Especial: Aniversariantes musicais do fim de semana

Lívia Nolla
10:00 01.09.2024
Autor

Lívia Nolla

Cantora e Pesquisadora Musical
Música

Especial: Aniversariantes musicais do fim de semana

Emilinha Borba, Pretinho da Serrinha e Jackson do Pandeiro fazem aniversário e o site da Novabrasil preparou uma matéria especial, que conta um pouco da vida e da obra de cada um; confira

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- 01.09.2024 - 10:00
Especial: Aniversariantes musicais do fim de semana
Especial: Aniversariantes musicais do fim de semana

Fim de semana recheado de aniversariantes musicais: Pretinho da Serrinha, Jackson do Pandeiro e Emilinha Borba fazem aniversário e nós preparamos uma matéria especial, que conta um pouco da vida e da obra de cada um deles.

Vamos lá?

Pretinho da Serrinha

Pretinho da Serrinha | Foto: Divulgação/Leo Aversa

Pretinho da Serrinha, nasceu Ângelo Vitor Simplício da Silva, no Rio de Janeiro, em 30 de agosto de 1978. Completando 46 anos hoje, o cantor, arranjador, compositor e instrumentista é um dos mais importantes nomes da música popular brasileira da atualidade.

Criado no Morro da Serrinha, aprendeu a tocar percussão ainda menino, atento aos músicos das rodas de samba que frequentava em sua comunidade, pegava seus instrumentos no intervalo em que paravam de tocar. Mais tarde, fez aulas de cavaquinho.

Aos dez anos de idade, Pretinho já integrava a bateria do bloco Pena Vermelha e fazia parte da Império do Futuro, escola-mirim do Império Serrano, onde se tornou diretor de bateria.

Depois, entrou para a banda de Dudu Nobre, onde se tornou percussionista e diretor musical. Em 2003, fundou o Trio Preto + 1, ao lado dos percussionistas Miudinho e Nenê Brown, com quem lançou um disco. 

Duas de suas composições deste disco entraram para a trilha da novela Salve Jorge, da Rede Globo: Batucada Quente (com Leandro Fab) e Alma de Guerreiro (com Gabriel Moura, Leandro Fab e Seu Jorge), interpretada por Seu Jorge.

Logo em seguida, reconhecido por seu talento e musicalidade, passou a trabalhar ao lado de vários outros grandes nomes da música brasileira como Seu Jorge (com quem, além de compor outros sucessos junto, teve grande destaque no arranjo de cavaco da música Tive Razão), Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Marisa Monte, Tribalistas, Lulu Santos, Dona Ivone Lara, Caetano Veloso, Teresa Cristina, Sergio Mendes, Marcelo D2, entre outros, participando de discos de vários deles.

Em 2018, Pretinho da Serrinha lançou o seu primeiro álbum solo Som de Madureira, que traz sucessos como Da Serrinha (parceria com Mauro Diniz) e Osso Duro de Roer (parceria com Leandro Fab).

O artista também é compositor – ao lado de diversos parceiros – de inúmeros grandes sucessos da nossa MPB, na voz de outros intérpretes, como:

  • Burguesinha (parceria dePretinho da Serrinha com Seu Jorge e Gabriel Moura); 
  • Feliz, Alegre e Forte (parceria com Marisa Monte e Rachell Luz);
  • Aliança (com Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Pedro Baby);
  • Felicidade (com Seu Jorge, Gabriel Moura e Leandro Fab);
  • Mina do Condomínio (com Seu Jorge, Gabriel Moura e Pierre Aderne);
  • Fora da memória (com Arnaldo, Brown; Marisa e Pedro Baby);
  • Meu Parceiro (com Seu Jorge, Gabriel Moura e Rogê);
  • Mais Uma Vez (com Ana Carolina, Leandro Fab, Gabriel Moura e Dudu Falcão); e
  • Reza (com Nego Alvaro e Vinícius Feyjão)

Jackson do Pandeiro

Jackson do Pandeiro | Foto: Reprodução

Um dos artistas mais icônicos da nossa música popular brasileira, o cantor, compositor e multi-instrumentista paraibano Jackson do Pandeiro, nasceu no dia 31 de agosto de 1919.

Nascido José Gomes da Silva Filho, em Alagoa Grande, na Paraíba – filho de uma cantadora de coco e de um oleiro – o artista teve uma infância muito pobre e nunca frequentou uma escola. 

Com a mãe, começou a tomar gosto pelo ritmo como tocador de zabumba. Com a morte do pai e passando muita dificuldade, foi morar com a mãe e os irmãos em Campina Grande, onde teve diversos trabalhos para ajudar no sustento da casa.

Foi lá que começou sua carreira artística: tocava na noite e na feira central, passando pela zabumba, bateria, bongô, até chegar profissionalmente ao pandeiro. Passou a usar o nome artístico de Jack do Pandeiro, inspirado em Jack Perry, artista de filmes de faroeste. 

Mudou-se para João Pessoa e conheceu dois de seus principais parceiros: Benigno de Carvalho e Rosil Cavalcanti, de quem gravou seu primeiro grande sucesso: Sebastiana

Continuou sua vida de músico tocando em boates e cabarés, sendo, logo a seguir contratado para tocar orquestra da Rádio Tabajara e, em 1948, migrou para a Rádio Jornal do Commercio, em Recife, já muito experiente no que diz respeito ao ritmo e à musicalidade e onde finalmente virou Jackson do Pandeiro.

