Dez canções inesquecíveis que contam a trajetória de Elza Soares 

Lívia Nolla
00:10 23.06.2024
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Música

Dez canções inesquecíveis que contam a trajetória de Elza Soares 

Se não tivesse nos deixado em janeiro de 2022, a cantora estaria completando 94 anos neste domingo

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- 23.06.2024 - 00:10
Dez canções inesquecíveis que contam a trajetória de Elza Soares 
Elza Soares | Foto: Daryan Dornelles (Divulgação)

Se não tivesse nos deixado em janeiro de 2022, Elza Soares -potência em forma de mulher preta artista e brasileira – estaria completando 94 anos neste 23 de junho.

Cantora e compositora, Elza teve uma trajetória inigualável na música popular brasileira e também uma história de vida marcante. 

Sua voz única e potente – rouca e vibrante – é sua marca registrada, além da interpretação poderosa que entregou em cada uma de suas suas canções e das letras com mensagens certeiras, presentes em tudo o que gravou, sempre trazendo à tona questões sociais, políticas e raciais de extrema importância, principalmente sobre racismo, desigualdade e feminismo.

A artista gravou grande parte dos principais compositores brasileiros, de gêneros e épocas diferentes, colocando sua impressão digital em cada interpretação.

Sua vida é sinônimo de resistência, resiliência e sobrevivência. Elza passou por vários traumas e tragédias e fez disso tudo combustível para a sua arte e para a sua música, levando sua mensagem para outras mulheres e pessoas pretas. A cada queda, se levantava maior.

Em 1999, Elza Soares foi eleita, pela Rádio BBC de Londres, como a cantora brasileira do milênio.

Hoje, para homenagear a aniversariante do dia, nós preparamos uma lista com 10 canções inesquecíveis eternizadas na voz da incomparável Elza Soares. Aproveite!

1 – Lata d’água – (Elza Soares)

Elza Soares nasceu em 1930, na comunidade Moça Bonita – hoje Vila Vintém – no bairro Padre Miguel, no Rio de Janeiro. Filha de um operário e uma lavadeira, tinha nove irmãos e uma vida muito humilde. 

Logo mudaram-se para o bairro da Água Santa, onde Elza foi criada. Ela começou a cantar ainda criança, com o pai, que gostava de tocar violão nas horas vagas. Também ajudava a mãe nos serviços, levando latas d’água na cabeça. 

Depois de ter passado fome, diversos abusos físicos e emocionais, perdido filhos e sofrido  todo o tipo de preconceito durante sua vida, Elza, tornando-se a artista que se tornou, compôs – em 1999, para o álbum Carioca da Gema – Elza ao Vivo – a música Lata d’Água, em que canta assim:

“Lata d’água na cabeça

É o estandarte que representa minha arte

Jogo de cena é a fome

Negra sempre foi o meu nome” 

2 – Lata d’água (Luiz Antônio e Jota Júnior)

Elza Soares também gravou – em 2007, para o álbum Beba-me – Elza Soares ao Vivo – outra canção chamada Lata D’água, uma clássica marchinha de carnaval, composta por Luiz Antônio e Jota Júnior, e lançada pela cantora Marlene, em 1952.

A canção original conta a história de Maria, uma mulher que sobe o morro com latas d’água na cabeça, carregando o filho pela mão e batalhando pelo pão de cada dia, sonhando com um futuro melhor. 

Elza, que como tantas outras mulheres deste Brasil, viveu essa mesma história, ainda cercada por violências e abusos, fez uma alteração na letra, trazendo a história para si:

“Lata d’água na cabeça
Lá vai a Elza, Ave Maria
Sobe o morro e não se cansa
Pela mão leva a criança
Lá vai a Elza

3 – O Meu Guri (Chico Buarque)

Entre seus 12 e 13 anos, teve a infância interrompida ao ser obrigada pelo pai a abandonar os estudos para casar-se com um conhecido da família que havia tentado abusar sexualmente dela. Nesse casamento forçado, Elza era constantemente submetida à violência doméstica e sexual. 

