6 canções da MPB inspiradas em Cecília Meireles

Novabrasil
09:30 09.11.2022
Jornalismo

6 canções da MPB inspiradas em Cecília Meireles

Nascida no Rio de Janeiro em 07 de novembro de 1901, é também nesta semana de novembro que completam-se 58 anos da morte de Cecília Meireles. A poeta nos deixou no dia 09 de novembro de 1964, dois dias depois de Cecília completar 63 anos, por conta de um câncer no estômago. Em homenagem ao … Continued

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- 09.11.2022 - 09:30
6 canções da MPB inspiradas em Cecília Meireles
6 canções da MPB inspiradas em Cecília Meireles

Nascida no Rio de Janeiro em 07 de novembro de 1901, é também nesta semana de novembro que completam-se 58 anos da morte de Cecília Meireles. A poeta nos deixou no dia 09 de novembro de 1964, dois dias depois de Cecília completar 63 anos, por conta de um câncer no estômago.

Em homenagem ao seu nascimento, citamos aqui no site 10 poemas brilhantes de sua autoria. Hoje, vamos falar sobre 6 canções da MPB inspiradas em sua obra.

Cecília Meireles nasceu no dia 7 de novembro de 1901 e faleceu no dia 9 de novembro de 1964 | Foto: Divulgação.

A importância de Cecília Meireles para cultura brasileira

Cecília Meireles foi uma das maiores poetas e escritoras do nosso país, considerada por muitos como a mais importante mulher da literatura brasileira. Também pintora, jornalista e professora, ela foi um dos grandes nomes do Modernismo brasileiro e contribuiu ativamente para a nossa cultura.

“Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. 

Não sou alegre nem sou triste: sou poeta”

Cecília Meireles

Sua obra de caráter intimista possui forte influência da psicanálise, com foco na temática social. Embora apresente características simbolistas em seus escritos, Cecília destacou-se na segunda fase do Modernismo no Brasil, no grupo de poetas que consolidaram a chamada Poesia de 30.

Com apenas 18 anos, publicou sua primeira obra

Em 1919, com apenas 18 anos, publicou sua primeira obra: um livro de poemas chamado Espectros. Com uma obra densamente feminina, Cecília Meireles foi uma escritora muito prolífica, escreveu muitas poesias, incluindo infantis. Entre suas principais obras, estão: Criança, Meu Amor; Batuque, Samba e Macumba; Viagem; Romanceiro da Inconfidência; e Ou Isto ou Aquilo; entre muitas outras.

A escritora ficou reconhecida mundialmente, uma vez que suas obras foram traduzidas para muitas línguas. Pelo trabalho realizado na literatura, ela recebeu diversos prêmios, como: Prêmio de Poesia Olavo Bilac, Prêmio Jabuti e Prêmio Machado de Assis. Além disso, ela realizou palestras e conferências sobre educação, literatura brasileira, teoria literária e folclore, em diversos países do mundo.

Cecília Meireles também combateu ativamente o uso da palavra “poetisa”, considerando ser uma discriminação de gênero que apenas depunha as poetas mulheres, como se houvesse caminhos distintos para um poeta homem e uma poeta mulher.

6 canções da MPB inspiradas em poemas de Cecília Meireles

Por isso, no dia de hoje, resolvemos celebrar a existência de Cecília Meireles, apresentando para vocês 06 canções da nossa MPB que foram compostas com base em poemas desta grande mulher:

1 – Tema de “Os Inconfidentes”

Chico Buarque musicou a poesia de Cecília Meireles, para a sua canção Tema de “Os Inconfidentes” – lançada por Nara Leão, em 1968 – e regravada por ele dois anos depois, com a participação do conjunto MBP4, no disco Chico Buarque de Holanda Nº4

O poema faz parte da obra O Romanceiro da Inconfidência, publicado pela escritora em 1953. Na época, Cecília trabalhava como jornalista e foi fazer uma reportagem sobre a Semana Santa em Ouro Preto. Envolvida pelos ares da cidade, aprofundou uma pesquisa sobre a Inconfidência Mineira, que resultou no livro que, que de forma lírica e dramática, conta a saga dos libertários.

