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Inês de Castro: “Pela liberdade no envelhecimento”
Inês de Castro: “Pela liberdade no envelhecimento”
Na maturidade deveríamos desfrutar das conquistas. Mas, com medo de sermos vistos como peça fora do jogo, insistimos em responder à cobrança social mostrando superprodutividade
Nós nos identificamos pelas nossas credenciais profissionais. Fulano, advogado. Fulana, dentista. Não ter uma profissão ou uma atividade laboral nos desqualifica como se nós não fôssemos úteis socialmente.
Se é assim ao longo da vida, na maturidade fica mais evidente. É nessa fase que muitos de nós fazemos questão de dizer que “ainda” exercemos a nossa atividade profissional.
Dia desses, um professor muito bem qualificado, com uma trajetória admirável na sua área, escreveu sua rotina de trabalho nas redes sociais. E, nas últimas linhas, registrou: quando dá tempo, eu nado, faço pilates, caminho no bairro.
Como num rótulo de produto alimentício, o menos importante – para ele – aparecia bem lá no final.
Eu tenho percebido essa tendência entre os mais velhos e identifico isso como uma espécie de tentativa desesperada de mostrar que está ativo, pensante, útil, com alguma função. Uma resposta à cobrança extrema pela superprodutividade no envelhecimento.
Mas há tanto que fazer, pensar, produzir, aprender e descobrir de novo quando a gente envelhece e que não tem nada a ver com a atividade profissional de sempre, não é?
Uma das melhores conquistas do envelhecimento – quando tudo dá certo, quando se consegue juntar algum patrimônio, quando se tem saúde física e mental – é a liberdade.
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Liberdade para ser, para escolher onde ir, o que fazer, em que gastar o tempo… Liberdade tem a ver consigo e não com o outro, é o triunfo particular atrás do qual nós deveríamos correr.
Mas, acostumados que estamos, insistimos em parecer o mesmo de antes, o de sempre. Nesse descompasso, só uma pessoa perde: nós mesmos

