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Próximo ano começa com clima instável no Oriente Médio, avalia especialista à Novabrasil
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A expectativa de um novo governo na Síria gera incertezas na ordem internacional
O Oriente Médio foi palco de diversos conflitos armados neste ano. Israel e o Hamas continuam uma guerra que está longe do fim. O grupo político do Hellzbollah também entrou em guerra contra Israel. O último acontecimento que chamou a atenção do mundo foi na Síria, quando Bashar Al Saad, após 24 anos no poder, deixou o governo do país. No dia 7 de dezembro, Al Assad foi à Rússia a e ordenou uma “transição pacífica de poder”.
Agora, grupos na Síria buscam por um entendimento geral para decidir como estruturar um novo governo após a queda do ditador Bashar Al Assad. O território sírio foi dominado por grupos rebeldes, que não encontraram resistência militar na invasão.
Na última terça-feira (24), novas autoridades locais anunciaram terem alcançado um acordo com “todos os grupos armados” do país para uma integração sob o comando do Ministério da Defesa, segundo a agência estatal Sana.
Em entrevista ao “Jornal Novabrasil”, José Niemeyer, coordenador do departamento de Relações Internacionais do IBMEC/RJ, avalia que no ponto de vista de uma certa harmonia no Oriente Médio, foi importante a queda de Bashar al Assad: “É um líder que cometeu, durante décadas, assassinatos em massa, inclusive com armas químicas na Síria, destruindo o país na área da infraestrutura. Isso gerou uma guerra civil e esses grupos estão presentes. Você pode perceber que Israel diminuiu as suas ações mais ofensivas com relação ao sul do Líbano e mesmo com relação ao hamas. Israel se sentia um pouco menos ameaçado porque a Síria também fazia parte dos países que se colocam de maneira contrária aos interesses de Israel“, comenta o especialista.
O grande desafio será ajustar um novo governo, segundo José Niemeyer: “Está tentando criar um consenso mínimo, mas existem grupos apoiados pela Turquia, apoiados pelos Estados Unidos, existem grupos ligados ao governo e Bashar Al Assad, é muito difícil depois que um governo é deposto, você terminar de uma vez por todas um novo modelo. Há grupos da população que apoiam Bashar, então ainda é tudo muito indefinido“, avalia.
A influência religiosa em eventual próximo governo também é uma possibilidade.
O especialista também analisa que a Rússia sai como potencia a perdedora da situação: “Tanto foi que Bashar a laçada com toda a sua eh foi para a Rússia e está vivendo hoje em Moscou com toda a sua família. Então, sim. A Rússia perdeu na Síria, mas cada vez mais aumenta a sua influência na Ucrânia.“
Ditadura de Al Assad na Síria
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Há 24 anos no poder, Bashar Al Assad herdou o poder de seu pai, Hafez al Assad, então presidente da Síria. O novo presidente tomou posse no verão de 2000, introduzindo um novo tom no país, como democracia, transparência e pensamento institucional. No entanto, as ações não fizeram jus as palavras.
Há anos ativistas dos direitos humanos internacionais e árabes acusam o governo sírio de desaparecimentos em massa. Em seu relatório de 2022, a ONG Anistia Internacional fala de “dezenas de milhares” de indivíduos cujo paradeiro se perdeu no decorrer da guerra. A Rede Síria para Direitos Humanos computa 111 mil desaparecidos, além de grande número de prisões arbitrárias.
O regime de Al Assad também foi responsável por crimes contra civis, como uso de armas químicas, bomas de barril, torturas e execuções de prisioneiros além de propagação de desinformação. O regime agia com força brutal contra a oposição.
Um dos episódios mais sangrentos foi a batalha de Aleppo, entre 2012 e 2016, um dos momentos mais brutais do conflito. O regime, com o apoio de forças russas e iranianas, cercou a cidade, bombardeou intensamente bairros civis e matou milhares de pessoas. Os hospitais foram bombardeados repetidamente, resultando em uma crise humanitária severa.
A guerra civil síria, que foi exacerbada pela resposta violenta do regime de Assad, forçou milhões de sírios a fugir de suas casas. Estima-se que mais de 14 milhões de pessoas fugiram do país como refugiados.



