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Como Almir Guineto mudou a linguagem do samba para sempre
Como Almir Guineto mudou a linguagem do samba para sempre
No aniversário de Almir Guineto, celebrado em 12 de julho, relembramos como o sambista transformou a sonoridade do gênero e ajudou a moldar o que hoje conhecemos como pagode moderno


Falar de Almir Guineto é falar de uma mudança profunda na linguagem do samba. Mais do que compositor, cantor ou instrumentista, ele foi um dos responsáveis por redefinir o som do gênero a partir dos anos 1970, criando uma estética que influenciou gerações e segue viva até hoje nas rodas de samba e no pagode contemporâneo.
Se sua trajetória passa pelo Morro do Salgueiro, pelo Cacique de Ramos e pelo grupo Fundo de Quintal, foi no som que Guineto deixou sua marca mais definitiva: um samba mais leve, mais marcado pelo balanço, mais próximo da rua e muito sofisticado em sua invenção rítmica.
O banjo-cavaquinho e a revolução do samba
Uma das maiores contribuições de Almir Guineto para a música brasileira foi a criação e popularização do banjo-cavaquinho, desenvolvido ao lado de Mussum. Sim, o comediante Mussum, de Os Trapalhões, foi um grande músico e participou do grupo Os Originais do Samba ao lado de Guineto e foi seu parceiro na ideia revolucionária de criar o instrumento.
A adaptação do banjo com braço de cavaquinho não foi apenas uma inovação instrumental, foi uma mudança de linguagem. O som mais percussivo e mais rítmico abriu espaço para uma nova forma de tocar samba, mais próxima da batida dos terreiros e das rodas de partido-alto.
Esse novo timbre ajudou a construir a identidade sonora do que, anos depois, seria reconhecido como o pagode moderno.
Cacique de Ramos e o nascimento de uma nova estética
O ambiente do Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro, foi decisivo para esse processo. Ali, nomes como Almir Guineto, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Arlindo Cruzconviviam, experimentavam e redefiniam o samba em encontros informais que se tornaram históricos.
Mais do que um bloco ou um espaço de convivência, o Cacique funcionou como um laboratório criativo. Foi dali que surgiu uma nova forma de pensar o samba: menos engessada, mais orgânica, mais próxima do cotidiano das rodas.
Almir Guineto teve papel central nesse movimento, tanto como instrumentista quanto como compositor, ajudando a consolidar uma estética que rompia com a formalidade de parte do samba tradicional.
Um som que aproximou o samba do cotidiano
Na obra de Guineto, o samba ganha outros ares: ao invés de uma construção distante ou excessivamente estruturada, suas composições trazem o humor, o cotidiano e a linguagem popular como matéria-prima.
Essa abordagem ajudou a aproximar o gênero de um público mais amplo, sem perder sua identidade. O samba de Almir Guineto é direto, pulsante e cheio de malícia, características que se tornariam fundamentais para o que explodiria nas décadas seguintes.
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Ao lado do grupo Fundo de Quintal, do qual foi um dos fundadores, Almir Guineto ajudou a estabelecer as bases do que hoje chamamos de pagode moderno.
A combinação de instrumentos como tantã, repique de mão e o próprio banjo-cavaquinho criou uma nova textura sonora, mais leve e ao mesmo tempo mais percussiva, que se tornaria padrão em rodas de samba por todo o país.
Essa transformação não foi apenas estética, foi também cultural. O samba passou a circular com mais intensidade em espaços populares, bares, quintais e rodas informais, consolidando uma nova forma de consumo e vivência da música brasileira.
Um legado que continua tocando o Brasil
Mais de uma década após sua partida, em 2017, Almir Guineto continua presente na música brasileira de forma direta e indireta. Suas composições seguem sendo regravadas, suas ideias musicais permanecem vivas e sua influência é percebida em diferentes gerações de artistas da música popular brasileira.
Alguns dos maiores sucessos compostos por ele são:
- Coisinha do Pai (Almir Guineto, Jorge Aragão e Luiz Carlos)
- Lama nas Ruas (Almir Guineto e Zeca Pagodinho)
- Da Melhor Qualidade (Almir Guineto e Arlindo Cruz)
- Corda no Pescoço (Almir Guineto e Adalto Magalha)
O que Guineto deixou não foi apenas um repertório, mas uma forma de tocar, compor e sentir o samba. Um modo de fazer música que nasce da rua e que atravessa o tempo com força e identidade.
No dia em que o sambista completaria 80 anos, o que se comemora não é apenas a trajetória de um artista, mas a permanência de um som que ajudou a redefinir a música popular brasileira.


