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A história da música “O Sol Nascerá”, para celebrar Élton Medeiros
A história da música “O Sol Nascerá”, para celebrar Élton Medeiros
No dia em que o compositor e cantor Elton Medeiros completaria 96 anos de idade, conheça a história de um dos seus maiores sucessos - que nasceu de improviso! - a canção "O Sol Nascerá”


“A sorrir, eu pretendo levar a vida…”! Quem é que não conhece esse grande clássico da música popular brasileira? Pois bem, a canção“O Sol Nascerá” é uma composição de dois gênios da nossa MPB: Cartola e Élton Medeiros.
Hoje, para celebrar os 96 anos do nascimento de Élton, que nos deixou em 2019 aos 89 anos, nós vamos te contar a história por trás desse que é um dos maiores sucessos da sua carreira como compositor.
Mais sobre Élton Medeiros
Nascido em 22 de julho de 1930, o compositor, cantor, produtor musical e radialista carioca Élton Medeiros é considerado um dos melhores melodistas e ritmistas da história do samba.
Aos oito anos, junto com seu irmão e amigos da vizinhança, Élton formou um bloco que, mais tarde, junto com o Unidos de Sintra, viria a se tornar o bloco União do Amor. Nessa época, ele já começou a compor os seus primeiros sambas.
Participou também da banda do Colégio Interno João Alfredo, onde estudou na adolescência e aprendeu a tocar saxofone e trombone. Também tocava bateria em um conjunto que animava bailes.
Mas a trajetória profissional de Élton Medeiros iniciou mesmo aos 17 anos, quando o músico passou a tocar de dia na Orquestra Juvenil de Estudantes – que se apresentava na Rádio Roquette-Pinto – e de noite tocar seu trombone na gafieira Fogão, do compositor Uriel Azevedo.
Já a sua carreira de compositor começou quando ele tornou-se um dos fundadores da Ala dos Compositores da escola de samba Aprendizes de Lucas. Seu samba “Exaltação a São Paulo”, de 1954, foi considerado um dos melhores da história da escola.

O Zicartola
Porém, foi durante as reuniões no famoso Zicartola – ponto de encontro de sambistas de destaque na cultura brasileira – que Élton Medeiros passou a criar suas principais obras, sendo um dos principais incentivadores e frequentadores do local, fundado por Cartola e sua esposa, a Dona Zica.
Criado em 1963, o Zicartola chamava atenção pelo cardápio de comidas caseiras feito por Dona Zica, que já tinha anos de experiência na cozinha, e pela música que agitava o clima do local, graças a Cartola e seus colegas sambistas.
Foi lá que Élton Medeiros entrou em contato com sambistas como Nelson Cavaquinho, Zé Keti e Ismael Silva e iniciou uma grande amizade com Cartola, com quem compôs em parceria a canção “O Sol Nascerá”.
O local foi palco para o resgate de nomes do samba e para surgimentos de novos artistas da MPB. Alguns dos nomes que foram revelados no Zicartola são: Nelson Sargento, Aracy Cortes, Clementina de Jesus e Paulinho da Viola, que se tornaria o principal parceiro musical de Élton Medeiros.

O espaço funcionou por apenas 20 meses, fechando em 1965. O motivo para o fechamento foram problemas administrativos, mas boatos que circulavam na época afirmavam que a causa havia sido a pressão militar. Era no Zicartola que – em meio às questões políticas que assolavam o Brasil durante a Ditadura Militar – os artistas puderam exercer sua liberdade e resistência por meio da música.
Além disso, como fruto do Zicartola, surgiu o grupo A Voz do Morro e o espetáculo musical “Rosa de Ouro”, dois importantes movimentos do samba no país, dos quais Élton Medeiros participou, ao lado de outros grandes sambistas da nossa história.
O antológico espetáculo que virou disco – “Rosa de Ouro” – foi criado, produzido e roteirizado por Hermínio Bello de Carvalho e dirigido por Kléber Santos, no Teatro Jovem, no Rio de Janeiro – onde Medeiros atuou ao lado de Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento, Anescar do Salgueiro e Paulinho da Viola, Clementina de Jesus e Aracy Cortes.


“O Sol Nascerá”
Pois bem, dessa grande amizade de Élton Medeiros com Cartola nasceu – de maneira super improvisada – a canção “O Sol Nascerá”. Os dois sambistas estavam na casa de Cartola, em 1961, e tinham acabado de compor um samba chamado “Castelo de Pedrarias”.
Foi quando chegou para visitar Cartola o amigo Renato Agostini, que – após ouvir o novo samba – desafiou os compositores a fazerem outra letra para “Castelo de Pedrarias”, ali na mesma hora, em sua presença, para que ele testemunhasse a composição.
Poucos minutos depois, estava pronto o samba que eles chamaram na hora de “O Sol Voltará”, trazendo uma mensagem de otimismo para lidar com as situações da vida.
“A sorrir eu pretendo levar a vida
Veja também:
Pois chorando eu vi a mocidade
Perdida
Finda a tempestade
O sol nascerá
Finda esta saudade
ei de ter outro alguém para amar”
Três anos depois do episódio, a canção foi uma das escolhidas para integrar o álbum de estreia da cantora Nara Leão, até então considerada a musa da Bossa Nova. Na gravação, atendendo a um pedido do produtor Aloysio de Oliveira, o título foi alterado para “O Sol Nascerá”.
No ano seguinte, Elis Regina e Jair Rodrigues gravaram a canção dentro de um pot-pourri, em seu álbum em parceria: ”2 na Bossa”.
Considerado como um marco da redescoberta de Cartola durante a década de 1960 e também da revelação de Élton Medeiros como compositor, “O Sol Nascerá” foi gravada pelo próprio Cartola para o seu álbum homônimo, o primeiro de sua carreira, em 1974.
Um ano antes, já havia sido gravada para o também disco de estreia de Élton, em um pot-pourri com o samba “Mascarada”, parceria de Medeiros com Zé Keti.
Outros sucessos da carreira de Élton Medeiros são as canções:
- Peito Vazio (também em parceria com Cartola)
- Pressentimento (em parceria com Hermínio Bello de Carvalho)
- Onde a Dor Não Tem Razão (com Paulinho da Viola).
Em 1975, ao lado de nomes como Wilson Moreira e Nei Lopes, Medeiros participou também da fundação do Grêmio Recreativo de Artes Negras Quilombo, idealizado por Candeia.
O último dos seus 10 discos solo foi lançado em 2005: “Bem Que Mereci”.
Antes de falecer – em 2019, por complicações de uma pneumonia – Ellton já estava afastado dos palcos desde 2014, quando teve um problema de visão que o levou à cegueira. Mas ele nunca parou de compor, até o último minuto!

