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Conheça a história da música “Rosa”, de Pixinguinha
Conheça a história da música “Rosa”, de Pixinguinha
Há exatos 52 anos, o Brasil se despedia de um dos músicos de maior importância para a cultura do país; confira nosso especial


Há exatos 52 anos, um dos músicos mais importantes da história do Brasil nos deixava órfãos do seu talento. Por isso, hoje, vamos conhecer a história da música “Rosa”, um dos maiores sucessos da carreira do maestro, compositor, flautista, saxofonista e arranjador carioca Pixinguinha.
Sobre Pixinguinha
Pixinguinha nasceu Alfredo da Rocha Vianna Filho, no Rio de Janeiro, acreditava-se que em 23 de abril de 1897. Ele foi tão importante para a criação do Choro no Brasil, que – em setembro de 2000 – estabeleceu-se esta data como sendo o Dia Nacional do Choro, em uma lei originada por iniciativa do bandolinista e compositor Hamilton de Holanda e seus alunos da Escola de Choro Raphael Rabello.
Tempos depois, em 2016, descobriu-se que a verdadeira data de nascimento de Pixinguinha é 04 de maio, mas o Dia Nacional do Choro manteve-se sendo comemorado em 23 de abril.
Pixinguinha era filho de um flautista amador, que fez parte de um grupo de músicos que sistematizou e divulgou a linguagem do Choro na virada do século XIX para o XX e tinha uma grande coleção de partituras de choro antigas, incluindo originais de Joaquim Antônio Callado, considerado o “patrono dos chorões”.
Seu pai organizava frequentes reuniões musicais em sua casa e Pixinguinha foi iniciado no cavaquinho pelos irmãos mais velhos e tinha uma flauta rudimentar de lata com a qual tirava músicas de ouvido.
Talento precoce, com 11 anos já acompanhava o pai e começava a compor, quando se tornou aluno de Irineu de Almeida, com quem desenvolveu as habilidades de leitura e escrita de partituras e se aperfeiçoou na flauta.
Herdeiro de toda essa tradição musical, Pixinguinha consolidou o Choro como gênero musical, levando o virtuosismo na flauta e aperfeiçoando a linguagem do contraponto com seu saxofone.
Mais tarde, ele organizou inúmeros grupos musicais – como o Caxangá, com Donga e João Pernambuco, e os Oito Batutas – tornando-se o maior compositor de Choro do Brasil.
Sobre o Choro
O Choro pode ser considerado como a primeira música urbana tipicamente brasileira. Tem como origens estilísticas o lundu – ritmo de inspiração africana à base de percussão – e gêneros europeus.
A composição instrumental dos primeiros grupos de Choro era baseada na trinca flauta, violão e cavaquinho, mas – com o desenvolvimento do gênero – outros instrumentos de corda e sopro foram incorporados.
O Choro é visto como o recurso do qual se utilizou o músico popular para executar, ao seu estilo, a música importada e consumida nos salões e bailes da alta sociedade do Império a partir da metade do século XIX.
Sob o impulso criador e improvisado dos Chorões e Choronas – como são chamados os e as instrumentistas que tocam Choro – logo a música resultante perdeu as características dos seus países originários e adquiriu traços genuinamente brasileiros.
Os primeiros conjuntos de Choro surgiram por volta da década de 1870, nascidos nas biroscas do bairro Cidade Nova e nos quintais dos subúrbios cariocas.
O flautista e compositor Joaquim Antônio da Silva Calado, os pianistas Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga (confira tudo sobre ela no especial Acervo MPB), e o maestro Anacleto de Medeiros compuseram quadrilhas, polcas, tangos, maxixes, xotes e marchas, estabelecendo os pilares do Choro e da música popular carioca da virada do século XIX para o século XX, que com a difusão de bandas de música e do rádio, foi ganhando todo o território nacional.
A improvisação e a virtuosidade são condições básicas do bom Chorão. O Choro não se caracteriza por um ritmo específico, mas pela maneira de se tocar solta e sincopada, repleta de ornamentos e improvisações.
Assim, é muito vasta a gama de ritmos nos quais se baseiam os compositores de Choro. Dentre os principais ritmos utilizados, pode-se citar o maxixe, o samba, a polca e a valsa. Além disso, há Choros de andamento rápido e Choros mais lentos (apelidados “varandões”).
Existem inúmeras discussões entre os pesquisadores sobre a origem do nome “Choro”. Uns dizem que o termo surgiu de uma fusão entre a palavra “choro”, do verbo “chorar”, e “chorus”, que em latim significa “coro”.
