10 artistas LGBTQIAPN+ na MPB 

Lívia Nolla
10:00 21.06.2024
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Música

10 artistas LGBTQIAPN+ na MPB 

No Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, 10 artistas da música brasileira que fazem da sua arte ferramenta para combater o preconceito

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- 21.06.2024 - 10:00
10 artistas LGBTQIAPN+ na MPB 
10 artistas LGBTQIAPN+ na MPB 

No próximo dia 28 de junho, é celebrado no mundo inteiro o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+.

A data foi instituída depois de um episódio marcante na luta da Comunidade LGTB pelos seus direitos: a Rebelião de Stonewall Inn

Stonewall Inn foi um bar em Nova York, muito popular entre a Comunidade LGBTQIAPN+ na década de 60, que sofreu ataques homofóbicos de policiais, no ano de 1969. 

Nos dias que se passaram, os frequentadores do bar se uniram em protestos seguidos contra a violência e a discriminação que sofreram, iniciando uma verdadeira rebelião, na luta por respeito e igualdade.

Desde então, essa luta torna-se cada vez mais legítima, importante e necessária.

E, por isso, o mês inteiro de junho é marcado por diversos eventos que reforçam ainda mais ativamente o que já devemos fazer todos os dias: discutir sobre a importância do combate à homofobia e a construção de uma sociedade igualitária e livre de preconceitos. 

Neste mês, já publicamos uma coluna aqui no site, escrita pelo Renan Quinalha, sobre como a música brasileira pode ajudar no combate ao preconceito, citando Ney Matogrosso como exemplo forte e vivo disso.

Hoje, separamos uma lista com outros 10 artistas da música brasileira, de todos os tempos, que fazem parte da comunidade LGBTQIAPN+ e que usaram da arte uma ferramenta para combater o preconceito.

Viva o amor e o respeito. Viva o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+

Para que todas as vozes sejam ouvidas. Com muito orgulho de serem quem são. Pelo direito à liberdade. Pelo direito de existir.

1- Cazuza

Cazuza | Reprodução – Site oficial do artista

Cazuza foi um artista icônico e importantíssimo na cena musical brasileira dos anos 80 e  também na luta pela liberdade e a aceitação e contra o preconceito. E assim segue até hoje. Não apenas por sua música – em letras como O Tempo Não Pára, Exagerado, Ideologia e Por que a Gente é Assim –  mas também por sua postura, personalidade e autenticidade.

Ele foi um dos primeiros artistas brasileiros a se declarar abertamente LGBT e a abordar questões relacionadas à sexualidade e identidade de gênero em suas letras e em sua vida pessoal, tornando-se figura inspiradora para muitas pessoas da comunidade LGBTQIAPN+.

Sua coragem em ser aberto sobre sua sexualidade e em desafiar as normas sociais  daquela época contribuiu para abrir caminho para uma maior aceitação e visibilidade da comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil.

Ele também foi o primeiro artista brasileiro a declarar publicamente que era HIV positivo e depois a falar sobre o seu tratamento contra a AIDS, ajudando a desmistificar muitas questões sobre a doença e a acolher muitas outras pessoas que sofriam por conta dela, em uma época em que ainda era chamada preconceituosamente de “câncer gay”.

Hoje, a Sociedade Viva Cazuza oferece assistência a crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS. A organização foi criada em 1990, um ano após sua morte.

Cazuza é um grande exemplo de como a arte pode ser uma ferramenta poderosa para promover mudanças sociais e seu legado é imensurável na luta pelos direitos da comunidade LBTGQIAPN+.

“Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro”

O Tempo Não Para – Cazuza e Arnaldo Brandão (1988)

2 – Maria Gadu

Maria Gadú | Foto: Loiro Cunha / Divulgação

Maria Gadú é um dos maiores nomes da música brasileira atual e tem sido – desde que despontou no cenário nacional – uma figura importante na representação e no apoio à comunidade LGBTQIAPN+ no país.

Ao longo de sua carreira, a cantora, compositora e ativista tem sido uma voz ativa em questões relacionadas aos direitos LGBT, usando sua música e sua visibilidade para falar abertamente sobre orgulho, aceitação, igualdade e combate ao preconceito.

Maria Gadú participa de eventos diversos sobre o tema e usa sua música e suas redes para promover a visibilidade e a aceitação da LGBTQIAPN+. Sua postura aberta e autêntica serve como um exemplo inspirador para outras pessoas que lutam por igualdade e respeito.

O ativismo de Maria Gadú vai muito além das questões LGBTQIAPN+. A cantora também é muito engajada na causa dos direitos dos povos indígenas e do meio ambiente, posicionando-se ativamente e politicamente.

