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Tentativa de golpe na Bolívia surpreende e pode ter relação com exploração de lítio
Tentativa de golpe na Bolívia surpreende e pode ter relação com exploração de lítio
Paulo Ramirez esclarece que as democracias sulamericanas estão maduras, mas Zúñiga representa interesses na exploração do mineral
Com tanques do exército e militares armados chegando ao Palácio Quemado, em La Paz, antiga sede do governo federal, a Bolívia viveu uma nova tentativa de golpe de estado, nesta quarta-feira (26). Esta foi a segunda tentativa dos militares de tomar o poder, em cinco anos.
O episódio recente foi orquestrado pelo general Juan José Zúñiga, que havia sido destituido do cargo de comandante do exército boliviano. Sua queda aconteceu após proferir ameaças ao ex-presidente Evo Morales, caso voltasse ao poder.
Após a frustração de Zúñiga, ele foi preso e, enquanto era conduzido por policiais, alegou que o presidente Luis Arce seria o articulador do ato. Segundo ele, o intuito de Arce era promover sua própria popularidade.
Democracia fragilizada
Embora a Bolívia tenha um histórico de tentativas de golpe e também de golpe concluídos, para Paulo Niccoli Ramirez, que é cientista político da FESP-SP E ESPM, a comunidade internacional foi pega de surpresa.
Em conversa com Heródoto Barbeiro, no Jornal Novabrasil, Ramirez explica que “boa parte dos cientistas políticos acredita que os golpes militares perderam apoio público, que não fazem mais sentido, no contexto da Guerra Fria”. Além disso, de acordo com o especialista, “neste século nós temos os chamados ‘golpes suaves’, que ocorrem com manipulações políticas, como vimos aqui no Brasil com o caso da Dilma, ou até mesmo com Evo Morales, na própria Bolívia. Então, de fato, o que vimos ontem foi um ponto fora da curva”, ressalta.
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O especialista destaca que Zúñiga, além de ter sido afastado do cargo, também responde por processos de corrupção e representa os interesses das elites em relação à privatização da extração de lítio, recurso mineral relativamente raro e que a Bolívia possui grande reserva.
“O lítio é um minério bastante utilizado para a produção de baterias, tanto para os celulares quanto para os automóveis elétricos”, dois setores que não param de crescer.