Em 85 “romances”, mais quatro “cenários” e outros de prólogo e êxodo, Cecília evoca primeiro a escravidão dos africanos na região central do planalto em episódios da exploração do ouro e dos diamantes no século XVIII; logo o centro da coletânea é dedicado ao destino dos heróis da chamada Inconfidência Mineira – Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, Tomás Antônio Gonzaga e sua noiva e amada Marília de Dirceu, bem como de outras figuras históricas implicadas no acontecimento, denunciando o sistema colonial que favorece a exploração dos desvalidos.

Foi trabalhar para todos

E vede o que lhe acontece

Daqueles a quem servia

Já nenhum mais o conhece

Quando a desgraça é profunda

Que amigo se compadece?

2 – Canteiros 

Em seu álbum de estreia – Manera Fru-Fru, Manera, de 1973 – o cantor e compositor cearense Raimundo Fagner utilizou os quatro primeiros versos de Marcha, poema de Cecília Meireles, publicado em sua obra Viagem, de 1939:

Quando penso no teu rosto,

fecho os olhos de saudades;

tenho visto muita coisa,

menos a felicidade.

Soltam-se os meus dedos tristes,

dos sonhos claros que invento.

Nem aquilo que imagino

já me dá contentamento.

Acontece que, segundo Fagner, os créditos à poeta não saíram no encarte do disco, por conta de uma falha da gravadora na época, a Philips

Este primeiro disco não teve muito sucesso de vendas e, somente quando Fagner atingiu um sucesso nacional considerável e grande visibilidade, em 1978, com seu disco Eu Canto – Quem Viver Chorará, que esta música tornou-se um fenômeno nacional e foi descoberta pela família de Cecília, que vendo que os créditos não haviam sido dados corretamente à poeta, entraram com um processo criminal contra Fagner e a gravadora, por suposto plágio.

A confusão somente chegou ao fim em 1999, quando a Sony Music – gravadora de Fagner na ocasião – fez um acordo com elas para a regravação da música, o que aconteceu em janeiro de 2000, no primeiro registro ao vivo das músicas do compositor cearense.

Veja também:

3 – Motivo

Neste mesmo disco,  Eu Canto – Quem Viver Chorará, Fagner musicou um outro poema inteiro de Cecília, cujo início (“Eu canto…”) deu inclusive título ao disco. Nesta ocasião, a então gravadora CBS deu os créditos corretamente à poeta no encarte, mas – ainda sim – Fagner teve o mesmo problema com a família, por conta daquele primeiro erro.

A canção em questão é Motivo, que teve que ser substituída por um tempo, até ser liberada pela família de Cecília:

Eu canto porque o instante existe 

E a minha vida está completa 

Não sou alegre nem sou triste

Sou poeta

Motivo, um dos poemas mais famosos de Cecília Meirelles, também faz parte da coletânea Viagens, da poeta, de 1939.

4 – Epigrama Nº 9 

Fagner era realmente muito fã do trabalho de Cecília Meireles, tanto que publicou, em seu disco Orós, de 1977, outra poesia dela musicada por ele: Epigrama Nº 9, que também compõe a sua obra Viagem, de 1939.

O VENTO voa, a noite tôda se atordoa, a fôlha cai. 

Haverá mesmo algum pensamento sôbre essa noite? 

sôbre êsse vento? sôbre essa fôlha que se vai?

Outra artista que é bastante admiradora da poesia de Cecília Meireles é a cantora, compositora e instrumentista carioca Sueli Costa, que musicou dois poemas da escritora:

5 – Retrato

Publicado na coletânea Viagem (de 1939), a música foi lançada em 1975, no disco de estreia de Sueli Costa:

Eu não tinha esse rosto de hoje

Assim calmo, assim magro, assim triste

Nem esses olhos tão vazios

Nem o lábio amargo

6 – Romance V ou da Destruição de Ouro Podre

Faz parte do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília, e ganhou o nome de Dorme, Meu Menino Dorme, quando virou canção, musicada por Sueli Costa e lançada no disco Resistindo, de 1977, pelo Quarteto em Cy, e depois regravada por Sueli em 1978, no seu álbum Vida de Artista:

Dorme, meu menino, dorme…

Que o mundo vai se acabar

Vieram cavalos de fogo

São do Conde de Assumar

Pelo Arraial de Ouro Podre

Começa o incendio a lavrar

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