Entre os 13 e 14 anos, deu à luz ao seu primeiro filho. Aos 15, passou por outro grande trauma: seu segundo filho morreu de fome. O marido estava com tuberculose e Elza Soares passou a trabalhar como encaixotadora e conferente em uma fábrica de sabão e também em um manicômio. Quando o marido se recuperou, impediu Elza de trabalhar.

Aos 21 anos, ela ficou viúva, com quatro filhos para criar, além de já ter perdido mais um filho recém nascido para a desnutrição. Além disso, sua filha recém-nascida havia sido sequestrada um ano antes. O casal que tomava conta da menina enquanto Elza trabalhava sumiu com a criança, que a cantora procurou por trinta anos e só reencontrou-a já adulta. A filha não sabia de nada.

Muitos anos depois, Elza Soares sentiu mais uma vez a dor de perder um filho: em 1986, Garrinchinha, filho de Elza e do jogador de futebol Garrincha, com apenas 9 anos de idade, faleceu em um acidente de carro. 

Mais um baque na vida de Elza Soares, dessa vez o maior de todos. A cantora teve depressão, tentou se matar, pensou em desistir da carreira e foi morar fora do país por alguns anos, fazendo também terapia para tentar superar a sua perda.

Elza dizia que tirava tudo de letra, mas que a perda de um filho é uma ferida aberta que não cicatriza. Estará sempre presente.

Em 1997, em seu álbum Trajetória, a cantora gravou a canção O Meu Guri, uma composição de Chico Buarque lançada em 1981, que fala de forma profunda sobre  uma maternidade vivida com o pano de fundo das desigualdades sociais e da violência urbana (mais uma vez, uma realidade vivida por Elza e por tantas outras mulheres brasileiras).

25 anos depois, quando voltou a interpretar magistralmente a canção no álbum Elza ao Vivo no Municipal, gravado em 17 e 18 de janeiro de 2022 (dois dias antes da partida de Elza deste plano!), a artista já tinha perdido mais um filho: Gilson Soares, falecido em julho de 2015, por conta de complicações causadas por infecção urinária. 

4 – Maria da Vila Matilde (Douglas Germano)

Elza Soares e Garrincha viveram, por muitos anos, uma intensa e conturbada história de amor e dor.

No ano de 1962, fazendo muito sucesso no Brasil inteiro, Elza foi ao Chile, para cantar representando o Brasil na Copa do Mundo.

Uma curiosidade é que foi nesta ocasião que a cantora conheceu pessoalmente o cantor e trompetista norte-americano de jazz, Louis Armstrong, famoso por ter criado a técnica vocal Scat, que consiste em cantar vocalizando, criando o equivalente a um solo instrumental com a voz. 

A técnica – muito usada por cantores e cantoras de jazz – é feita tanto sem usar palavras, quanto usando palavras sem sentido, unindo sílabas soltas.

Elza Soares utilizava-se brilhantemente de Scat desde que começou a cantar, sem nunca ter escutado a música norte-americana antes e nem ter ideia de que aquilo existia. Inclusive, quando ela escutou Louis Armstrong pela primeira vez pensou: “Esse cara me imita!”.

Mas, voltando ao tema, foi nesta Copa do Mundo do Chile que Elza conheceu o jogadorbrasileiro Garrincha, um grande ídolo do futebol e ambos se apaixonaram imediatamente. 

Acontece que o jogador era casado na época e, mesmo depois dele se separar da mulher para ficar com Elza, a cantora foi massacrada pelo público, que a considerava responsável por destruir um casamento sólido, com filhos. 

Elza se casou com Garrincha alguns anos depois, mas foi, por muito tempo, perseguida pela mídia, pelo público e sofreu muitos boicotes em sua carreira por conta disso.

A cantora chegou a ser ameaçada de morte, sofria ataques na rua e era hostilizada também pelos amigos do atleta. Mesmo assim, os dois ficaram juntos por 17 anos, a cantora criou as filhas do jogador depois que a primeira mulher dele faleceu e os dois tiveram juntos o Garrinchinha

Por conta das perseguições, não só do público e mídia, mas – principalmente – da ditadura militar, Elza e Garrincha se exilaram com a família por um tempo em Roma, na Itália. Lá, gravou em italiano e chegou a substituir Ella Fitzgerald em uma turnê pela Europa.