“Agora sei não mais reclama
Pois dores são incapazes
E pobres desses rapazes
Que tentam lhe fazer feliz

Escolha feita inconsciente
De coração não mais roubado
Homem feliz, mulher carente
A linda rosa perdeu pro cravo”

Linda Rosa – Gugu Peixoto e Luiz Kiari 

3 – Liniker

A cantora Liniker | Caroline Lima / Divulgação

A cantora, compositora e atriz Liniker já combate o preconceito apenas por existir. Ela é uma mulher preta trans, e tem sido uma voz importante na luta por igualdade e visibilidade para as pessoas trans e para a comunidade negra e LGBTQIAPN+ em geral.

Sua presença nos palcos e sua música oferecem uma representação poderosa para pessoas LGBTQIAPN+, especialmente para pessoas trans, que por muito tempo foram – e seguem ainda sendo – marginalizadas na indústria musical. 

Ela foi a primeira artista trans do Brasil a ganhar um Grammy Latino na história – em 2022, na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, pelo disco Indigo Borboleta Anil – e também é a primeira mulher trans na Academia Brasileira de Cultura, eleita “imortal” aos 28 anos.

Além de sua música, Liniker usa sua visibilidade para falar sobre questões importantes enfrentadas pela comunidade LGBTQIAPN+, incluindo identidade de gênero e também a luta contra a discriminação, a violência e a falta de acesso a direitos básicos.

Suas letras frequentemente abordam temas de amor, autoconhecimento, resistência e empoderamento. Por meio de sua arte e de sua existência, ela busca criar um espaço de acolhimento e aceitação, tanto para si mesma quanto para seu público.

4 – Renato Russo

Renato Russo | Foto: Divulgação

Renato Russo – líder por 14 anos de uma das mais importantes bandas brasileiras de todos os tempos, a Legião Urbana – foi uma figura extremamente importante para a comunidade LGBTQIAPN+ no país.

Ao longo de sua carreira, Renato Russo escreveu diversas letras que abordavam temas como amor, desejo e liberdade. Suas músicas frequentemente serviam como hinos para uma geração que estava lidando com questões de identidade e sexualidade, oferecendo uma voz para aqueles que se sentiam marginalizados ou incompreendidos.

Para além de suas importantes letras, Renato também era conhecido por seu ativismo em prol dos direitos humanos e da diversidade. Ele defendia publicamente a igualdade e a aceitação de todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero. Sua postura progressista e sua influência como uma figura pública ajudaram a promover uma maior conscientização e respeito para com a comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil.

Em 1989, Renato Russo descobriu ser HIV positivo. Ele nunca assumiu isso publicamente em vida, mas parte dos royalties do seu primeiro disco solo, The Stonewall Celebration Concert, lançado em 1994, foi doada à campanha Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, criada pelo sociólogo e ativista Herbert de Souza, o Betinho, que morreu em 1997, vítima da AIDS. O encarte do disco traz informações sobre entidades sociais de proteção às crianças e mulheres, à natureza e aos homossexuais e pessoas vivendo com HIV.

O álbum é uma homenagem aos vinte cinco anos da famosa Rebelião de Stonewall, em Nova Iorque, de luta pelos direitos da comunidade LGBT.

Renato Russo disse uma vez em entrevista que escrevia canções que “conversavam sobre experiências urbanas do que é ser um jovem brasileiro vivendo a partir dos anos 70, com traços românticos e narrativos nas letras”.  Suas letras abordaram temas sociais e políticos, e também o amor, a liberdade, a solidão,  depressão, soropositividade, intolerância e injustiça, 

A canção Meninos e Meninas, por exemplo, é um grito de liberdade de toda uma geração abafada pelo preconceito:

Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui

Acho que gosto de São Paulo e gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas”

Meninos e Meninas – Renato Russo, Renato Bonfá, Dado Villa-Lobos (1989) 

5 – Daniela Mercury 

Daniela Mercury | Foto: Célia Santos (Divulgação)

Daniela Mercury sempre foi uma defensora dos direitos humanos e da diversidade, mas seu envolvimento com a comunidade LGBTQIAPN+ ganhou ainda mais destaque em 2013, quando ela se assumiu publicamente como bissexual e revelou seu relacionamento com a jornalista Malu Verçosa. As duas se casaram no mesmo ano, e Daniela passou a ser uma das vozes mais influentes e visíveis na luta pela igualdade de direitos no Brasil.

Daniela desafiou preconceitos e ajudou a aumentar a visibilidade das questões LGBTQIAPN+ no país. Sua postura aberta e sua defesa apaixonada pelos direitos LGBT inspiram muitos e ajudam a fomentar um debate nacional sobre a aceitação e igualdade.

