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3 curiosidades sobre a carreira de Caetano Veloso
3 curiosidades sobre a carreira de Caetano Veloso
Certamente você já ouviu falar que Caetano Veloso é um dos maiores artistas da música brasileira. Mas o quanto você saberia dizer a respeito de um Caetano rebelde, que participou de lutas sociais durante a Ditadura Militar brasileira e que sofreu diversas consequências por isso? Para saber mais desse interessantíssimo lado de sua carreira, das … Continued

Certamente você já ouviu falar que Caetano Veloso é um dos maiores artistas da música brasileira. Mas o quanto você saberia dizer a respeito de um Caetano rebelde, que participou de lutas sociais durante a Ditadura Militar brasileira e que sofreu diversas consequências por isso? Para saber mais desse interessantíssimo lado de sua carreira, das aventuras e dificuldades que passou para se tornar um grande símbolo de resistência, embarque com a gente nessa viagem pela história de Caetano Veloso.

Caetano Veloso: saiba mais sobre o artista
Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, como foi batizado, nasceu em Santo Amaro da Purificação, pequena cidade do Recôncavo Baiano, próxima de Salvador, no ano de 1942. Filho de José Veloso e Dona Canô, Caetano tem 6 irmãos, entre eles Maria Bethânia, grande voz da música brasileira e companheira de profissão do irmão. Juntos, Caetano e Maria Bethânia cantaram pelos bares de Salvador, no formato voz e violão, e foram conquistando seu primeiro público.
No ano de 1960, Caetano ingressou na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Fez amizade ainda jovem com nomes como Gal Costa, Gilberto Gil e Tom Zé, graças ao produtor musical Roberto Santana que os reuniu para um trabalho. E em 1964, Caetano participou do show “Nós, por exemplo”, na inauguração do Teatro Vila Velha em conjunto com o seu novo grupo de amigos, Gal, Gil, Tom Zé e sua irmã Bethânia.
Caetano Veloso conheceu o seu amor pela música muito novo. Violão, piano e canto já faziam parte do seu dia a dia durante a infância e juventude. Um dos marcos na sua vida que o fizeram perceber a relação que possui com o universo musical foi a canção “Chega de saudade”, cantada por Marisa Gata Mansa, que lhe despertou um interesse profundo na arte da composição e do canto. A partir desse episódio, o artista que já tinha grandes referências musicais, como Luiz Gonzaga, foi atrás de novos álbuns e artistas que o inspirasse.
Em 1965, Caetano viajou para o Rio de Janeiro para acompanhar a irmã Bethânia no espetáculo musical Show Opinião, no qual ela era a convidada. No ano seguinte, o músico começa a ser reconhecido: a canção “Boa palavra” composta por ele e interpretada por Maria Odete é classificada em quinto lugar no Festival Nacional da Música Popular, da TV Excelsior, em São Paulo. Meses depois, Caetano tem outra canção de sua autoria sendo premiada, “Um Dia” recebe o prêmio de melhor letra, no 2º Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record.
Após ser contratado pela gravadora Phillips, Caetano lançou seu primeiro disco, “Domingo”, em parceria com Gal Costa. O álbum apresenta 12 faixas, entre elas “Coração Vagabundo”, “Avarandado” e “Nenhuma dor”. Grande amante de Bossa Nova, o cantor usava o gênero como inspiração para suas primeiras composições.
Em Novembro de 1967, no auge do Tropicalismo, Caetano lançou uma música chamada “Alegria, Alegria” que tinha como objetivo driblar a censura imposta pela ditadura militar com uma letra que falava sobre liberdade, em um momento em que grande parcela da classe artística se sentia aprisionada. Apesar das críticas que surgiram em cima da melodia, a música foi classificada em quarto lugar no III Festival de MPB da TV Record.
Como a carreira de Caetano Veloso acompanha grandes marcos do Brasil?
No ano de 1964, o Brasil via seu então presidente Jango ser destituído em razão da tomada do governo pelas Forças Armadas. Esse período, conhecido como Ditadura Militar, ficou marcado pela censura, prisão e tortura das classes populares, artísticas e setores da imprensa que constituíssem um “risco” aos militares. Nesse contexto, alguns grandes nomes se reuniram e usaram de seus trabalhos como manifestos contra a censura. Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque são exemplos de artistas que fizeram parte desse momento na história.