Quando voltaram ao Brasil, em 1971, Garrincha passou a sofrer com o alcoolismo e agredia Elza constantemente, tinha crises de ciúme e casos fora do casamento.

Outra tragédia na vida de Elza: sua mãe morreu em um acidente de carro em que Garrincha estava dirigindo e isso também colaborou para que o jogador entrasse em depressão e bebesse cada vez mais.

Durante todos estes anos, a cantora sofreu por muito tempo calada e tentou ajudar o marido a parar de beber, mas os dois acabaram se separando em 1982. Garrincha faleceu no ano seguinte, por conta de uma cirrose hepática e Elza nunca deixou de declarar o seu amor pelo companheiro de uma vida.

Ao mesmo tempo, ela também passou a relatar mais sobre as violências domésticas que viveu na relação com o jogador, além dos outros abusos terríveis que sofreu naquele primeiro casamento, desde os 13 anos de idade.

Elza Soares cantou sobre isso como ninguém na potente canção Maria da Vila Matilde, composta especialmente para a cantora por Douglas Germano, para o álbum A Mulher do Fim do Mundo, de 2015.

A canção rapidamente tornou-se um hino no movimento feminista e, sempre que a interpretava em shows e programas de TV, Elza Soares convocava as vítimas a denunciarem seus agressores. 

No auge de seus 85 anos, o álbum foi um sucesso arrebatador da carreira da cantora e a fez renascer – mais uma vez – como uma fênix. Foi o primeiro disco só de músicas inéditas compostas especialmente para Elza e traz outros temas atuais como o sofrimento urbano, a morte, a transexualidade e a negritude.

Aclamado pela crítica nacional e internacional, o álbum ganhou o Grammy Latino do ano seguinte, na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.

5 – Lama (Paulo Marques e Alyce Chaves)

Falamos do sucesso que Elza Soares passou a fazer no Brasil no início dos anos 60, mas não falamos como tudo isso começou!

Lá naquela época em que ficou viúva do primeiro marido, aos 21 anos, Elza trabalhava como faxineira para sustentar os filhos, mas o seu amor e aptidão pela música a acompanhavam desde que era criança. 

Confiante em seu talento para cantar, mesmo sem o apoio da família, ela inscreveu-se – em meados de 1953 –  no concurso musical do programa da Rádio Tupi, Calouros em Desfile, apresentado pelo compositor Ary Barroso

Para a apresentação, Elza usou uma roupa da mãe – que tinha quase vinte quilos a mais que ela – ajustada com vários alfinetes de fralda. 

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Quando ela subiu ao palco, foi recebida pelo auditório e pelo apresentador com gargalhadas. Ary Barroso tentou ridicularizar Elza perguntando-lhe: “De que planeta você veio, minha filha?”, no que ela respondeu com firmeza: “Do mesmo planeta que você, Seu Ary. Do Planeta Fome.”

Acontece que, assim que Elza Soares começou a cantar o samba-canção Lama (de Paulo Marques e Alyce Chaves, lançada por Linda Rodrigues, em 1952), deixou todos boquiabertos. Tirou nota máxima e Ary Barroso anunciou que ali nascia uma estrela.

Planeta Fome, virou o título de seu 34º álbum, em 2019. As roupas alfinetadas que Elza Soares usou em 1953, foram inspiração para o figurino da turnê do álbum.

E Lama tornou-se uma das canções mais importantes da carreira da cantora, tendo sido gravada oficialmente – mais uma vez magistralmente – por Elza somente em 2007, para a trilha sonora do filme Chega de Saudade, de Laís Bodanzky.

6 – Se Acaso Você Chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins)

Depois disso, Elza começa a cantar na Orquestra Garam de Bailes, mas, muitas vezes, não a permitiam subir no palco, por ela ser uma mulher negra. Era só o início de um tanto de preconceitos que continuaram a acompanhar Elza Soares durante toda a sua vida e carreira. Mas ela não se deixou abalar e continuou lutando por sua arte e sua vida.  