A cantora utiliza sua arte como uma plataforma para promover a diversidade, o respeito e a inclusão. Suas músicas, videoclipes e performances frequentemente abordam temas de liberdade, amor e resistência. 

Além de sua música, Daniela Mercury participa de eventos, marchas e campanhas que promovem os direitos LGBTQIAPN+, e utiliza sua influência para advogar por mudanças legislativas e sociais. Daniela é embaixadora do UNICEF no Brasil desde 1995, e tem usado essa posição para promover a inclusão e a igualdade, ajudando a sensibilizar a sociedade para as questões enfrentadas pela comunidade LGBT.

A artista possui várias canções que são verdadeiros hinos de empoderamento e liberdade, como A Rainha do Axé (Rainha Má) e Maria Casaria, cujo clipe (com cenas do seu casamento com Malu, em 2013) entrou para a primeira campanha mundial da ONU contra a Homofobia: Livres e Iguais, de 2015:

“Todos os meus sentidos sabiam da sua existência
Mas sem consciência eu já amava Maria
Com o olfato, tato, o olhar, o seu corpo dizia
Que eu conhecia Maria e eu nem sabia”

Maria Casaria – Daniela Mercury (2015)

6 – Ludmilla

Ludmilla | Foto: Chico Cerchiaro (Divulgação)

Ludmilla se assumiu bissexual publicamente em 2019, quando revelou seu relacionamento com a dançarina Brunna Gonçalves, com quem se casou no mesmo ano. Sua abertura sobre sua orientação sexual e seu relacionamento foi um marco importante, especialmente no cenário musical brasileiro em que ela se encontra, onde questões de diversidade sexual e identidade de gênero muitas vezes enfrentam resistência e preconceito.

Como uma mulher negra, de favela e bissexual, Ludmilla usa sua visibilidade para promover a aceitação e o respeito pela comunidade LGBTQIAPN+ e também para falar sobre racismo, desigualdade social e machismo, desafiando estereótipos e combatendo o preconceito. 

Muitas das suas letras e videoclipes também abordam temas de amor, diversidade e empoderamento. Em 2021, Ludmilla lançou o single Rainha da Favela, que celebra sua origem e seu sucesso, desafiando estereótipos e destacando a força das mulheres negras e periféricas.

Além disso, Ludmilla lançou – em 2020 – o projeto Numanice, um álbum de pagode que foi bem recebido tanto pela crítica quanto pelo público. A diversidade de sua produção musical, que inclui funk, pop, pagode e R&B, mostra sua versatilidade e a capacidade de alcançar diferentes públicos, promovendo mensagens de aceitação e amor.

A cantora carioca é uma figura influente, que inspira muitos jovens LGBTQIAPN+ a viverem suas vidas com autenticidade e orgulho. Sua coragem em se assumir publicamente e a maneira como ela lida com a visibilidade e o preconceito serve de exemplo e motivação para muitos. Ela não apenas quebra barreiras no cenário musical, mas também atua como uma voz poderosa contra a discriminação e a favor da diversidade.

Sua presença e ativismo contribuem para a construção de um ambiente mais inclusivo e acolhedor para a comunidade LGBT, tanto na indústria da música quanto na sociedade em geral. Ludmilla usa sua arte e sua plataforma para promover mudanças positivas, solidificando seu papel como uma defensora dos direitos LGBTQIAPN+ e como uma das artistas mais importantes de sua geração.

Em 2022, Ludmilla lançou uma música especialmente para a sua esposa, Brunna, chamada Maldivas:

Veja também:

“A minha de fé, minha preferida, eu
Eu caso com essa mulher e vou parar lá em Maldivas”

Maldivas – Ludmilla (2022) 

7 – Filipe Catto

Filipe Catto | Foto: Divulgação / Juliana Robin

A cantora e compositoraFilipe Catto é uma voz ativa na luta pelos direitos LGBTQIAPN+, utilizando sua visibilidade para promover a aceitação e a compreensão das questões de gênero e sexualidade. Sua identidade como uma pessoa não-binária é uma parte central de sua vida e arte, e ela frequentemente aborda temas de identidade, amor e liberdade em suas canções.

Desde o início de sua carreira, Catto tem se posicionado como uma defensora dos direitos LGBT, e – com sua postura corajosa – desafia as normas tradicionais de gênero e sexualidade, inspirando muitas outras pessoas a viverem suas vidas com autenticidade e orgulho.

