José Louzeiro lançou sua biografia: Elza Soares: cantando para não enlouquecer.

– No ano de 1999, Elza sofreu uma queda em um show no Rio de Janeiro e passou a se locomover com muita dificuldade. Em 2014 operou a coluna vertebral por conta desse acidente, em uma cirurgia que poderia ter afetado suas cordas vocais, mas que – pelo contrário – traz de volta uma Elza de voz ainda mais potente no palco, mesmo que agora com mobilidade reduzida do corpo.
Veja também:
– A libertação artística de Elza veio em 2002, quando lançou Do Cóccix até o Pescoço, disco que conta com músicas que trazem à tona pautas sociais importantíssimas como “A Carne”, “Haiti” e “Hoje é Dia de Festa”. O álbum foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.
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