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Cuca: uma lenda do folclore Brasileiro
Cuca: uma lenda do folclore Brasileiro
Descubra a evolução da figura mítica da Cuca, desde as raízes ibéricas até suas representações contemporâneas nas artes e na mídia
“Nana neném que a Cuca vem pegar,
Papai foi pra roça,
Mamãe foi trabalhar.”
Sim, a maioria da população brasileira foi embalada na infância por uma música que usava a assustadora Cuca para fazer com que as crianças dormissem rápido.
Afinal, segundo o folclore brasileiro, ela é uma bruxa velha, feia e desgrenhada, que aparece à noite para levar consigo os pequeninos inquietos e insones.
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Sua capacidade de assumir várias formas, como a de uma borboleta, coruja, aranha ou cobra, torna-a ainda mais aterrorizante. No “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, por exemplo, Monteiro Lobato a representou como uma velha com cabeça de jacaré e garras afiadas.
A Lenda da Cuca e suas Variações
A Cuca é frequentemente vista como uma versão feminina do bicho-papão, devorando crianças malcomportadas. Além de bruxa, em algumas versões, é descrita como uma sombra ou um fantasma. Existe um mito de que, a cada mil anos, uma nova Cuca surgiria de um ovo, pronta para ser ainda mais terrível que suas antecessoras.
Representações na Cultura Brasileira
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Monteiro Lobato (1882-1948) foi fundamental na popularização da lenda da Cuca. Na coleção “Sítio do Pica-Pau Amarelo” (1920-1947), ela aparece como uma das grandes vilãs. No primeiro livro da série, “O Saci” (1921), é retratada como uma bruxa maléfica com cara e garras de jacaré. Essa versão foi adaptada para a televisão pela Rede Globo em 1977, se tornou um ícone cultural e conquistou gerações de espectadores.
Cidade Invisível
Mais recentemente, a série “Cidade Invisível”, criada por Carlos Saldanha e lançada na Netflix em 2021, trouxe uma nova interpretação da Cuca. Apresentada como Inês, é uma feiticeira que procura proteger seus semelhantes e controla borboletas-azuis.
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“A Cuca” de Tarsila
A famosa pintura “A Cuca”, criada por Tarsila do Amaral em 1924, é considerada o embrião do Manifesto Antropofágico que tinha como objetivo se alimentar de referências de outros países e fazer uma releitura da arte com representatividade brasileira. Faz parte da fase Pau Brasil e tem elementos do modernismo, sem a preocupação de retratar a realidade ou com proporções.
Origens Históricas
A lenda da Cuca tem raízes na Península Ibérica, onde era conhecida como Coca ou Santa Coca. Durante o período colonial, essa figura foi trazida ao Brasil e adaptada ao folclore local. A Coca era associada a rimas infantis e cantigas de ninar em Portugal e Espanha. No Brasil, a figura evoluiu para incorporar elementos africanos e indígenas, refletindo a diversidade cultural do país.
A Cuca representa a cultura brasileira e suas tradições orais. Sua evolução desde as raízes ibéricas até sua forma moderna reflete as influências que moldaram o país ao longo dos séculos.