Outros alegam que a expressão pode derivar da maneira chorosa de se tocar as músicas estrangeiras no final do século XIX e que as pessoas que a apreciavam passaram a chamá-la de “música de fazer chorar”. Outros pesquisadores ainda indicam que o nome deriva dos “choromeleiros”, músicos que tocavam instrumentos de sopro e que tiveram atuação importante no período colonial brasileiro.
O Choro consolidado por Pixinguinha
Quando compôs dois de seus choros mais famosos – as canções Carinhoso (uma das obras mais importantes da música popular brasileira de todos os tempos, primeiro lançada em versão instrumental e que depois ganhou letra de João de Barro) – entre 1916 e 1917 – e Lamentos (parceria com Vinicius de Moraes) – em 1928 – Pixinguinha foi criticado e essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz.
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A verdade é que as canções eram verdadeiras obras-primas, desenvolvidas demais para a época.
Em 2009, Carinhoso foi considerada a terceira maior música brasileira de todos os tempos, em lista elaborada pela revista Rolling Stone Brasil. Em 2021, segundo um levantamento do Ecad, a canção contava com 411 gravações registradas, sendo a canção brasileira mais regravada no país em todos os tempos.
Segundo consta em seu site oficial, na manhã do dia 17 de fevereiro de 1983, Pixinguinha recebeu em casa a visita do poeta e produtor Hermínio Bello de Carvalho, do fotógrafo Walter Firmo e do músico Eduardo Marques. Conversaram amenidades, escutaram música e, na hora da despedida, Pixinguinha chorou.
À tarde, o músico foi com seu filho Alfredinho até a Igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, para batizar o filho de seu amigo Euclides Souza Lima. Como presente para o bebê, levou uma partitura manuscrita de “Carinhoso”. Porém, justamente no momento em que se preparava para assinar seu nome no livro da igreja, Pixinguinha cai em pleno altar, fulminado por um infarto.
A história da música “Rosa”, de Pixinguinha
Hoje, vamos conhecer a história por trás de um dos maiores sucessos de Pixinguinha, a música “Rosa”.
Essa valsa teve originalmente três partes e o título de “Evocação”, conforme comprovam manuscritos de chorões da velha-guarda como Candinho, Arnaldo Corrêa e Frederico de Jesus (este último a denomina “Invocação”), e conforme consta no site oficial dedicado à vida e à obra de Pixinguinha.
A primeira gravação é do próprio Pixinguinha, em um solo de flauta, lançado em 1917, com acompanhamento do músico Tute e um cavaquinho não identificado.
Mas, a música se tornou um sucesso nacional a partir da gravação de Orlando Silva, em 1937. Com arranjo de Radamés Gnattali para piano, flauta, 2 clarinetes, baixo, violão, cavaquinho e bateria – tendo o próprio Pixinguinha na flauta – a música foi gravada no mesmo dia que “Carinhoso”, que seria o outro lado do disco.
Sobre a letra da valsa, até hoje pairam dúvidas: em seu depoimento ao MIS-RJ, Pixinguinha afirmou que a autoria seria de um mecânico do Méier, de nome Otávio de Souza, falecido muito jovem e que teria feito a letra em homenagem à irmã de um certo Moacir dos Telégrafos, cantor do bairro.
Conta a lenda que Otávio de Souza se aproximou de Pixinguinha enquanto o mestre bebia em um bar do subúrbio carioca, para falar que havia uma letra que não saía de sua cabeça toda vez que ouvia a valsa. Pixinguinha ouviu e ficou maravilhado.
Para diversos pesquisadores, entretanto, existe a suspeita de que a letra – por seu estilo rebuscado e parnasiano – seria de Cândido das Neves, parceiro de Pixinguinha em “Página de Dor” (1938) e outras músicas.
Uma das mais belas canções da história do choro, a valsa “Rosa” foi regravada por nomes como Jair Rodrigues (1976), Nelson Gonçalves (1988), Marisa Monte (1991), Toquinho (1999), Luiz Melodia (2008) e Luciana Mello (2010).
Conta-se também que Francisco Alves e Carlos Galhardo deixaram de gravar “Rosa” por terem se recusado a gravar “Carinhoso”, destinado ao Lado A do mesmo disco. Imagina! Recusar gravar “Carinhoso”!
Outra curiosidade é que “Rosa” era a canção preferida da mãe de Orlando Silva, Dona Balbina. Após sua morte, em 1968, Orlando Silva jamais voltou a cantar a canção pois sempre chorava.
“Tu és
Divina e graciosa, estátua majestosa
Do amor, por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma, da mais linda flor, de mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor”


