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Menopausa precoce após câncer preocupa especialistas e impacta milhares de mulheres no Brasil
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Menopausa precoce após câncer preocupa especialistas e impacta milhares de mulheres no Brasil
Especialistas alertam para o tabu e os desafios emocionais e físicos da menopausa induzida por tratamentos oncológicos, que atinge mulheres cada vez mais jovens
Para muitas mulheres, a menopausa é vista como uma fase natural da vida, geralmente chegando por volta dos 50 anos, quando a carreira e a família já estão mais estabelecidas. No entanto, para quem enfrenta um diagnóstico de câncer, a história pode ser diferente e marcada por surpresas: a menopausa pode vir de forma abrupta, precoce e silenciosa, trazendo desafios físicos e emocionais importantes.
O tratamento do câncer pode antecipar e intensificar a menopausa
Segundo especialistas, a menopausa causada por tratamentos oncológicos é uma realidade pouco discutida, apesar de atingir milhares de mulheres — em muitos casos, ainda jovens, entre 30 e 40 anos. Essas pacientes podem experimentar uma falência ovariana prematura devido aos efeitos colaterais de quimioterapia, radioterapia ou cirurgias para remoção de ovários ou do útero.
“A quimioterapia, especialmente com agentes alquilantes como a ciclofosfamida, pode causar dano direto aos ovários, prejudicando a reserva ovariana e interrompendo a produção de estrogênio e progesterona. Isso pode levar à falência ovariana prematura — ou seja, menopausa precoce”, explica a oncologista Dra. Larissa Müller Gomes.
Outro agravante é a radioterapia pélvica, que pode comprometer os ovários mesmo em doses moderadas, além de afetar o útero e impactar futuras gestações. Cirurgias para retirada de ovários e/ou útero tornam a menopausa imediata e irreversível. A especialista destaca ainda que até mesmo o uso de medicamentos para tratar alguns tipos de câncer de mama pode provocar sintomas semelhantes à menopausa, como ondas de calor e ressecamento vaginal.
Alterações hormonais e feridas emocionais
Além dos sintomas físicos intensos, como ondas de calor, sudorese, insônia, dor articular, diminuição da libido e alteração da composição corporal, os efeitos emocionais da menopausa precoce podem ser profundos. Dra. Larissa ressalta:
“Os sintomas emocionais e psicossociais são igualmente importantes e muitas vezes negligenciados. Muitas mulheres relatam se sentirem ‘envelhecidas antes do tempo’. Para quem ainda não teve filhos e deseja ser mãe, a dor do luto reprodutivo pode ser profunda e contínua.”
- Ondas de calor e sudorese noturna
- Ressecamento vaginal e dor durante a relação sexual
- Insônia e alterações do sono
- Diminuição da libido
- Dores articulares
- Ganho de peso e alteração da composição corporal
- Queda de cabelo e ressecamento da pele
- Aceleração da perda óssea e aumento do risco cardiovascular
Entre as questões emocionais mais relatadas estão a tristeza pelo fim da fertilidade, medo de perder a feminilidade, vergonha de falar sobre sexualidade, ansiedade em relação ao futuro e aos relacionamentos e a sensação de isolamento.
Diálogo, equipe multidisciplinar e opções de tratamento
Apesar dos impactos severos, o tema ainda é um tabu em muitos consultórios médicos. De acordo com Dra. Larissa, a escuta ativa e multidisciplinar é fundamental para oferecer acolhimento: “Esse cuidado envolve mais do que prescrever medicamentos. É sobre ouvir a história da paciente, validar suas emoções, orientar sobre sexualidade e opções de tratamento e acompanhar de forma contínua.”
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A terapia de reposição hormonal pode ser considerada em casos específicos, especialmente entre mulheres sem histórico de câncer hormônio-dependente. “Em mulheres sem contraindicações, a reposição hormonal feita de forma personalizada pode prevenir complicações como osteoporose e doenças cardiovasculares, além de melhorar sono, libido e disposição”, explica a oncologista. Já para quem não pode fazer uso desse tipo de reposição, alternativas como o uso local de estrogênio vaginal em doses baixas podem ser discutidas para aliviar sintomas, sempre com avaliação médica rigorosa.
Medicina integrativa amplia possibilidades de cuidado
O olhar integrativo da medicina é outro aliado para a qualidade de vida dessas mulheres. Dra. Larissa destaca práticas complementares que podem auxiliar, como:
- Acupuntura para reduzir ondas de calor e dores
- Meditação e mindfulness para controle da ansiedade
- Exercícios físicos adaptados para melhora do humor, energia e saúde óssea
- Fitoterapia segura, quando orientada por profissionais
- Terapias corporais e artísticas para favorecer a reconexão com o próprio corpo
“Essas práticas não substituem o tratamento oncológico tradicional, mas complementam e ampliam as possibilidades de cuidado, trazendo mais conforto e qualidade de vida às mulheres em todas as fases do tratamento e da vida após o câncer”, afirma.
Quebrando o silêncio e acolhendo as pacientes
Para a médica, romper esse tabu é um passo essencial para garantir saúde e dignidade às pacientes: “A menopausa induzida pelo câncer não é apenas uma mudança hormonal: é uma ruptura que afeta o corpo, o emocional, os sonhos e a identidade de muitas mulheres. É urgente trazer esse tema para a luz, romper o tabu, abrir espaço para o diálogo e garantir que cada mulher seja acolhida com empatia. Falar sobre isso é oferecer dignidade. É dizer, com todas as letras: você não está sozinha — e sua saúde vai muito além de uma doença.”
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