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Acervo MPB: Ney Matogrosso – Parte 3
Acervo MPB: Ney Matogrosso – Parte 3
Confira a primeira e segunda parte deste conteúdo. Em suas apresentações solo, o artista continuou usando e abusando das maquiagens cênicas e dos figurinos modernos e super ousados e assim é até hoje, um artista muito à frente de qualquer tempo. Em seu antológico primeiro espetáculo em carreira solo, ele aparecia na abertura vestindo em uma … Continued
Confira a primeira e segunda parte deste conteúdo.
Em suas apresentações solo, o artista continuou usando e abusando das maquiagens cênicas e dos figurinos modernos e super ousados e assim é até hoje, um artista muito à frente de qualquer tempo. Em seu antológico primeiro espetáculo em carreira solo, ele aparecia na abertura vestindo em uma capa de papelão cru, pintado, com pelos de macaco, chifres e pulseiras de dentes de boi. O show apresentava uma sonoridade moderna, com músicas interligadas por sons de floresta.
– Em 1975, o artista lança o seu primeiro álbum solo, Água do Céu-Pássaro (referente ao show citado acima), em que interpreta composições de diversos artistas. Entre as principais faixas, destacam-se o sucesso América do Sul, de Paulo Machado; as canções Corsário, de João Bosco e Aldir Blanc; Bodas, de Milton Nascimento e Ruy Guerra; o mambo Cubanacan, de Moiséis Simon, Salvat e Chamfleury; e a canção que abre o disco e abria o espetáculo: Homem de Neandertal, de Luís Carlos Sá, da dupla Sá & Guarabyra.
– Em 1976, lança o seu segundo disco, Bandido, que consagra a sua carreira solo, com o super hit Bandido Corazion, de Rita Lee. Entre as faixas, também estão as canções: Cante Uma Canção de Amor, de Odair José e Maxine; A Gaivota, de Gilberto Gil; e a clássica Mulheres de Atenas, de Chico Buarque e Augusto Boal.
– O show do álbum Bandido é considerado um dos espetáculos mais ousados e performáticos da carreira do artista e algumas das músicas apresentadas no show entraram no próximo disco de Ney, de 1977, Pecado.
– Entre as faixas desse disco – que traz a versatilidade de Ney e mistura gêneros musicais diferentes como o rock, a bossa nova e a música latina, estão: Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas; Desafinado, de Tom Jobim e Newton Mendonça; Tigresa, de Caetano Veloso; San Vicente, de Milton Nascimento e Fernando Brant; Com a Boca no Mundo, de Rita Lee, Lee Marcucci e Luiz Carlini; Da Cor do Pecado, de Bororó; além da já consagrada Sangue Latino.
– No ano seguinte, Ney lança o álbum Feitiço, também muito versátil no que diz respeito à mistura de ritmos e gêneros. Entre as canções: o super sucesso e clássico na voz de Ney, Bandoleiro, de Luhli e Lucina; as canções Sensual, de Belchior e Tuca; e Angra, de João Bosco e Aldir Blanc.

– Ney aparecia com o peito nu na capa do disco e a censura considerou o encarte “escandaloso” e “provocante”, mandando recolher todos os discos imediatamente e depois passando a vendê-los em um saco preto. Curiosamente, isso fez o álbum vender mais do que com a capa original. Outra coisa que impulsionou as vendas do disco, foi a gravação da canção Não Existe Pecado ao Sul do Equador, de Chico Buarque e Rui Guerra, que havia sido censurada cinco anos antes, no álbum da peça Calabar, de Chico.
– Transgressor e revolucionário, Ney Matogrosso foi muitas vezes ameaçado pelo regime militar. Sempre apresentou no palco comportamentos, figurinos, canções e coreografias que expunham a sua masculinidade e sexualidade de forma livre e ousada, como um contraponto à repressão dos tempos de chumbo. Com seus posicionamentos e sua estética artística, Ney influenciou toda uma geração de artistas.
– Em 1979, lança o disco Seu Tipo, que traz – além da faixa título, de Eduardo Dusek e Luís Carlos Góes; as canções Falando de Amor, de Tom Jobim; Ardente, de Joyce Moreno; e a já consagrada Rosa de Hiroshima.
– Em 1980, é a vez do álbum Sujeito Estranho, com destaque para a faixa título, de Oswaldo Montenegro; Napoleão, de Luhli e Lucina; Ando Meio Desligado, dos Mutantes; Doce Vampiro, de Rita Lee; Balada da Arrasada, de Ângela Ro Ro; Rio de Janeiro, de Ary Barroso; Um Índio, de Caetano Veloso e O Seu Amor, de Gilberto Gil, ambas do disco Doces Bárbaros, de 1976.