A música de Filipe Catto é profundamente pessoal e carregada de significados, refletindo sua jornada como uma pessoa LGBTQIAPN+ no Brasil. Suas letras e performances exploram temas de amor, dor, resistência e autoconhecimento, muitas vezes falando diretamente sobre as experiências e desafios enfrentados pela comunidade LGBT.

A cantora de voz exuberante e presença de palco marcante, utiliza sua música como uma forma de resistência e expressão, abordando questões sociais importantes com sua representatividade e trazendo mensagens de orgulho e combate.

Em entrevista recente à Billboard, Filipe Catto deu uma declaração bastante tocante: 

“Quando eu era criança, chegava para a minha mãe e falava que não era menino. Não me sentia daquela forma e rezava para poder ser quem sou hoje: uma pessoa trans não binária. Era meu maior sonho. Meus pais, coitados, fizeram o que podiam. Não destruíram minha individualidade infantil por falta de amor, mas por ignorância e medo. O destino de uma pessoa trans naquela época era a morte, a violência e a marginalidade. Foi muito complicado crescer nesse mundo sem ter nenhuma representatividade.

Quisera eu, com cinco anos, ver alguém não binário na TV para ajudar a minha mãe a me compreender. Hoje, isso é uma questão resolvida entre nós. Assim que descobri que pessoas não binárias existiam, fui atrás para entender e li muitos livros. Vi que poderia ter liberdade dentro da minha vivência. Caiu como uma luva. Minha afirmação de gênero me arrebentou inteira por dentro, mas foi um alívio. Ser uma pessoa trans é um processo, e temos que nos tratar com muito carinho.”

Deixei meus trapinhos em cima da cama
Fiz tudo ligeiro
Peguei maquiagem, valise e coragem
Enquanto não vinhas
Eu peguei o dinheiro da minha passagem que era só de ida
Não olho pra trás, parti e não vou mais é voltar pra essa vida

Roupa do Corpo – Filipe Catto (2009) 

8 – Flor de Mururé

Flor de Mururé | Foto: Ygor Negrão

O jovem artista amazonense Flor de Mururé é cantor, compositor, multi-instrumentista e umbandista transgênero.

Flor de Mururé  se identifica como uma pessoa não-binária e sua identidade de gênero é uma parte central de sua expressão artística e de seu ativismo, usando constantemente a sua arte como ferramenta para combater o preconceito e promover a igualdade. 

A arte de Flor de Mururé é também uma poderosa ferramenta de resistência e expressão: Eu Sou Flor, primeiro EP do artista, lançado em 2019, quando ele tinha apenas 19 anos, conta com a faixa-título que é uma apresentação de quem é Flor de Mururé ao mundo.

A poesia política presente nas composições foi traduzida em linguagem audiovisual,  em um videoclipe de Eu Sou Flor, que conta com a participação de mais cinco artistas trans no elenco, e coloca em evidência as construções estéticas e filosóficas de uma Comunidade Transcentrada. 

“O clipe traz a importância dele na potência que é cada vivência mostrada. Tudo que ele traz de corpo das pessoas retratada nele é a importância de se manter vivo dentro da sociedade, que tanto esmaga nossa vivência e perspectiva de vida. O clipe mostra também que a gente está se reorganizando, se formando, fazendo revolução. Eu estou muito feliz com o resultado, porque ele é algo que eu queria ter visto quando comecei a transicionar, é sobre trazer referências para pessoas que estão vindo”, declara o artista. 

Flor de Mururé é artista dos palcos e das ruas, e trabalha nos coletivos de Ananindeua/Belém levando para onde vai a realidade do que é ser uma pessoa transgênera periférica dentro da nossa sociedade.

CROA, seu primeiro álbum, lançado em maio de 2024, é como um manifesto de fé e resistência LGBTQIAPN+. O trabalho é resultado do acúmulo de vivências de Flor, que saiu de casa muito jovem, ainda aos 16 anos, diante de tensões familiares relacionadas a sua identidade.

Também como manifesto LGBTQIAPN+, o trabalho traz diversos artistas trans que fazem parte do disco, desde concepção, identidade visual, até o coral. “São mais de dez artistas trans. E eu quero incluir mais ainda pessoas trans, pra que o mundo nos conheça”, diz Flor.

“Nem menino, nem menina

Nem homem nem mulher

Eu Sou a Flor de Mururé

Nem menino, nem menina

Eu visto o que quiser

Eu Sou a Flor de Mururé”

Eu Sou Flor – Flor de Mururé (2019)

9 – Johnny Hooker

Johnny Hooker | Foto: Reprodução

Johnny Hooker é um cantor, compositor, ator e roteirista brasileiro que se destaca por seu talento artístico e seu ativismo na comunidade LGBTQIAPN+ e na luta por direitos.

