Acervo MPB: Chiquinha Gonzaga – Parte 2

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06:42 14.01.2022
Música

Acervo MPB: Chiquinha Gonzaga – Parte 2

Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui: Leia a primeira parte deste conteúdo aqui. – Após a separação, Chiquinha lecionou piano e frequentou rodas de choro, acompanhada pelo flautista Joaquim Antônio da S. Callado. Na ocasião, conheceu o engenheiro de estradas de ferro João … Continued

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- 14.01.2022 - 06:42
Acervo MPB: Chiquinha Gonzaga – Parte 2
Acervo MPB: Chiquinha Gonzaga – Parte 2

Este conteúdo faz parte do Acervo MPB, podcast com áudio-biografias de grandes nomes da nossa MPB, escute aqui:

Leia a primeira parte deste conteúdo aqui.

– Após a separação, Chiquinha lecionou piano e frequentou rodas de choro, acompanhada pelo flautista Joaquim Antônio da S. Callado. Na ocasião, conheceu o engenheiro de estradas de ferro João Batista de Carvalho, com quem iniciou um relacionamento e teve uma filha: Alice Maria, em 1875.

– Eles vivem juntos por alguns anos, mas Chiquinha não aceitou as relações extraconjugais do parceiro e separou-se mais uma vez, perdendo a guarda de mais uma filha, um sofrimento imenso para uma mãe.

– A partir daí, voltou a lecionar, retornou aos bailes e passou a viver como musicista independente com o grupo Choro Carioca, dando aulas e tocando piano em lojas de instrumentos musicais. Passou a dedicar-se inteiramente à música, obtendo bastante reconhecimento pela composição de polcas, valsas, tangos e cançonetas.

– A necessidade de adaptar o som do piano ao gosto popular rendeu-lhe reconhecimento como a primeira compositora popular do Brasil. O sucesso começou em 1877, com a polca Atraente, seguida das composições Sultana, de 1878, e Camila, de 1879. Nesta época, Chiquinha seguiu seus estudos musicais com Artur Napoleão.

– A profissionalização da mulher como musicista era fato inédito na sociedade da época, ainda mais aquele tipo de música de dança para consumo nos salões. A atividade exigia muito mais que talento, mas também determinação e coragem – qualidades que não faltavam a Chiquinha Gonzaga.

– A partir da repercussão de sua primeira composição impressa, Chiquinha resolveu se lançar no teatro de variedades e revista. Estreiou compondo a trilha da opereta A Corte na Roça, de 1885, com texto de Palhares Ribeiro, no Teatro Imperial, com a companhia portuguesa Souza Bastos.

– Em 1886, Chiquinha Gonzaga passou a fazer reuniões de violonistas em bairros cariocas para valorizar o instrumento, considerado pela burguesia como símbolo da malandragem. Também compôs o choro Sabiá na Mata para o concerto de 100 violões, no Teatro São Pedro.

– Em 1888, com A Filha do Guedes, Chiquinha regeu – pela primeira vez – uma orquestra, tornando-se a primeira mulher regente da história do Brasil.

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– Ao longo de sua carreira de regente, Chiquinha Gonzaga musicou dezenas de peças de teatro nos gêneros mais variados. Em 1889, regeu, no Imperial Teatro São Pedro de Alcântara, um original concerto de violões, promovendo este instrumento ainda estigmatizado.

– Era a mesma coragem que movia a militante política, participante de todas as grandes causas sociais do seu tempo, denunciando assim o preconceito e o atraso social. A abolicionista fervorosa passou a vender partituras de porta em porta a fim de angariar fundos para a Confederação Libertadora e, com o dinheiro da venda de suas músicas, comprou a alforria de José Flauta, um escravo músico.

– Em 1899, Chiquinha Gonzaga compôs Ó Abre Alas, para embalar o desfile do cordão Rosa de Ouro, do bairro Andaraí, no Rio de Janeiro. Foi a primeira composição criada para o Carnaval, que definiu um novo estilo musical – a Marcha-Rancho – considerado o ritmo oficial do Carnaval a partir daí.

– Também em 1899, aos 52 anos, Chiquinha conheceu e se apaixonou por João Batista Fernandes Lage, um estudante de música de 16 anos. A diferença de idade era muito grande, e temendo mais uma vez o preconceito, Chiquinha escondeu o relacionamento, adotando João Batista como filho.

– Assim, pôde viver o seu grande amor, evitando escândalos e em respeito aos seus filhos, protegendo também sua carreira. Após certa resistência inicial, os filhos de Chiquinha aceitaram o romance da mãe com naturalidade.

– Chiquinha passou a viajar bastante pela Europa entre 1902 (data de sua primeira ida ao continente europeu) e 1910, tornando-se especialmente conhecida em Portugal, onde escreve músicas para diversos autores.

– Em 1906, ela e João Batista mudam-se para Lisboa, em Portugal, para viverem mais tranquilos, longe de julgamentos. Eles retornaram ao Brasil em 1909 e nunca assumiram de fato o romance, que é descoberto após a morte de Chiquinha, por meio de cartas e fotos do casal.

Leia a última parte da história de Chiquinha Gonzaga.

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