– No ano seguinte é a vez do disco Ney Matogrosso – 1981, com destaque para o hit consagrado na voz de Ney, Homem Com H, forró de Antônio Barros, que traz uma reflexão acerca das convenções sociais manifestadas nos estereótipos de masculinidade; além das canções Deixa a Menina, de Chico Buarque; Vida, Vida, de Moraes Moreira, Zeca Barreto e Guilherme Maia; e Amor Objeto, de Rita Lee e Roberto de Carvalho.
– Em 1982, lança o álbum Mato Grosso, com destaque para outros super sucessos de sua carreira: Por Debaixo dos Panos, de Cecéu; e Tanto Amar, de Chico Buarque. Também estão no disco as canções Uai Uai, de Rita Lee e Roberto de Carvalho e com participação da cantora; a clássica Promessas Demais, de Moraes Moreira, Zeca Barreto e Paulo Leminski.
A faixa icônica John Pirou, versão de Leo Jaime e Tavinho Paes para a canção Johnny B Good, de Chuck Berry, e que fala sobre a paixão de dois homens durante um jogo do Flamengo, foi proibida pela censura na época.
– Em 1983, Ney se apresentou no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, ao lado de Caetano Veloso e João Bosco e a apresentação transformou-se em um disco com grandes sucessos das carreiras dos três artistas.
– No mesmo ano, lançou o disco Pois É e a faixa que abre o álbum traz um pot-pourri com canções emblemáticas dos seus 10 anos de carreira. A faixa título, de John Neschling e Geraldo Carneiro, foi um grande sucesso, além das canções Até o Fim, de Chico Buarque; e Babalu, de Margarita Lecuona.
– É ainda desse disco a gravação de Ney para a canção Pro Dia Nascer Feliz, de Cazuza e Frejat, responsável por lançar um ainda pouco conhecido Barão Vermelho ao estrelato, depois de projetada nacionalmente na voz do já consagrado Ney Matogrosso.
– Em 1984, é a vez do disco Destino de Aventureiro, que traz outro sucesso de Cazuza, Frejat e Ezequiel, Por Que A Gente É Assim?; além da canção Pra Virar Lobisomem, de Cecéu; e do bolero Vereda Tropical, de Gonzalo Curiel.
– No ano seguinte, Ney lança o álbum Bugre, com uma sonoridade pop e eletrônica, em que mostra o seu lado compositor, na canção que abre o disco, Dívidas de Amor, em parceria com Leoni e também na música que vem na sequência, Vertigem, em parceria com o RPM.
– É também deste disco a clássica versão de Balada do Louco, de Arnaldo Baptista e Rita Lee, além do samba-enredo História do Brasil, de Jorge Aragão e Nilton Barros.
– Em 1987, Ney adota um tom mais sóbrio para o disco Pescador de Pérolas, gravado ao vivo na temporada do projeto A Luz do Solo, em que abandonava as maquiagens e usava um terno no lugar de seus figurinos característicos. O repertório do elogiadíssimo disco conta com clássicos da música popular brasileira como O Mundo É Um Moinho, de Cartola; Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira; Dora, de Dorival Caymmi; Besame Mucho, de Consuelo Velazquez; e Aquarela do Brasil, de Ary Barroso.
– No ano seguinte, segue no mesmo tom, mais denso, com o disco Quem Não Vive Tem Medo da Morte, que traz entre as canções: Tudo É Amor, de Cazuza e Laura Finocchiaro e Chavão Abre Porta Grande, de Itamar Assumpção e Ricardo Guará.

– Em 1987, Ney atua como ator no longa Sonho de Valsa, de Ana Carolina e, em 1988, no curta Caramujo Flor de Joel Pizzini.
– Em 1988, dirige os espetáculos Ideologia e O Tempo Não Pára, de Cazuza.
– Em 1989, volta para o seu estilo original, com o álbum Ney Matogrosso Ao Vivo, em que apresenta canções já consagradas em sua voz, além de gravações dos sucessos Comida, dos Titãs, O Beco, dos Paralamas do Sucesso; Andar com Fé, de Gilberto Gil e Morena de Angola, de Chico Buarque.
