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“Vitória da esquerda na França é vacina contra o medo”, diz especialista
“Vitória da esquerda na França é vacina contra o medo”, diz especialista
Em entrevista à Novabrasil, Leonardo Trevisan, professor de RI, destaca que a união de partidos de esquerda procurou evitar um mal maior na França e na União Europeia
A vitória da esquerda na eleição da França foi um antídoto da população contra o medo do domínio da Direita. A avaliação é de Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM.
“O que aconteceu na França foi uma vacina contra o medo. A palavra certa é que houve uma junção republicana”, diz ele. Para Trevisan, a plataforma de Marine Le Pen, do Reunião Nacional, é totalitária, e não apenas contra imigrantes, mas também contra a própria União Europeia.
A Nova Frente Popular, coligação de partidos de esquerda, obteve o maior número de cadeiras no Parlamento da França no segundo turno das eleições legislativas. Trata-se de uma virada na comparação com o primeiro turno, quando a Direita saiu vitoriosa.
A união de centristas e esquerdistas, com a desistência de vários candidatos para favorecer outros em melhores posições, foi fundamental para o resultado.
A expectativa agora é sobre a formação do governo, pois nenhuma força política tem maioria absoluta no Parlamento. Com isso, negociações deverão ocorrer para chegar a um nome que possa ser o Primeiro-Ministro.
Em entrevista à Novabrasil, Leonardo Trevisan lembrou que a ideia de União Europeia foi desenvolvida para evitar qualquer formato totalitário, de homem providencial ou solução sem oposição.
Para ele, “quando falamos de Segunda Guerra, esquecemos de dizer o que quer dizer: 60 milhões de mortos, uma tragédia humana sem fim. Quando olhamos para isso, não há equívoco em falar: isso não pode acontecer outra vez”.
Ao analisar as eleições no Reino Unido e na França, Trevisan avalia que a ideia do Partido Trabalhista é de uma esquerda moderada no Reino Unido. Na França, o caminho político ainda terá discussões, já na Inglaterra há uma solução.
“A Inglaterra inicia tendências no mundo, tomara que isso seja verdade. Desta vez, há uma tendência moderada, falando de problemas reais e que possa construir uma nova realidade para o mundo”, conclui Leonardo Trevisan.
Impasse político às portas das Olimpíadas de 2024
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Nenhum partido formou maioria nas eleições legislativas da França, e o país corre contra o tempo para eleger o primeiro-ministro antes das Olimpíadas de 2024, que será em Paris daqui a menos de um mês.
O Parlamento francês soma 577 cadeiras, e para obter o direito de indicar alguém ao cargo é necessário ter 289 assentos, o que representa 50% mais 1.
Como nem o partido de Marine Le Pen, o Reunião Nacional, vitorioso no primeiro turno, nem o de Emmanuel Macron, o Ensemble, e nem a grande vencedora do segundo turno, a Coligação Frente Popular, obtiveram essa prerrogativa, agora o grande problema da política francesa é encontrar um nome antes dos Jogos de Paris.
Embora tenha se saído melhor que Le Pen, Macron sai enfraquecido desse desgastante processo eleitoral ao qual submeteu o país, avalia Carol Pavesse, que é doutora em Relações Internacionais pela London School of Economics. “Existe agora, por parte da coligação de esquerda, uma demanda, tendo em vista que ela ficou em primeiro lugar. E haverá pressão para que Macron nomeie um de seus representantes como primeiro-ministro”, sugere a especialista.
Totalmente descartada dessa escolha, a extrema direita não terá lugar na discussão. Mas, Carol Pavesse projeta que “também existe a opção de que Macron tente costurar uma aliança entre seu partido e a frente de esquerda”.
Mais cedo, o atual primeiro-ministro, Gabriel Attal, enviou carta de renúncia ao cargo. No entanto, Macron solicitou que o político permaneça no cargo para garantir a estabilidade política do país.


