Prêmio da Música Brasileira 2024: saiba tudo sobre a premiação

Lívia Nolla
14:29 11.06.2024
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Arte e cultura

Prêmio da Música Brasileira 2024: saiba tudo sobre a premiação

Com parceria da Novabrasil, cerimônia será realizada nesta quarta-feira, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e o homenageado será Tim Maia

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- 11.06.2024 - 14:29
Prêmio da Música Brasileira 2024: saiba tudo sobre a premiação
Tim Maia será o homenageado da edição deste ano. Foto: Divulgação

O Prêmio da Música Popular Brasileira está chegando e a Novabrasil é uma das parceiras da premiação mais importante da MPB.

A 31ª edição do Prêmio da Música Popular Brasileira acontece nesta quarta-feira, dia 12 de junho de 2024, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e o artista homenageado desta vez é o grande e incomparável Tim Maia.

Prêmio da Música Brasileira de 2016 | Imagem: Reprodução Site Oficial do evento

Sobre o Prêmio da Música Brasileira

O PMB foi criado e idealizado por Zé Maurício Machline, que – acompanhado de um time de conselheiros de peso, composto atualmente por nomes como Arnaldo Antunes; Djavan; Emicida; Gilberto Gil;João Bosco; Karol Conka; Ney Matogrosso; e Wanderléa – celebra e reverencia a música popular brasileira há 37 anos, desde 1987.

O evento nasceu como Prêmio Sharp e manteve esse nome por mais de uma década, depois recebeu o nome de Prêmio TIM de Música, até finalmente ser chamado de  Prêmio da Música Popular Brasileira, sempre valorizando o talento e a riqueza da música produzida em todos os cantos do nosso país, em seus diversos gêneros e estilos, premiando um total de 31 categorias.

A cada ano, o Prêmio da Música Brasileira presta homenagem a um grande nome da nossa música. Entre eles, já foram homenageados, por exemplo:

  • Tom Jobim
  • João Bosco
  • Noel Rosa
  • Dona Ivone Lara
  • Clara Nunes
  • Dominguinhos
  • Zé Keti
  • Jair Rodrigues
  • Baden Powell
  • Lulu Santos
  • Ary Barroso
  • Gal Costa
  • Jackson do Pandeiro
  • Rita Lee
  • Milton Nascimento
  • Elis Regina
  • Gilberto Gil
  • Ângela Maria & Cauby Peixoto
  • Luiz Gonzaga
  • Elizeth Cardoso
  • Maysa
  • Dorival Caymmi
  • Vinícius de Moraes. 

Em sua 25ª edição,  no ano de 2014, o Prêmio da Música Brasileira homenageou, pela primeira vez, não um artista, mas um ritmo: o Samba. Na edição de 2015, o Prêmio voltou a destacar a grandiosidade de um artista brasileiro, homenageando Maria Bethânia. A comemoração foi dupla, uma vez que o ano também marcou os 50 anos de carreira da musa baiana.

Bethânia também é a artista mais premiada ao longo de toda a história do evento, tendo recebido 23 troféus até hoje, seguida de Alcione, com 21 troféus, e de seu irmão – Caetano Veloso – com 21. 

Em seguida, as homenagens seguiram a cada ano, celebrando: Gonzaguinha, Ney Matogrosso, Luiz Melodia e Alcione, homenageada da mais recente e trigésima edição do Prêmio, no ano passado.  

Este ano, o Prêmio da Música Brasileira celebra, ninguém mais, ninguém menos que: Tim Maia!

Tim Maia: o homenageado de 2024

Um dos maiores artistas da história do nosso país, o cantor, compositor, instrumentista e produtor musical carioca Tim Maia já venceu o Prêmio da Música Brasileira 13 vezes e, em 2024, é o grande homenageado do evento.

Dono de uma musicalidade e potência vocal sem igual, de voz plena e rasgada, interpretação forte e potente, Tim Maia foi responsável por introduzir principalmente o soul, mas também o funk e o R&B na música popular brasileira.

A música de Sebastião Rodrigues Maia trouxe uma maravilhosa e até então inédita fusão entre ritmos brasileiros e norte-americanos, como – por exemplo – do baião com o soul, mudando para sempre a história da nossa cultura.

Nascido no bairro da Tijuca – zona norte do Rio de Janeiro – em 1942, Tim teve uma infância bem humilde e vendia marmitas com a família, sendo conhecido como Tião Marmiteiro.

Ele era amigo de infância de Erasmo Carlos, para quem ensinou os primeiros acordes no violão. Foi junto com Erasmo, na juventude, que começou a frequentar o famoso Bar do Divino, na Tijuca, onde também conheceu Roberto Carlos, com quem formou sua primeira banda profissional: The Sputniks.

Roberto e Tim tiveram um desentendimento quando a banda The Sputniks terminou, e só alguns anos depois retomaram a amizade, quando Tim Maia compôs o grande sucesso Não Vou Ficar para Roberto Carlos lançar, em 1969, projetando o nome de Tim para o Brasil inteiro.

