EUA e Irã anunciam acordo para encerrar guerra e reabrir Ormuz

Maria Eduarda Grill
10:48 15.06.2026
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EUA e Irã anunciam acordo para encerrar guerra e reabrir Ormuz

Assinatura está prevista para sexta-feira, na Suíça; Israel segue com ataques no Líbano e recusa retirada do território libanês.

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- 15.06.2026 - 10:48
EUA e Irã anunciam acordo para encerrar guerra e reabrir Ormuz
O Estreito de Ormuz está previsto para ser reaberto após a assinatura do acordo, marcada para sexta-feira (19), na Suíça. Foto: NAVCENT Public Affairs

Na madrugada desta segunda-feira (15), o Paquistão anunciou que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo inicial para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif afirmou que “ambos os lados declararam a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano.” Trump confirmou o acordo nas redes sociais e autorizou o fim do bloqueio naval americano. Mas recuou em parte: o estreito só será reaberto após a assinatura, marcada para sexta-feira (19), na Suíça.

O vice-ministro de Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou o acordo pela televisão estatal iraniana, mas deixou claro que o país não começa a implementá-lo antes da assinatura. O acordo chegou após 17 horas de negociações em Teerã conduzidas por mediadores do Catar, que depois deixaram a capital iraniana. Paquistão, Catar, Egito, Arábia Saudita e Turquia atuaram como intermediários ao longo do processo, uma lista que evidencia a incapacidade de Trump de encerrar a guerra de forma unilateral. Reuniões preparatórias separadas com cada lado acontecerão em Doha ainda esta semana, segundo um oficial informado sobre as negociações.

O que o acordo prevê, e o que ainda está em aberto

O memorando prevê o fim imediato dos ataques, a reabertura de Ormuz e 60 dias para resolver o programa nuclear iraniano – prazo apertado para um tema que consumiu anos de negociações no acordo de 2015, que Trump abandonou em 2018, durante seu primeiro mandato.

Um dos pontos mais sensíveis segue sem solução: o destino do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido, suficiente para fabricar várias armas nucleares segundo especialistas. O Irã insiste em manter o material no país, Washington exige sua retirada e a Rússia se ofereceu para recebê-lo. A divisão já chegou ao Congresso americano. O senador republicano Lindsey Graham disse estar “preocupado” com as divergências entre as leituras iraniana e americana do acordo.

Do lado iraniano, Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento e negociador, foi mais duro. Antes mesmo do anúncio, questionou se os Estados Unidos “não tinham vontade de cumprir os compromissos ou não tinham capacidade para isso,” chamando Trump de “negociador policial.”

Israel segue atacando o Líbano e recusa retirada

No mesmo domingo em que o acordo foi anunciado, Israel bombardeou os subúrbios do sul de Beirute, atingindo infraestrutura do Hezbollah, segundo o exército israelense. O escritório do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que os ataques foram em resposta a ações do Hezbollah no norte de Israel.

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Na primeira reação israelense, o ministro da Defesa Israel Katz afirmou que o país não vai se retirar dos territórios tomados no Líbano e planeja permanecer “indefinidamente” nas áreas que ocupa no Líbano, na Síria e em Gaza. Katz ainda ameaçou responder com “grande força” caso o Irã ataque Israel em represália aos bombardeios no Líbano.

Nos últimos dois anos e meio, Israel tomou controle de áreas em Gaza, Líbano e Síria que somam cerca de 1.000 quilômetros quadrados, uma extensão ligeiramente menor que a cidade de Nova York.

O cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos é uma das condições colocadas por Teerã para encerrar os ataques de Israel no Líbano. A postura israelense representa, portanto, um dos principais obstáculos para que o acordo se sustente até sexta-feira.

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