Em 1958, depois de integrar o espetáculo É Tudo Juju-frufru, foi convidada a participar de uma turnê por Buenos Aires com diversos músicos. Acomodada em um hotel, Elza dormiu pela primeira vez em um colchão (em casa, deitava-se sobre esteiras feitas com sacos de farinha de trigo).

O que era para durar alguns dias, demorou quase um ano: a cantora levou um calote e, para não voltar ao Brasil sem nenhum dinheiro e derrotada, permaneceu na Argentina fazendo pequenos shows. 

Quando voltou ao Rio de Janeiro, passou a apresentar-se em casas noturnas que eram frequentadas por importantes músicos da época, como Roberto Menescal e João Gilberto. 

Em uma dessas apresentações, a cantora Sylvinha Telles apresentou Elza Soares ao seu marido, Aloysio de Oliveira, produtor da gravadora Odeon, que a convidou para um teste e em seguida a contratou para gravar o seu primeiro álbum: Se Acaso Você Chegasse, de 1960, que tinha a faixa-título composta por Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins.

O disco – e principalmente a canção que dá nome a ele – tiveram bastante visibilidade nas rádios e logo Elza Soares tornou-se um imenso sucesso. 

7 – Malandro (Jorge Aragão e Jotabê)

Em 1971, quando voltou a viver no Brasil depois do exílio na Itália, Elza Soares foi coroada Embaixatriz do Samba, pelo Museu da Imagem e do Som.

Em 1976, ela foi responsável por revelar ao Brasil um dos maiores sambistas da nossa história: Jorge Aragão, ao gravar a música Malandro -de Jorge em parceria com Jotabê – no disco Lição de Vida.

Nós contamos a história de como essa canção grava por Elza, mudou para sempre a vida de Jorge Aragão, em uma matéria especial aqui do site.

Malandro tornou-se um dos maiores sucessos na voz da cantora, que voltou a gravá-la mais diversas vezes, inclusive no seu último álbum, gravado no Theatro Municipal de São Paulo, em 2022.

A gravação abaixo é de 2002, quando Elza participou do DVD Jorge Aragão Convida Ao Vivo: 

8 – Língua (Caetano Veloso)

Em meados dos anos 80, por conta dos acontecimentos em sua vida pessoal, Elza passou por momentos de baixa na carreira. Ela também não queria cantar mais apenas sambas, queria cantar o que sentisse vontade. 

Certa vez, contou em entrevista: “Foi uma época que eu queria parar de cantar, estava em São Paulo, trabalhando em um circo para comprar leite pro meu filho e farinha. Trabalhei em um circo. Caí nos braços do Caetano, chorando, disse: ‘parei de cantar, vou trabalhar em um orfanato, lá sei que meu filho come, lá não vai existir nenhum preconceito, não quero cantar mais, quero parar de cantar’. 

Caetano disse: ‘você não vai parar de cantar. Uma abelha rainha não destrói uma colmeia’, uma coisa assim. ‘E você não pode destruir isso. Você é responsável por muita coisa’. Aí ele falou pra eu voltar pro Rio, me ligou e disse: ‘vou te pegar hoje e vou te levar uma coisa pra fazer algo comigo’. E foi quando gravei Língua com ele. Foi quando teve o ressurgimento de Elza Soares. Foi ali que voltei a ter coragem pra enfrentar o meio artístico.”.

Foi isso que aconteceu: sua carreira só se revitalizou em 1984, quando Caetano Veloso a convidou para participar do seu disco Velô, gravando com ele a música Língua.

No ano seguinte – depois de cinco anos sem gravar discos – ela lançou seu álbum Somos Todos Iguais, e – em 1988, um disco chamado Voltei.

Quando a cantora faleceu, o baiano contou um pouco sobre a relação dos dois e a música que gravaram juntos:

“Elza Soares foi uma concentração extraordinária de energia e talento no organismo da cultura brasileira. Tendo sido fã de sua voz e musicalidade desde os meus anos de ginásio, tive a honra de ser procurado por ela quando de sua iminente decisão de abandonar a carreira e/ou o Brasil. Fui capaz de convencê-la a ficar porque entendi que aquilo era uma espécie de pedido de socorro.