O artista pernambuco usa a sua música, suas performances, sua visibilidade e suas redes para promover a visibilidade LGBT e lutar ativamente contra o preconceito, falando sobre suas próprias experiências e os desafios enfrentados pelas pessoas LGBTQIAPN+ no Brasil.

Hooker participa de eventos e campanhas que promovem a igualdade e a inclusão e sua postura aberta e corajosa ajuda a desafiar estereótipos e preconceitos, inspirando outros a se expressarem autenticamente e a lutarem por seus direitos.

Suas músicas e videoclipes abordam temas de amor, dor, resistência e identidade, tornando-se verdadeiros hinos de empoderamento e resiliência. O maior exemplo disso é a canção Flutua, sobre a qual contamos a história nesta matéria especial, publicada no Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, 17 de maio.

Vale muito a leitura!

O clipe de Flutua, com a participação da cantora Liniker e dos atores Jesuíta Barbosa e Maurício Destri, é um grito de luta e visibilidade:

“Ninguém vai poder querer nos dizer como amar!”

Flutua – Johnny Hooker (2017)

10 – Rico Dalasam

Rico Dalasam | Foto: Larissa Zaidan / Divulgação

O cantor, compositor e rapper paulistano Rico Dalasam é um poeta, um ser da palavra. Além de um artista com uma construção estética e musical extremamente apurada, Rico é o primeiro representante do queer rap no Brasil.

Rico vem do seu nome – Jefferson Ricardo – e Dalasam é um acrônimo, uma junção das letras iniciais da frase “Disponho Armas Libertárias a Sonhos Antes Mutilados”.

Nascido em Taboão da Serra, município de São Paulo, Rico é formado em audiovisual, já trabalhou com moda e trançando cabelos, participava das famosas batalhas de MCs da Santa Cruz, até que lançou seu primeiro single, Aceite-se, em 2014.

No ano seguinte veio o primeiro EP, Modo Diverso, com o que fez pra se apresentar, um disco celebrativo dos seus melhores orgulhos e de quem se identificar com eles. Misturando rap com R&B, funk e eletrônico, Rico Dalasam passou a ser representatividade pra que muitos outros colocassem seus corpos e sua voz para jogo.

Depois, veio o primeiro álbum, Orgunga, junção das palavras “orgulho”, “negro” e “gay”. Fala de amor e de afeto: versa sobre aceitação, gêneros e relacionamentos. Em seu trabalho, podemos perceber versos mais fortes e combativos e também versos mais afetivos e doces.

Como ele mesmo diz, Rico é fervo e protesto, é flor e granada no mesmo corpo.

Em 2017, veio o EP Balanga Raba – que é mais do fervo, mais pop, mas também com mensagens importantes, canções sobre relacionamentos homoafetivos, interraciais e recorte de classes.

Depois de uma pausa de três anos, Rico Dalasam voltou com o álbum Dolores Dala Guardião do Alívio, um trabalho íntimo e sensível, em que estabelece na força das rimas, romances e vivências acumuladas, um misto de dor e alívio, recolhimento e transformação. Em que vai se despindo em cada canção.

O EP Fim das Tentativas, de 2022, em que versa sobre Amor e Dor, de sofrimento e esperança. 

E, por fim, o último lançamento de Rico Dalasam foi Escuro Brilhante, álbum que marca o fim de uma trilogia muito importante na sua vida e na sua carreira. iniciada com seus dois aclamados projetos anteriores, que apresentam um jovem negro, gay, desbravando suas primeiras impressões sobre afeto, amor e coisas que deram certo e coisas que não deram certo.

Segundo ele, agora, as canções partem de um lugar de relembrar o próprio brilho e poder se ver inundado por ele. É como tirar o protagonismo do que era trauma, dor e cicatriz e colocar este protagonismo na maneira como nos identificamos na sociedade e na vida.

Escute a entrevista que Rico Dalasam deu ao Vitrine Novabrasil, em 2023.

O que sei sobre o amor, eu inventei
Inventei um jeito pra me amar
E quando alguém se sente amado por mim
Eu penso que deu certo o que eu precisei inventar

Nunca foi e nem nunca será semelhante a nada
Quando garotos negros amam
Quando garotos negros se amam
Sempre se inventou um jeito

Guia de um Amor Cego – Rico Dalasam e Dinho (2022)

Você conhece também a nossa playlist com clássicos da MPB que falam sobre o Orgulho LGBTQIA+? Dá o play e venha celebrar o orgulho e combater o preconceito com a gente!

por Lívia Nolla

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Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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