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A história por trás da música ‘cavalo preto’, sucesso de Pantanal
A história por trás da música ‘cavalo preto’, sucesso de Pantanal
A história de Cavalo Preto, a música preferida do personagem Zé Leôncio (Marcos Palmeira) na novela da Globo Pantanal, surpreendeu muitos que assistiram a novela. Depois de passar na novela das 21h mais assistida, o hit virou um fenômeno em todo o Brasil: as buscas pela música subiram mais de 3.000% só no YouTube. O … Continued
A história de Cavalo Preto, a música preferida do personagem Zé Leôncio (Marcos Palmeira) na novela da Globo Pantanal, surpreendeu muitos que assistiram a novela. Depois de passar na novela das 21h mais assistida, o hit virou um fenômeno em todo o Brasil: as buscas pela música subiram mais de 3.000% só no YouTube.
O que nem todo mundo sabe é que as letras da moda de viola são repletas de significado, que contam muito sobre a vida no campo e as lendas sertanejas. Não só isso: Gravada em 1946, a música ‘Cavalo Preto’ tem décadas e finalmente é resgatada do baú da história para se tornar um sucesso absoluto na trilha sonora do Pantanal.
Venha conhecer a história da música Cavalo Preto!

A origem da música Cavalo Preto
Quem já viu a novela Pantanal pode ter percebido a cena da reunião da família Leôncio para tocar a tradicional viola. As letras líricas sobre andar em um “cavalo escuro chamado Ventania” pelo Brasil costumam tocar a todos na cena, especialmente lembrando o protagonista José Leôncio de seu falecido pai.
Por trás dessa música comovente, há muito o que desvendar. Afinal, a história da música de Cavalo Preto é cheia de lendas, até mesmo uma terrível maldição que já dura mais de 7 anos. A música Cavalo Preto foi escrita em 1946 pelo escritor paulista Anacleto Rosas Jr de Mogi das Cruzes e gravada no mesmo ano pela dupla Palmeira e Luizinho.
Veja o que você leu: A música mais ouvida do Pantanal é na verdade um sucesso do passado e está de volta! No entanto, Rosas Jr. não viveu o suficiente para ver seu trabalho se tornar um sucesso nacional. O compositor morreu em 1978, antes da primeira edição da série ir ao ar nas telas da extinta TV Manchete em 1990.
Nem a morte do compositor foi suficiente para impedir o sucesso da música, que se tornou um ícone sertanejo. Desde seu lançamento em 1946, a música Cavalo Preto foi regravada por muitos cantores brasileiros. Ao longo das décadas, a faixa foi regravada por mais de 10 artistas diferentes, incluindo Inezita Barroso e a dupla sertaneja Tonico e Tinoco.
Quando Pantanal foi ao ar pela primeira vez, a música foi regravada – desta vez pelo cantor e ator Sérgio Reis que interpreta o peão Tibério no folhetim, em colaboração com Almir Sater que interpreta o peão Trindade.
No entanto, em todo o tempo passado, Cavalo Preto nunca explodiu tanto quanto o remake do Pantanal depois de seu lançamento. Mantendo a tradição da novela, a Globo utilizou uma versão gravada pelo sertanejo Chico Teixeira, que também foi escolhido para interpretar Quim no folhetim, mas com um arranjo um pouco diferente.
Mas há quem diga que a história da música Cavalo Preto e seu sucesso se deu na verdade por meio da figura central da novela, José Leôncio. A música tem um significado especial para a peça de xadrez tocada por Marcos Palmeira, pois também é a música favorita de seu pai, Joventino.
Em uma das cenas, sertanejo explica que o misterioso cavalo negro de seu pai recebeu o nome de Ventania por causa da música. Zé Leôncio, por sua vez, se surpreende ao ver o caminhoneiro Zé Lucas (interpretado por Irandhir Santos) pedir a música no primeiro encontro, lembrando que o menino é mesmo seu filho ilegítimo.
No final, a música se mostrou mais eficaz do que os testes de DNA para comprovar a paternidade da família Leôncio. Para entender a história da canção Cavalo Preto, é preciso analisar cuidadosamente sua letra, que remete a uma antiga lenda colonial que misturava cavalos com rituais religiosos. Em Portugal, durante o período colonial no Brasil, as pessoas acreditavam que o cavalo era na verdade um animal sagrado, enquanto outros acreditavam que o cavalo tinha o espírito da morte.
Isso não é tudo. Alguns estudiosos apontaram que isso pode ser uma referência ao Livro do Apocalipse, pois na Bíblia o cavaleiro do abismo monta um cavalo preto. O Pantanal não perdeu essa referência. O peão da Trindade (Gabriel Sartre) que toca e canta a música é um personagem que faz um pacto com o próprio tinhoso.
Logo na primeira estrofe, a letra da música Cavalo Preto menciona o tal cavalo preto.
“Tenho um cavalo preto
Por nome de ventania
Um laço de doze braças
Do couro de uma novilha”
O nome do cavalo está diretamente associado às lendas e costumes coloniais portugueses desde a Idade Média.
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Quando Portugal ainda não existia e o país fazia parte do Império Romano, os Lusitânia acreditavam que o vento do oeste fertilizava as éguas que viviam ao longo do rio Tejo e produziria todos os cavalos velozes. Então tornou-se uma tradição nomear os cavalos mais rápidos de Ventania, simbolizando os animais tão ágeis que geralmente eram indomáveis.
Como os cavalos considerados os corredores mais rápidos são árabes de raça pura, com sua pelagem preta em abundância, o termo “cavalo escuro” tornou-se quase sinônimo de cavalo rápido ou “tempestade”. A música continua com referências a cenas comuns à vida rural brasileira, como a árdua jornada a cavalo e o trabalho no campo.
“No lombo do meu cavalo
Eu viajo o dia inteiro
Vou dum estado pro outro
Eu não tenho paradeiro”
Foi então que muitos consideraram a música uma reviravolta quase sobrenatural, com referências subconscientes a rituais católicos e passagens bíblicas.
“Com minha capa gaúcha
Eu me cubro o corpo inteiro
Adeus que eu já vou partindo”
De acordo com o ensinamento cristão, o trecho acima é uma referência à morte, supostamente montada em um cavalo preto. O interlocutor da canção pede então a proteção de Deus nesta nova fase de sua existência.
“Depois de manhã bem cedo
Quero estar em Piedade
Deus me deu esse destino
E muita felicidade”
Simbólico ou não, uma coisa é certa: a história da música Cavalo Preto é tão cativante quanto a letra e a melodia do modão, conquistando Zé Leôncio e públicos de todo o Brasil!