No ano seguinte, Tim Maia lançou o seu primeiro álbum, que levou o seu nome e já trouxe aqueles que seriam grandes clássicos da carreira do artista, como: Azul da Cor do Mar; Jurema; Cristina (parceria com Carlos Imperial); Coroné Antônio Bento (de Luiz Wanderley e João do Vale); Eu Amo Você e Primavera (Vai Chuva) (ambas de Cassiano e Silvio Rochael).

Em seguida, vieram mais de 30 álbuns de sucesso, sempre com grandes hits em todas as paradas e pistas de dança, além de alguns álbuns póstumos e coletâneas após a sua morte.

Entre suas principais canções, outros sucessos como, por exemplo:

  • Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)
  • Você
  • Réu Confesso
  • Do Leme Ao Pontal
  • Vale Tudo
  • Acenda o Farol
  • Sossego
  • Você E Eu, Eu E Você (Juntinhos) (todas essas composições solo de Tim)
  • A Festa Do Santo Reis (de Márcio Leonardo)
  • Gostava Tanto de Você (de Édson Trindade)
  • O Descobridor dos Sete Mares (de Michel e Gilson Mendonça)
  • Me Dê Motivo
  • Leva
  • Um Dia de Domingo (essas três últimas da dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas).
Tim Maia no Prêmio da Música Brasileira de 1993

O caminho de Tim Maia até o sucesso 

Mas as coisas não aconteceram tão fácil assim para Tim Maia.

Veja também:

No final dos anos 50, Tim Maia conseguiu ir para os Estados Unidos –  onde teve o primeiro contato com a gravadora Motown e com os gêneros musicais que depois apresentaria ao Brasil em suas canções – graças a uma missão que a Arquidiocese do Rio de Janeiro estava mandando ao país. 

Depois que seu pai morreu, Tim havia vendido todas as suas coisas e pedido dinheiro emprestado para tentar juntar a quantia e realizar o seu grande sonho de conhecer os EUA, mas o valor ainda não era suficiente.

Por ter sido coroinha na infância, na Igreja dos Capuchinhos, em seu bairro, Tim era muito querido pelo Frei Cassiano, que o ajudou a embarcar junto com os padres, sem precisar pagar a passagem.

Nos Estados Unidos, Tim Maia passou fome e foi até preso, até voltar do país com uma bagagem musical e influências que o permitiram mudar para sempre o DNA da música popular brasileira.

Dono de uma personalidade única e forte, Tim Maia foi um dos primeiros artistas independentes do Brasil, lançando grande parte de suas músicas por meio da sua própria gravadora, a Vitória Régia Discos (antes chamada Seroma, união das sílabas iniciais de seu nome: SE-RO-MA).

Fase Racional e mais sucessos 

Em certa fase da carreira, Tim Maia passou a seguir a Cultura Racional: uma seita ou filosofia de vida, que levou também para a sua arte.

Os discos Tim Maia Racional Vol. 1 e Vol. 2 (1975) são obras primas da MPB e mostram o cantor em plena forma vocal (tinha parado de beber, fumar, comer carne vermelha, só usava branco e todos da banda deveriam fazer o mesmo) e arranjos fenomenais. 

Os discos da fase Racional, uma das mais produtivas de sua carreira, viraram artigos de colecionador, depois que o cantor descobriu que estava seguindo um guru e uma seita enganosos e passou a renegar os álbuns dessa fase: destruiu ativamente o material, proibiu seu relançamento e desencorajou regravações enquanto ainda estava vivo. Não adiantou. 

Músicas como Universo em Desencanto; Bom Senso; O Caminho do Bem; Guiné Bissau Moçambique e Angola Racional;  e Imunização Racional (Que Beleza), que traziam os ideias da Cultura Racional em suas letras, estão também entre os seus maiores sucessos.

Em 2008, a revista Rolling Stone Brasil classificou Tim Maia como o maior cantor brasileiro de todos os tempos e o 9º maior artista da música nacional

O artista ficou conhecido também como “Síndico” – apelido dado inclusive pelo amigo Jorge Ben Jor – na música W Brasil, em que cita Tim Maia. Ben Jor disse que o Brasil estava vivendo um momento tão louco, que – se fosse um prédio – o síndico com certeza seria Tim Maia (Tim inclusive chegou a dizer para Jorge que queria ser síndico do prédio onde morava, imaginem só!).

Tim Maia celebrado para sempre

No dia 15 de março de 1998, Tim Maia estava em cima do palco, prestes a começar a cantar, quando passou mal durante um show especial para a televisão, gravado no Teatro Municipal de Niterói.

Ele teve que ser retirado às pressas por sua equipe e levado para o hospital com uma crise hipertensiva e um edema pulmonar. Ficou internado por alguns dias, até falecer por falência múltipla dos órgãos, aos 55 anos.

Confira aqui uma matéria completa que a Novabrasil publicou sobre a vida e a obra do homenageado do 31º Prêmio da Música Brasileira: Tim Maia.

Confira também mais informações sobre o evento deste ano, no site oficial do Prêmio da Música Brasileira.

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Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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