– Em 1991, lança o álbum ao vivo, em parceria com o violonista Raphael Rabello, À Flor da Pele, com sucessos já consagrados de sua carreira, além de releituras de canções clássicas da MPB como: Modinha, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes; Retrato em Preto e Branco, de Tom Jobim e Chico Buarque; Último Desejo, de Noel Rosa; Na Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso; As Rosas Não Falam, de Cartola; Negue, de Adelino Moreira e Enzo Almeida Passos; e No Rancho Fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo.
– Ney dirige o espetáculo Sou Eu, da cantora Simone, em 1992.
– Em 1993, é a vez do disco As Aparências Enganam, ao lado do grupo Aquarela Carioca, que conta com o grande sucesso, clássico na voz de Ney, Pavão Mysteriozo, de Ednardo; além de outros clássicos como A Tua Presença Morena, de Caetano; e Vendedor de Bananas, de Jorge Bem Jor.
Veja também:
– Em 1994, lança o álbum Estava Escrito, com repertório composto somente por canções originalmente gravadas por Ângela Maria, em canções como Só Vives Pra Lua, de Oyhon Russo e Paulo Marques, e com participação da cantora; Nem Eu, de Dorival Caymmi; Recusa, de Herivelto Martins; e Escuta, de Ivon Curi.
– Em 1996, Ney lança o disco Um Brasileiro, dedicado à obra de Chico Buarque, com canções como: Construção, Roda Viva, Homenagem ao Malandro, A Banda, Partido Alto e Valsinha (parceria com Vinicius de Moraes).
– Em 1997, o álbum Cair da Tarde, faz homenagem à obra de Tom Jobim e Heitor Villa-Lobos . Entre as canções de Tom: Tema de Amor de Gabriela, Águas de Março e Pato Preto. De Villa-Lobos: Veleiro (Dora Vasconcelos), Modinha (Manuel Bandeira) e O Trenzinho do Caipira (Ferreira Gullar).
– Em 1998, Ney Matogrosso comemora seus 25 anos de carreira com o disco Olhos De Farol, que une canções de compositores de longa data com compositores novatos, como: Miséria No Japão, de Pedro Luís; Gotas do Tempo Puro, de Moska; Vira-Lata de Raça, de Rita e Beto Lee; a clássica e bela Poema, de Cazuza e Frejat; Bomba H, de Alzira Espindola e Itamar Assumpção; O Som do Mundo, de Samuel Rosa e Chico Amaral e Mais Além, de Lenine, Lula Queiroga, Bráulio Tavares e Ivan Santos.
– No ano seguinte, lança o disco Vivo, do espetáculo originado do disco anterior, com sucessos novos e antigos de sua carreira.
– Em 2001, é a vez do disco Batuque, com repertório formado por canções compostas entre as décadas de 1920 e 1940, incluindo clássicos originalmente interpretados por Carmem Miranda. Entre elas: Tico-Tico no Fubá, de Zequinha de Abreu e Eurico Barreiros; O Que é Que a Baiana Tem? e Vatapá, de Dorival Caymmi; Adeus Batucada, de Synval Silva; e E O Mundo Não se Acabou, de Assis Valente.
– As luzes e cenários do espetáculo de Batuque foram dirigidos pelo próprio Ney, sendo definido por ele como “de teatro de revista’.
– No ano seguinte, lança o álbum Ney Matogrosso interpreta Cartola, com canções do artista já gravadas por ele em outros discos, além das clássicas O Sol Nascerá (A Sorrir) e Peito Vazio, parcerias com Élton Medeiros; e Ensaboa. Em 2003, sai o álbum ao vivo da turnê deste disco e o também o DVD.
– Em 2003, é lançado o disco Assim Assado – Tributo ao Secos & Molhados, com versões das músicas do disco de 1973 na voz de outros artistas da MPB como Nando Reis, Pitty, Arnaldo Antunes e Toni Garrido.
– Em 2004, Ney lança o projeto Vagabundo, em parceria com Pedro Luís e a Parede. Entre as canções: A Ordem é Samba, de Jackson do Pandeiro e Severino Ramos; Seres Tupy, de Pedro Luís; Transpiração, de Alzira Espindola e Itamar Assumpção; Disritmia, de Martinho da Vila, Noite Severina, de Lula Queiroga e Pedro Luís; Tempo Afora, de Fred Martins e Marcelo Diniz; O Mundo, de André Abujamra; e a faixa título, de Antônio Saraiva.
– Sucesso de público e crítica, o álbum originou um espetáculo homônimo, do qual foram produzidos um disco ao vivo e um DVD, dois anos depois. Na versão ao vivo, ainda estão as canções Caio no Suingue, de Pedro Luiz e Fé Cega, Faca Amolada, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos.