Foi lá que conheceu a cantora e compositora Almira Castilho, com quem teve uma bem-sucedida parceria musical e foi casado por alguns anos.

Somente em 1953, com 35 anos, Jackson do Pandeiro gravou o seu primeiro disco, com as canções Forró em Limoeiro (de Edgar Ferreira) e Sebastiana. Em 1954, se mudou para o Rio de Janeiro e, naquele mesmo ano, lançou quatro compactos e um LP, Jackson do Pandeiro com Conjunto e Coro. Em 1956, vieram outros sete discos de 78 rpm e outro LP: Forró do Jackson.

Jackson teve um programa dominical na TV Tupi chamado Jackson do Pandeiro na Tupi e, depois, foi para a Rádio Nacional, onde alcançou grande sucesso, principalmente com as canções: 

  • O Canto da Ema (de Alventino Cavalcanti, Aires Viana e João do Vale); 
  • Chiclete com Banana (de Gordurinha e Almira Castilho); 
  • Um a Um (de Edgar Ferreira); 
  • A Ordem é Samba (parceria com Severino Ramos); 
  • Ziriguidum (composição própria);
  • Lágrimas (parceria com Sebastião Nunes e José Garcia); e 
  • Cantiga do Sapo (parceria com Buco do Pandeiro).

Sua facilidade em cantar os mais diversos gêneros musicais: baião, coco, samba-coco, rojão, além de marchinhas de carnaval, impressionava os críticos, além do fato de ter aprimorado a sua capacidade jazzística, por tocar por muito tempo no Cassino Eldorado, na Paraíba. 

Veja também:

Considerado por muitos como o maior ritmista da história da MPB, Jackson do Pandeiro, ao lado de Luiz Gonzaga, foi um dos principais responsáveis pela nacionalização de canções de origem nordestina. 

Ao longo de quase 30 anos de carreira, lançou mais de 30 LPs e sua maneira de dividir a música inspirou até João Gilberto, o chamado Pai da Bossa Nova.

Depois de fazer história com sua musicalidade e transformar para sempre a cultura do nosso país, ficando conhecido como O Rei do Ritmo, Jackson do Pandeiro nos deixou aos 62 anos de idade, vítima de uma embolia pulmonar e cerebral, enquanto excursionava por Brasília.

Emilinha Borba 

Emilinha Borba | Foto: Ana Nascimento/ABr – Agência Brasil 

A cantora carioca Emilinha Borba nasceu em 31 de agosto de 1923, e celebraria 101 anos hoje, se não tivesse nos deixado em outubro de 2005, aos 82 anos, 

Considerada uma das mais populares intérpretes do século XX no Brasil, Emilinha foi uma das principais cantoras de samba, marcha e choro do país.

Ainda menina, apresentava-se em diversos programas de auditório e de calouros, conquistando o seu primeiro prêmio aos 14 anos, no programa Hora Juvenil, da Rádio Cruzeiro do Sul. 

Cantou também no programa Calouros de Ary Barroso, obtendo a nota máxima ao interpretar O X do Problema, de Noel Rosa. Logo depois, começou a fazer parte dos coros das gravações da Columbia Records

Formou, na mesma época, uma dupla com a cantora Bidu Reis, chamada As Moreninhas, quese apresentou em diversas rádios e chegou a gravar um disco em 78 RPM, que contava com a música A História da Baratinha, uma adaptação de João de Barro. 

Depois que desfez a dupla, Emilinha Borba foi contratada pela Rádio Mayrink Veiga, recebendo o slogan de Garota Grau Dez. Em 1939 o seu primeiro disco solo em 78 RPM, que levou o seu nome e contou com o acompanhamento de Benedito Lacerda e seu conjunto.

Também em 1939, foi levada por sua madrinha artística, Carmen Miranda, de quem sua mãe era camareira, para fazer um teste no Cassino da Urca, onde foi contratada e passou a se apresentar como crooner, tornando-se logo em seguida uma das principais atrações da casa.

Emilinha também atuou, ainda em 1939, no filme Banana da Terra, de Alberto Bynton e Rui Costa, a última aparição de Carmen Miranda no cinema brasileiro.

No ano seguinte, fez mais participações em filmes nacionais e assinou contrato com a gravadora Odeon. Em 1943, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, onde permaneceu por 27 anos como a Estrela Maior, participando de todos os programas musicais e tornando-se a cantora mais querida e popular do país. 

Em 1949, Emilinha gravou a marcha Chiquita Bacana, que tornou-se primeiro lugar nas paradas de sucesso. Em 1953, foi coroada como Rainha do Rádio.

Emilinha Borba foi a primeira artista brasileira a fazer uma longa excursão pelo país com patrocínio exclusivo. O laboratório Leite de Rosas até então investia em artistas internacionais e contratou e patrocinou a artista por três meses consecutivos em excursão pelo Norte e Nordeste. 

Sua foto era obrigatória nas capas de todas as revistas e jornais do país. Até agosto de 1995, Emilinha Borba foi a personalidade brasileira que maior número de vezes foi capa de revistas no Brasil, calcula-se aproximadamente umas 350 capas nas mais diversas revistas.

por Lívia Nolla

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Lívia Nolla é cantora, apresentadora e pesquisadora musical

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