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Número de crianças e adolescentes em trabalho infantil ainda é alarmante no Brasil
Número de crianças e adolescentes em trabalho infantil ainda é alarmante no Brasil
No Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, estudos indicam que ainda há muito a ser feito para erradicar o trabalho de crianças e adolescentes
Hoje é o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil e o número de crianças e adolescentes, entre 14 e 17 anos, que trabalham ainda é elevado e alarmante. Um estudo da Fundação Abrinq indica que, dos 1 milhão e 400 mil jovens dessa faixa etária que estão ocupados, ao menos 1 milhão e 120 mil estão envolvidos com o trabalho infantil, atingindo quase 80%.
Em entrevista à Novabrasil, Michelly Antunes, líder de programas e projetos sociais da Fundação Abrinq, esclareceu que “o trabalho infantil é toda forma de trabalho realizado por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima. Aqui no Brasil, é proibido para quem não completou 16 anos”. Mas, há o trabalho como menor aprendiz a partir dos 14 anos, desde que devidamente contratado.
O estudo da Fundação Abrinq traz dados sobre esses jovens mostrando que eles estão no mercado informal. Logo, caracterizando o trabalho infantil e não um processo de aprendizado.
Michelly destaca que há uma relação entre o aumento do desemprego e o crescimento do trabalho infantil. “São famílias que perdem renda e colocam esses jovens para trabalhar”, diz ela.
Entre as atividades apuradas pela Abrinq estão o trabalho infantil doméstico, o trabalho na lavagem de carros, vendas em semáforos e agricultura, entre outros. Mas, também preocupa a ação desses jovens e adolescentes em atividades ligadas ao tráfico de drogas.
O Instituto Mundo Aflora, que atua com meninas cis e trans que estão ou que passaram pela Fundação CASA, chama atenção para isso e avalia que muitos desses adolescentes são criminalizados e acabam cumprindo medidas socioeducativas em privação de liberdade.
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Os estudiosos explicam que, no tráfico de drogas, crianças e adolescentes são explorados, assediados e abusados. A pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) Ana Paula Galdeano Cruz, doutora em Ciências Sociais, lembra que o histórico de trabalho das famílias desses adolescentes também costuma ser bastante precário, levando a um círculo vicioso. Ela ressalta ainda que “no senso comum muitas vezes são adolescentes vistos como bandidinhos, e na verdade estão tendo uma trajetória de desproteção há muito tempo”.
Para Michelly Antunes, da Abrinq, entre as soluções para minimizar o trabalho infantil está o fortalecimento da assistência social. Além disso, ela lembra que “o trabalho de comunicação e conscientização da sociedade também é muito importante”. A partir disso, a sociedade também atuaria para proteger essas crianças e adolescentes.