Compus o samba-rap Língua e a convidei para cantar a parte melódica. Assim, ela voltou a cantar e a receber atenção. Voltou à televisão e, depois, figuras tão díspares quanto Lobão e Zé Miguel Wisnik fizeram questão de trabalhar com ela.

Recentemente jovens músicos paulistanos (e ao menos um carioca que vive em Sampa) têm feito com ela o que ela merece. Morreu na glória a que fazia jus, numa idade respeitável, afirmando a grandeza possível do Brasil.”

Neste último parágrafo, ele citava os compositores que escreveram especialmente para Elza as canções dos álbuns A Mulher do Fim do Mundo (2015) e Deus É Mulher (2018).

9 – A Carne (Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses Cappelletti)

A libertação artística de Elza Soares veio mesmo em 2002, quando a cantora lançou Do Cóccix até o Pescoço – indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira – edisco que conta com músicas que trazem à tona pautas sociais importantíssimas como o grande clássico A Carne, de Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses Cappelletti

A canção é uma das mais marcantes da carreira de Elza e explora o racismo vivido constantemente por uma maioria brasileira de pessoas pretas e pardas no Brasil, como a cantora, que enfrentou discriminações ao longo de toda a sua vida e carreira.

A letra da canção, lançada originalmente pela banda Farofa Carioca em 1998, e regravada por Elza Soares a plenos pulmões em 2002, diz:

“A carne mais barata do mercado é a carne negra

Que vai de graça pro presídio

E para debaixo do plástico

E vai de graça pro subemprego

E pros hospitais psiquiátricos”

A versão de Elza para A Carne ganhou o país inteiro.

Anos depois, em 2018, no espetáculo Elza Soares – O Musical, que conta a história da cantora por meio de sete diferentes atrizes e cantoras (entre elas, Larissa Luz) que a interpretam ao longo de toda a sua vida e carreira, a canção ganhou novos contornos: as artistas cantavam “A Carne mais barata do mercado ERA a carne negra. AGORA NÃO É MAIS. PAREM DE NOS MATAR”. 

De arrepiar! 

10 – A Mulher do Fim do Mundo (Rômulo Fróes e Alice Coutinho)

Em 1999, Elza Soares sofreu uma queda em um show no Rio de Janeiro e passou a se locomover com muita dificuldade. 

Em 2014 operou a coluna vertebral por conta desse acidente, em uma cirurgia que poderia ter afetado suas cordas vocais, mas que – pelo contrário – traz de volta uma Elza de voz ainda mais potente no palco, mesmo que com mobilidade reduzida do corpo.

Em A Mulher do Fim do Mundo, álbum lançado em 2015, Elza cantou com emoção – na faixa que dá o nome ao disco, composta especialmente para ela por Rômulo Fróes e Alice Coutinho –  que quer, e vai, cantar até o fim.

O Pitchfork, um dos sites de música mais importantes do mundo, o elegeu como melhor novo álbum e no artigo, diz que Elza “desenvolveu uma das vozes mais distintas da MPB”.

Em uma de suas últimas entrevistas, Elza Soares disse que se não fosse a música, não estaria viva até hoje. Que a música é uma anestesia natural. 

A Mulher do Fim do Mundo cantou até o fim. E ainda canta. Cantará pra sempre nos corações de todos os brasileiros e brasileiras. Viva, Elza Soares!, a cantora do Milênio.

Temos também uma Playlist Especial com os 40 principais sucessos da artista, listados em ordem cronológica de quando foram lançados. Então, se você seguir a playlist na sequência, fará uma viagem pela vida e pela obra de Elza:

Aliás, você já escutou o Acervo MPB Elza Soares, uma áudio-biografia exclusiva Novabrasil, que narra detalhes sobre a vida e a obra dessa gigante da nossa nossa música? É um conteúdo IMPERDÍVEL!

por Lívia Nolla

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