– Em 2005, Ney lança o CD e DVD Canto em Qualquer Canto, com regravações dos antigos sucessos e duas canções inéditas: Uma Canção Por Acaso e Duas Nuvens, ambas de autoria de Pedro Jóia e Tiago Torres da Silva.
– Em 2007, estreia um dos espetáculos mais comentados de sua carreira, Inclassificáveis, que deu origem a um CD e DVD homônimo e permaneceu em cartaz até 2009, contando com apresentações pelo Brasil inteiro, com visual impactante e andrógeno, e sonoridade que trazia apenas guitarra, violão, percussões, programações e baixo.
– Entre as canções do disco, a clássica O Tempo Não Para, de Cazuza, e Arnaldo Brandão; a faixa título, de Arnaldo Antunes; Veja Bem Meu Bem, de Marcelo Camelo; Mal Necessário, de Mauro Kwito; Existem Coisas na Vida, de Alzira Espindola e Itamar Assumpção; Divino Maravilhoso, de Caetano e Gil o super sucesso Um Pouco de Calor, de Dan Nakawaka.
– Em 2008, Ney atuou no curta-metragem Depois de Tudo, dirigido por Rafael Saar e, em 2009, protagonizou o filme Luz Nas Trevas, de Helena Ignez.
– Ainda em 2009, lançou o álbum Beijo Bandido, com faixas como Fascinação, versão de Armando Louzada para a canção de Fermo Dante Marchetti, sucesso na voz de Elis Regina; Nada Por Mim, de Herbert Vianna e Paula Toller, A Bela e A Fera, de Chico Buarque e Edu Lobo; Mulher Sem Razão, de Bebel Gilberto, Cazuza e Dé Palmeira; Distância, de Roberto e Erasmo; e Bicho de Sete Cabeças II, de Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Renato Rocha.
– O sucesso do disco gerou uma versão ao vivo, em CD e DVD, lançada dois anos depois
– Em 2011, Ney participa do curta-metragem Fca Carla; em 2012, atua no filme Gosto do Fel, de Beto Besant; e lança o documentário Olho Nu, dirigido por Joel Pizzini, um autorretrato em terceira pessoa que atravessa a carreira do artista e reúne um rico acervo audiovisual.
– Em 2013, lançou o álbum Atento aos Sinais e, em 2014, Atento aos Sinais ao Vivo, em CD e DVD, com composições de artistas diversos, como: Roendo as Unhas, de Paulinho da Viola; Oração, de Dani Black; Freguês da Meia Noite, de Criolo; Ex-Amor, de Martinho da Vila; e Rua da Passagem, de Lenine e Arnaldo Antunes.
– Em 2013, participa como convidado do CD e DVD Infernynho, da cantora Marília Bessy, que traz canções sensuais e divertidas como: Conga Conga Conga, de Santiago Malnati. Fogo e Paixão, de Rose; Bem-me-quer e Banho de Espuma, de Rita Lee e Roberto de Carvalho.
– Ainda em 2013, Ney dirigiu e fez a iluminação do show Coração Inevitável, da cantora Ana Cañas.

– Em 2019, lança o seu álbum mais recente, Bloco na Rua – em plena forma vocal e física, no auge dos seus quase 80 anos – com canções como Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio; Jardins da Babilônia, de Rita Lee; Tua Cantiga, de Chico Buarque e Cristóvão Barros; A Maça, de Raul Seixas, Paulo Coelho e Marcelo Motta; Yolanda, versão de Chico Buarque para a canção de Pablo Milanés; Corista de Rock, de Rita Lee e Carlini; O Último Dia, de Moska e Billy Brandão; e Como 2 e 2, de Caetano.
– Ney Matogrosso também coreógrafo, iluminador e dançarino, atuando como diretor geral de seus espetáculos musicais e de outros artistas.
– Quando mudou-se para Rio de Janeiro, lá no fim de 1960, conseguiu com um amigo que trabalhava na Sala Cecília Meirelles o emprego de iluminador. Começou com um canhão de luz que usava para acompanhar os artistas no palco. Tempos depois, dirigiu as luzes de espetáculos de Chico Buarque, Cazuza (com quem viveu uma rápida e intensa paixão), Nana Caymmi e Nelson Gonçalves.
– Ney Matogrosso teve seus sucessos como temas de diversas novelas.
Quer escutar este acervo e de outros artistas? Confira a primeira temporada do podcast Acervo MPB.