Em paralelo a ditadura, surgia também o movimento cultural brasileiro chamado Tropicália ou Tropicalismo. Ele envolvia não só o setor musical, mas também as outras formas de arte como cinema, teatro e poesia. Esse movimento tinha como objetivo mudar o cenário da música e da cultura brasileira e expressar a opinião dos artistas por meio das letras, no entanto esse processo era dificultado pela censura. E para livrar-se dessas amarras, começaram a ser escritas músicas de teor satírico, em tom de deboche, com letras que passavam pelos censores sem muita crítica.
O movimento teve seu marco inicial durante a apresentação de Caetano interpretando a música “Alegria, Alegria” e Gilberto Gil e os Mutantes cantando juntos “Domingo no Parque”, no 3° Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record. As apresentações foram tão emblemáticas que no ano seguinte do evento, todas as atrações foram realizadas com artistas tropicalistas.
No entanto, o sucesso e o movimento contra ditadura desses artistas não passaram despercebidos pelas autoridades na época. Caetano Veloso foi preso no ano de 1969 por supostamente parodiar o hino nacional durante um show e por ter, segundo documentos produzidos pela polícia local, um disco denominado “Che” em referência ao guerrilheiro Che Guevara. Nenhuma prova nunca foi encontrada sobre a existência dessa canção.
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Quase dois meses após a prisão, Caetano e Gil – que foi preso junto com o amigo – foram soltos e partiram para Salvador onde tiveram que se manter em confinamento, sem prestar nenhum depoimento em público. Nesse período, Caetano gravou as bases de voz e violão e mandou para São Paulo, para que Rogério Duprat fizesse os arranjos e dirigisse o novo álbum do cantor, chamado “Caetano Veloso”. Em julho do mesmo ano, Caetano e Gil foram, com suas respectivas esposas, para o exílio, em Londres.
As gravações não pararam com a mudança de país, as canções continuaram a ser produzidas e o artista chegou até mesmo a fazer apresentações nos palcos da Inglaterra e de outros países da Europa. Lançou seu disco ‘Caetano Veloso” no segundo semestre do ano de 1969 com o selo “Famous”, da Paramount Records. E após cerca de 2 anos fora, Caetano voltou oficialmente ao Brasil.
A carreira de Caetano Veloso é marcada por grandes canções e é reconhecida também por sua presença em momentos importantes na história do Brasil.
3 curiosidades sobre Caetano Veloso e sua carreira
1- Foram muitas as premiações que Caetano Veloso foi indicado e ganhou, entre elas, o Grammy Award com o melhor álbum do World Music, o Grammy Latino por diversos anos e categorias distintas, o Prêmio da Música Brasil, entre outros. Para conferir com mais detalhes, acesse os prêmios de Caetano Veloso e fique por dentro de todas as suas conquistas.
2- Nem só de momentos de celebração Caetano viveu sua vida. Durante o período em que ficou preso na ditadura militar sob alegação de ser um cantor “subversivo e desvirilizante”, Caetano Veloso afirma, durante sua participação na FLIP, ter perdido sua atração por outros homens e que por muito tempo evitou falar sobre o assunto em sua juventude. Tudo o que ele passou durante os 54 dias em cárcere fez com que seus sentimentos e atrações fossem “apagados”.
3- O nome de Caetano não circulava apenas no universo musical, para reafirmar a grandiosidade de sua carreira, Caetano teve uma edição totalmente dedicada a ele feita pela revista Vogue. Além de ser eleito pela revista Rolling Stones, o 4° maior artista da história da música brasileira.
Caetano Veloso: as principais obras do artista
A discografia de Caetano Veloso é composta por mais de 50 discos, resultando em uma imensa lista de canções entoadas e compostas pelo artista. Relembre alguns grandes nomes de músicas que marcaram a carreira de Caetano.
- Tropicália (1968)
- Alegria, Alegria (1968)
- London London (1971)
- O Leãozinho (1977)
- Sampa (1978)
- Reconvexo (1989)
- Desde que o samba é samba (1993)
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